GEOGRAFIA

Superpapo sobre desenvolvimento de urânio e afins  (GEOGRAFIA) escrito em quinta 05 julho 2007 21:58

Yes,

nós temos

urânio.

 

Revista Superinteressante, edição 227, Junho 2006 

O Chefe do programa nuclear brasileiro diz que a polêmica mundial gerada pela inauguração da primeira fábrica brasileira de enriquecimento de urânio não passa de paranóia pós-11/9. Será?

Marcelo Bortoloti

Há um país desenvolvendo um polêmico programa nuclear – que inclui restrições às inspeções técnicas da ONU. Preocupada com a possibilidade de estar diante de uma nova potência atômica, a comunidade internacional acusa o governo de violar tratados de desarmamento. A onda de críticas inclui reportagem numa das mais respeitadas revistas científicas do mundo afirmando que, em breve, o país terá 6 bombas atômicas. Se você pensou no Irã, esqueça. O centro dessa controvérsia é o Brasil mesmo – e ela só faz crescer desde maio, quando a primeira fábrica brasileira de enriquecimento de urânio foi inaugurada em Resende, estado do Rio.

"É tudo paranóia mundial pós-11 de Setembro", garante Odair Dias Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão que detém o monopólio da exploração de materiais radioativos no país. Professor de física da UFRJ, Odair é o responsável por orientar o governo sobre as estratégias a serem seguidas na área nuclear. Ele não só defende que o país invista mais em energia nuclear, como acredita estar aí a melhor opção para a crise elétrica brasileira. Então, prepare-se. O barulho está só começando.

Alguns importantes especialistas em energia nuclear acusam o Brasil de se aproveitar da pressão sobre o Irã para desenvolver, na surdina, um programa atômico ilegal. Afinal, por que há tanta polêmica em torno do projeto nuclear brasileiro?

R. Não estamos fazendo nada na surdina. Esses comentários críticos ao Brasil partiram de grupos que refletem uma certa paranóia de que qualquer país que domine a tecnologia é uma ameaça para a humanidade. Há também uma disputa econômica, porque o mercado de energia é extremamente promissor.

É possível comparar o programa nuclear do Brasil com o do Irã?

O Irã não está sendo perseguido por ter um programa nuclear, mas sim porque omitiu alguns procedimentos à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). E, ao fazer isso, deixou de cumprir o que está estabelecido no Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que é um tratado internacional que garante a redução e a não-proliferação de armas nucleares. Qualquer país pode desenvolver a tecnologia nuclear para energia elétrica. E o Brasil não teve absolutamente qualquer tipo de questão internacional, nem da parte da agência nem da parte de qualquer outro país. Existe uma série de regras que têm que ser cumpridas e nós sempre cumprimos à risca.

Por que, então, o Brasil não assinou o protocolo adicional do TNP, que permite aos inspetores internacionais acesso irrestrito e sem aviso prévio às instalações nucleares?

Na verdade, ainda não decidimos se vamos assinar ou não – inclusive porque custaria muito dinheiro. O TNP já inclui visitas avisadas e não avisadas. O que o protocolo adicional faz é mudar o enfoque, porque atualmente a inspeção é feita a partir do que o país declara. Ou seja, se baseia na confiança internacional nas informações divulgadas. O protocolo adicional se tornou importante depois do 11 de Setembro e impõe garantias para o caso de você querer esconder alguma coisa. Os detalhes são muito técnicos, mas a diferença principal é essa. 

Quais motivos o Brasil tem para restringir o acesso de inspetores às centrífugas da fábrica de Resende?

Antes de Resende, nós já havíamos feito uma fábrica piloto no interior de São Paulo. Ela foi construída de uma maneira que as centrífugas ficavam guardadas dentro de armários para proteger a propriedade tecnológica. Quando desenhamos a fábrica de Resende, simplesmente transportamos para lá esse modelo. Mas no meio do processo aconteceu o 11 de Setembro, que mudou os parâmetros internacionais de segurança, e a Aiea passou a não aceitar mais os procedimentos de salvaguarda que já havíamos combinado. No final, eles tiveram todo o acesso que julgaram necessário.

Não é exagerada essa preocupação com espionagem industrial por parte de técnicos da Aiea, entidade que, por princípio, não possui interesses comerciais?

Não existe área da tecnologia em que as pessoas não protejam seus segredos. Não temos suspeitas sobre a agência, o problema são as pessoas. A tecnologia brasileira tem uma eficiência maior que a de outros países, sobretudo no que diz respeito à resistência do equipamento. A maior parte das centrífugas possui um eixo no qual elas são apoiadas. E, como giram em velocidade supersônica, o desgaste desse eixo é enorme. A nossa não fica apoiada num eixo, fica levitando num campo magnético. É um sistema de dupla levitação, que reduz o atrito e dá uma resistência muito maior para o equipamento. Na área nuclear, não é possível registrar patentes, inclusive porque para isso seria necessário divulgar uma série de informações que poderiam ser usadas para fins não pacíficos. Então temos de nos proteger.

Há denúncias, também, de que o Brasil estaria pesquisando o enriquecimento de urânio a porcentagens maiores que 5% – a utilizada em usinas energéticas. É verdade?

As pessoas dizem o que querem. A revista Science saiu com um artigo que, entre outras coisas, afirmava que o Brasil teria capacidade de produzir 6 bombas atômicas por ano ou qualquer coisa do gênero. É um absurdo, nós mandamos cartas para as pessoas e para a própria revista perguntando como havia sido calculado esse número. Eles sequer sabem quanto urânio a gente produz. Isso é especulação mal-intencionada. Eu posso afirmar que o Brasil não estão produzindo urânio enriquecido além de 5%.

Mas um ex-inspetor da ONU, David Albright, afirmou ter trabalhado com você, no Brasil, em um projeto para fabricar centrífugas que enriquecem urânio a mais que 5%.

Eu conheço o David e ele nunca fez afirmações desse tipo. Inclusive, negou algumas falas atribuídas a ele pela Science. David é um cara responsável que jamais diria isso sem conhecer todo o sistema.

Você defende que o Brasil pesquise o desenvolvimento da bomba atômica?

Claro que não. Acho que todo país tem direito de investir em defesa. Os EUA, por exemplo, são os que mais investem e desenvolvem armamentos. Acontece que essa não é a vocação do Brasil. Mesmo porque, num mundo em que a guerra é toda baseada em alta tecnologia, não adianta você ter um revolverzinho de brinquedo — é burrice pura.

Nos últimos meses, ambientalistas historicamente avessos à energia nuclear, como o fundador do Greenpeace Patrick Moore, passaram a defender o uso dessa fonte como parte do combate ao aquecimento global. A que você atribui essa mudança de postura?

Acho que a tecnologia nuclear avançou. Hoje os reatores estão mais seguros do que no passado e o tratamento de rejeitos passou a ser mais eficiente. A energia nuclear é limpa, só emite vapor d'água para a atmosfera. Não contribui para o aquecimento global. Hoje sabemos que até a energia hidrelétrica, até bem pouco tempo atrás considerada limpa, provoca emissões de gás quando inunda campos.

Mas há o problema do lixo radioativo, que é tóxico e não pode ser eliminado.

É verdade, mas também não existe maneira de eliminar garrafas pet, que provocam uma quantidade de lixo absurda. A civilização humana produz muito lixo. A área nuclear também, mas pelo menos guarda tudo. Respondemos por toda grama de material produzido. E já existem várias pesquisas procurando soluções para o problema, como a reutilização do lixo atômico ou então o bombardeamento do núcleo radioativo para que ele deixe de emitir radiação. Já conhecemos a parte física desses processos, só não sabemos fazê-los em escala. Mas creio que em 30 anos seremos capazes de reverter todo o lixo produzido.

O Brasil já teve um sério acidente radioativo, com césio 137 em Goiás. Hoje o país tem segurança para implementar um programa nuclear?

As usinas são as menos perigosas entre as instalações que lidam com radiação. O sistema mundial é tão detalhado e preciso que é muito difícil acontecer acidentes. Com 440 usinas instaladas no mundo, até hoje só aconteceram dois acidentes significativos. E, em matéria de vítimas, apenas Chernobyl.

A energia nuclear é economicamente viável para o Brasil?

As melhores opções de energia que temos são a hidrelétrica e a nuclear. Há alguns anos, o preço do petróleo era baixo e a energia nuclear, cara. Hoje não. Ela é extremamente competitiva no custo – incluindo o valor da instalação da usina. E é preciso lembrar que o país tem poucas reservas de gás, as energias eólica e solar servem mais para sítios e casas do que para aglomerados urbanos, e não há mais grandes quedas de água disponíveis para a instalação de hidrelétricas.

Odair Dias Gonçalves
• Preside a Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão que orienta o governo sobre a política nuclear brasileira.
• É formado em física pela USP. Fez mestrado e doutorado na UFRJ e pós-doutorado no Hahn Meitner Institut, da Alemanha.
• Seu escritório fica na entrada da Urca, um dos bairros mais charmosos do Rio. O vizinho de frente é o Instituto Pinel, hospício famoso na cidade.
• É um dos autores do livro Drogas: É Legal?, que aborda temas como a descriminalização da maconha.
• Tem 54 anos e é do signo de gêmeos.
• Não gosta de nenhum tipo de arma. Nem mesmo das atômicas.

O caso contra

o Brasil

 A desconfiança mundial recaiu sobre o programa nuclear brasileiro em 2004. Naquele ano, inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), órgão ligado à ONU, foram proibidos de ter acesso ilimitado às instalações da fábrica de enriquecimento de urânio, então em construção, em Resende. A alegação oficial foi de que o país não mostraria suas centrífugas por temer ser vítima de espionagem industrial. Pouco meses depois, a revista Science esquentou a polêmica ao afirmar que o Brasil tinha tecnologia para produzir 6 ogivas nucleares por ano. Para a revista, a postura brasileira de enfrentar a Aiea estava abrindo precedentes para que qualquer outro país evitasse as inspeções.

As inspeções existem porque, em tese, a mesma tecnologia que produz eletricidade pode ser utilizada na fabricação de bombas atômicas. O urânio que abastece usinas elétricas tem enriquecimento de 5%. O que alimenta bombas atômicas, 90%. Cabe à Aiea checar como cada país processa seu urânio — e como signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, o Brasil se compromete a permitir a presença dos técnicos da Aiea em suas instalações.

Em fevereiro de 2006, após dois anos de negociações, a Aiea aprovou o funcionamento da fábrica de Resende. Mas as críticas ao Brasil não cessaram. Um antigo inspetor da ONU, David Albright, afirmou já ter trabalhado em pesquisas brasileiras para enriquecimento de urânio com fins não revelados. Outro especialista estrangeiro, Marshall Eakin, disse que o Brasil está se beneficiando da perseguição internacional ao Irã, e desenvolve a mesma tecnologia na surdina.

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ATMOSFERA, FATORES DO CLIMA E DOMÍNIOS CLIMÁTICOS  (GEOGRAFIA) escrito em domingo 29 julho 2007 04:59

 

Climatologia

Fontes:

- Apostila do ACEPUSP – Cursinho popular dos estudantes da USP
- ISCSS - Institute for Computacional Earth System Science / GEM/USP - Grupo de Estudos em Multi-escalas / IAG/USP, disponível em: <http://www.icess.ucsb.edu/gem/ventos.htm>
- Material didático do Professor Daniel Hideki  Bando, disponível no site do movimento humanista: <http://www.humanista.siteonline.com.br/interna.jsp?lnk=36868>

ATMOSFERA

- É a camada gasosa que envolve a Terra e a acompanha em todos os seus movimentos.

- 99% dos gases atmosféricos se encontram a menos de 80 km de altitude

- Possui aproximadamente 1.000 km de espessura

- Está ligada a tudo o que ocorre na superfície da Terra


CLIMA

- são as perturbações atmosféricas
- ocorrem q menos de 20 km de altitude

COMPOSIÇÃO

GASES (que formam uma mistura incolor, insípida e inodora) +

VAPOR D’ÁGUA +
PARTÍCULAS DE PÓ +
MICROORGANISMOS etc. +
________________________________________________

 =          ATMOSFERA

Gases que compõem a atmosfera:

Gás

Volume em %

Nitrogênio (N2)

Oxigênio (O2)

Argônio (Ar)

Outros gases (carbono, neônio, hélio, hidrogênio, ozônio etc)

78

21

0,9

1,0

 

CAMADAS

- A atmosfera se mantém em volta da Terra pela força gravitacional.
- Embora a atmosfera tenha aproximadamente 1.000 km de altura, sua massa se concentra nos primeiros 5 km.
- Possui basicamente 5 principais camadas:

EXOSFERA

+/- 600 Km

______________________________________________

IONOSFERA

80 Km    +80ºC
______________________________________________

 
                 MESOSFERA

50 Km    -80ºC
______________________________________________

                 0ºC                                                       ESTRATOPAUSA

 ESTRATOSFERA

10 Km    -56,5ºC
______________________________________________

TROPOPAUSA

 TORPOSFERA

0 Km    +15ºc
______________________________________________

 

TROPOSFERA

- Vai até cerca de 12 km de altura
- Perto dos pólos fica entre 8.000 e 10.000 metros de espessura
- No Equador fica entre 15.000 e 18.000 metros de espessura
- Detém quase a totalidade de vapor d’água que envolve a Terra, o que causa a maioria dos fenômenos meteorológicos como:

- correntes de vento,
- nuvens,
- chuva,
- nevascas etc.

- Na TROPOSFERA a temperatura diminui em relação ao aumento de altura:

Em um avião de 10 mil metros de altura,
a temperatura máxima é, com freqüência,
inferior a 40º C negativos.

ESTRATOSFERA

- Vai do topo da troposfera até, aproximadamente 50 km de altura.
- É onde é naturalmente produzido o OZÔNIO, pela ação fotoquímica dos raios ultravioleta sobre as moléculas de oxigênio.- Por conta do ozônio e da sua propriedade de absorver radiações de onda curta (radiação ultravioleta do sol), a temperatura se eleva entre os 20 e 50 km de distância da superfície terrestre.
- A maioria dos compostos libertados à superfície da Terra não atinge a estratosfera porque podem:

- decompostos por gases atmosféricos na troposfera(pelos principais oxidantes, ex: OH, NO3)
- destruídos pela luz solar

- removidos por deposição seca ou úmida
- retidos na fria tropopausa.

- As transferências de ar entre a troposfera e a estratosfera são lentas por conta da inversão na evolução da temperatura com a altitude entre elas.

MESOSFERA

- Vai desde os 50 km até, aproximadamente 80 km de altura.
- Com queda de temperatura de até -95ºC. é o ponto mais frio da ATMOSFERA.

EXOSFERA

- Vai dos 600 km até cerca de 1.000 km acima do nível do mar, quando começa a findar a atmosfera terrestre.
- É, portanto, uma zona de transição entre a atmosfera e o espaço exterior.
- Praticamente não contém ar, por isso apresenta temperaturas altíssimas superiores a 1.000º C.

Por isso as naves espaciais são constituídas de materiais super-resistentes.


CLIMA


Pode-se definir clima como o comportamento da atmosfera ao longo do ano, constante em um ponto qualquer da superfície da Terra.

Clima não pode ser confundido com Tempo. Por exemplo: se dizemos que o dia ontem estava quente, estamos nos referindo ao tempo. Mas, se dissermos que na Amazônia o tempo é quente e úmido o ano inteiro, estamos nos referindo ao clima da região. O tempo, portanto, é algo passageiro, é como o ar está naquele  momento.

1) Tempo: é o estado da atmosfera em determinado momento.

Exemplo: "o tempo agora está bom, isto é, faz sol e calor", "o tempo está chuvoso" ou ainda, "o tempo está muito frio".
Tempo é, portanto, um dado momentâneo, sujeito a mudanças mais ou menos rápidas;
2) Clima: é a sucessão habitual dos tipos de tempo em determinado local do espaço terrestre. Para definir o clima de uma região, utilizam-se, sobretudo, as médias de temperatura, precipitação e umidade do ardurante vários anos seguidos (geralmente 30 anos de observação).

Resumindo:

- Tempo é o estado da atmosfera em determinado momento;
- Clima engloba vários tipos de tempos que se sucedem ao longo de vários anos.


Atributos ou

elementos do clima

Temperatura

- É o estado ou grau de frio ou de calor de um corpo ou lugar.
-
A temperatura média à superfície é de 14º C, variando entre cerca de -60º C e +45º C.
- Pode ser determinada pela sensação de morno ou frio.

Umidade

- Corresponde à quantidade de vapor de água que encontramos na atmosfera.
- A umidade é relativa ao ponto de saturação de vapor de água na atmosfera, que é de 4%. Quando a atmosfera atinge essa porcentagem, ou se satura de vapor, ocorrem as chuvas.
- Muitas vezes escutamos no jornal falarem que a umidade relativa do ar é, por exemplo, de 60%. Isto quer dizer que estamos a 60% da capacidade máxima de retenção de vapor de água na atmosfera. Quando está chovendo, a umidade relativa do ar está em 100%, ou 4% em termos absolutos. Portanto, quando a umidade relativa do ar está por volta de 60%, está em 2,4% de vapor em termos absolutos.

Resumindo:

Umidade = quantidade de vapor de água na atmosfera
Umidade relativa =umidade relativa ao ponto de saturação (4%) de vapor de água na atmosfera
Capacidade máxima de retenção de vapor de água na atmosfera = 4% de vapor (valor absoluto) ou 100% (valor relativo). Ex.: 60% de umidade relativa = 2,4% de vapor em termos absolutos

Pressão atmosférica

- Embora o ar seja extremamente leve, não é desprovido de peso. O peso que exerce sobre nós a totalidade da atmosfera denomina-se pressão atmosférica.
- Cada pessoa suporta em média sobre os ombros o peso de cerca de 1 tonelada de ar, mas as pessoas não sentem esse peso porque o ar é um gás e a força da pressão é exercida em todas as direções.
- O peso normal do ar ao nível do mar é de 1Kg/cm2. Porém, a pressão atmosférica diminui com a altitude.

A 3.000 m, a pressão atmosférica é de cerca de 0,7 kg/cm2.
A 8.848 m, a altitude do monte Everest, a pressão é de apenas 0,3 Kg/cm2.

- O barômetro é o instrumento usado para medir a pressão atmosférica.

Ao nível do mar o peso do ar é = 1kg/cm2
A 3.000 metros de altura o peso do mesmo ar é =
+/- 0,7 kg/cm2

- Pressão atmosférica é, então, a força causada pelo ar sobre a superfície terrestre.
- Ela depende da latitude, altitude e temperatura.

Quanto maior a ALTITUDE, menor a pressão e vice-versa.

Quanto menor a LATITUDE, menor a pressão

- O movimento do ar decorre da diferença de pressão. Ele se movimenta das altas para as áreas de baixa pressão. Esse movimento do ar chama-se VENTO.

Altas Pressões

- Quando o ar é relativamente frio, desce lentamente e comprime o ar que está por baixo, causando uma maior pressão. Embora essa maior pressão seja causada pelo ar frio, ela provoca um tempo quente e soalheiro. Isto acontece porque o ar, ao descer, impede a formação de nuvens, originando um céu limpo.

AR FRIO DESCE = COMPRIME O AR ABAIXO = ALTA PRESSÃO ATMOSFÉRICA

- Próximo aos pólos, o frio contrai o ar, deixando mais denso, tendo uma maior pressão.
- E em regiões de
baixa temperatura maior pressão, visto que o ar frio tende a descer.

Baixas Pressões

- Quando o ar quente se eleva, cria, por baixo dele, uma zona de baixa pressão.
- Baixas pressões normalmente significam mau tempo.
- À medida que o ar sobe, ele se esfria e o seu vapor de água se transforma em nuvens que podem produzir chuva, neve ou tempestades.
- Simultaneamente, ao nível do solo, há ar que se desloca para substituir o ar quente em elevação, o que dá origem a ventos.
- As massas de ar deslocam-se sempre de um centro de alta pressão para um de baixa pressão, gerando o vento.
- Mas neste caminho são desviadas (para a direita no hemisfério Norte) por causa da rotação terrestre.
- Se nos pusermos de costas para o vento (no hemisfério Norte), o centro de baixa pressão se encontrará sempre à nossa esquerda. Esta regra foi descoberta pelo físico Buys-Ballot, em 1800.
- Nas regiões mais quentes (região equatorial), o ar se dilata ficando leve, por isso tem uma baixa pressão.

- A temperatura também tem forte influencia na modificação da pressão atmosférica. Isto porque o ar quente é leve, ou seja, sobe e como conseqüência diminui a pressão.

Resumindo:

> altitude = < pressão atmosférica
< latitude = < pressão atmosférica
Ar quente = leve = sobe = diminui a pressão
Ar frio = denso = desce = aumenta a pressão

REGIÕES MAIS QUENTES (equatorial) = o ar se dilata e se torna mais leve = BAIXA PRESSÃO ATMOSFÉRICA.

REGIÕES MAIS FRIAS (próximas aos pólos) = o frio contrai o ar que se torna mais denso = MAIOR PRESSÃO ATMOSFÉRICA

Ventos

Vento = diferenças de aquecimento entre
superfícies + das diferenças na pressão

O movimento do ar que decorre da
diferença de pressão = VENTO

- O ar sobre superfícies quentes torna-se também aquecido e sobe.
- O ar sobre superfícies mais frias “afunda”.
- Isso leva a diferenças na pressão do ar à superfície.
- Assim, a
PRESSÃO tende a ser.

MAIS BAIXA EM REGIÕES DE AR ASCENDENTE

MAIS ALTA EM REGIÕES DE AR DESCENDENTE

- Essas diferenças de pressão geram os gradientes de pressão.

- Assim, à superfície o ar flui da alta para a baixa pressão.

- Os gradientes de pressão se desenvolvem tanto em escala global quanto local. 

Ventos Globais

- Consistem nos movimentos de grandes massas de ar e dos fluxos nas correntes de jato, enquanto os ventos locais envolvem gradientes em escala local, afetando assim uma área menor.
- Esses ventos na realidade são considerados

VENTOS GEOSTRÓFICOS
, e ocorrem a partir da  ltitude dos 1.000 m.
- A velocidades destes ventos pode ser medida por balões meteorológicos.

Uma vez que os ventos não podem ser diretamente observados por satélite, a direção e intensidade dos ventos podem ser inferidas por padrões de nuvens. Para entender o que causa esses padrões de nuvens nas imagens de satélite, necessita-se entender o conceito de arCONVERGINDO e DIVERGINDO .

Em geral o ar:

Em baixos níveis converge próximo das baixas e associados às regiões frontais; usualmente diverge na região das altas.

Em altos níveis, o ar tende a divergir sobre
as baixas e convergir sobre as altas,
o reverso do que acontece em baixos níveis.

Convecção

- Convecção ocorre tipicamente quando o ar acima do solo está desigualmente aquecido. Isso faz com que:
- o ar mais quente torne-se menos denso e suba,
- o ar mais frio na vizinhança afunda,- o ar subindo esfria-se e forma nuvens convectivas e possivelmente precipitação,
- estudando essas áreas convectivas do espaço, podemos freqüentemente determinar a direção do vento a partir das formas e padrões criados pelas nuvens convectivas.

Ruas de nuvens e linhas

Durante os meses de verão, quando a terra está mais fria que os oceanos, o ar frio pode mover-se para fora das costas dos continentes e sobre as águas oceânicas mais quentes, onde é aquecido e umidificado por baixo.
- Esse ar sobe rapidamente, e como um resultado, nuvens cumulus se formam.
- Essas nuvens cumulus são usualmente encontradas em fileiras que são paralelas à direção do vento.
- Essas fileiras, conhecidas como ruas de nuvens (cloud streets), consolidam-se vento abaixo em linhas sólidas.
- Se alguma inversão estiver presente, o desenvolvimento vertical é limitado e as nuvens se espalharão em linhas de estratocumulus.
- Vistas do espaço, essas linhas de cumulus e stratocumulus — as quais, igualmente às ruas de nuvens, tendem a se formar paralelas à direção dos ventos de baixos-níveis — são facilmente reconhecidas. São usualmente bons indicadores da direção dos ventos em baixos níveis quando são jovens e próximas da costa.
- Longe da costa, outros fatores afetam a orientação das linhas e não são indicadores confiáveis da direção dos ventos. Essas nuvens são espessas e com baixos topos.

- Mais para dentro do oceano, as linhas se espalham e sua orientação é mais influenciada por padrões de tempo de grande-escala do que pela direção dos ventos de baixos-níveis.
- Os oceanos não são os únicos lugares que as ruas de nuvens se formam.
- Ventos frios soprando através de águas mais quentes em um corpo de água sobre a terra (digamos, um grande lago), irá freqüentemente formar ruas de nuvens sobre o lago, estendendo para as costas.
- Na região dos Grandes Lagos, estas nuvens freqüentemente trazem nevascas fortes a partes do oeste de Nova York, Michigan e norte de Ohio.
- Esse efeito é conhecido como “Great Lakes effect”, onde a neve e as bandas convectivas podem ser freqüentemente vistas em imagens de satélite.
- Esse “efeito de lago” pode ser estendido por centenas de km.

Ventos de superfície

Os ventos são muito influenciados pela superfície terrestre até altitudes de 100 metros. O vento é travado pela rugosidade da superfície da terra e pelos obstáculos. A direção perto da superfície é ligeiramente diferente da dos ventos geostróficos, devido à rotação da terra.

Ventos Alísios

- Ocorrem durante todo o ano nas regiões tropicais, sendo muito comuns na América Central.
- O resultado da ascensão de massas de ar que convergem de zonas de alta pressão (anticiclônicas), nos trópicos, para zonas de baixa pressão (ciclônicas) no Equador, formando um ciclo.

- São ventos úmidos, provocando chuvas nos locais onde convergem.

- Por essa razão, a zona equatorial é a região das calmarias equatoriais chuvosas.

- O Alísio de hemisfério Norte sopra de Nordeste para Sudoeste, enquanto o do hemisfério Sul sopra do Sudeste para o Noroeste.
- A sua influência é mais marcante no clima de regiões costeiras e de baixa latitude, exercendo grande importância na meteorologia insular.

Contra-alísios

- Sopram do Equador para os trópicos, em altitudes elevadas.
- São ventos secos e são os responsáveis pelas calmarias tropicais secas que geralmente ocorrem ao longo dos trópicos.
- Os maiores desertos da Terra encontram-se junto a essas zonas atravessadas pelos trópicos.

Ventos locais

- Apesar da importância dos ventos locais para a determinação dos ventos dominantes numa determinada área, as condições climáticas locais podem influenciar as direções do vento.

- A direção do vento é influenciada pela soma dos efeitos globais e locais. Quando os ventos globais são suaves, os ventos locais podem dominar o regime de ventos, por exemplo:

a) Brisa marítima

- Durante o dia, as superfícies de terra aquecem-se mais rápido que as superfícies de água adjacentes.

- Conforme o ar em contato com a terra é aquecido, o mesmo sobe e é trocado pelo ar mais frio sobre a água.

- O vento local próximo da costa que é formado como o resultado dessa convecção é denominado brisa marítima.

- Onde o ar mais frio e o mais quente se encontram, existe ascensão do ar quente devido à diferença em densidade.

- Ao longo dessa linha de contato, freqüentemente denominada frente de brisa, nuvens convectivas e tempestades podem se desenvolver.

- Isto ocorre freqüentemente durante o dia nas regiões tropicais costeiras.

- Evidências da frente de brisa podem ser detectadas em imagens de satélite.

- Céu claro que aparece sobre a linha da costa e águas adjacentes mais distantes, e uma área sobre a terra com nuvens cumulus são indicadores de uma brisa marítima.

 

b) Brisa de lago (lacustre)

- A brisa de lago também se desenvolve de forma similar, em torno de largos corpos de água dentro do continente.

- Frentes de brisa de lago ao longo das costas dos Grandes Lagos, podem ser freqüentemente visíveis em imagens de satélite.

- De forma similar, o ar sobre o lago permanece sem nuvens, enquanto uma área de nuvens cumulus é aparente sobre a terra, indicando a brisa de lago.

- Para ambos lagos e mar, o vento sopra em direção a costa, geralmente perpendicular à linha da costa. Fenômeno semelhante pode ser observado onde existem grandes rios como o Amazonas.

 

c) Brisas terrestres

- À noite, as superfícies sobre a terra se esfriam mais rapidamente que as superfícies das águas circunvizinhas.

- Quando isso ocorre, o ar mais frio sobre a terra irá fluir da terra para o corpo de água iniciando a brisa terrestre.

- Uma linha de cumulus poderá freqüentemente se formar ao longo da frente de brisa, imediatamente fora da linha da costa.

- Ventos de superfície localizados serão geralmente perpendiculares à linha de nuvens.

- Pode-se observar esse fenômeno em muitas regiões durante as primeiras horas da manhã (por exemplo, na costa da Flórida e em várias regiões costeiras do Nordeste do Brasil).

- Algumas vezes, tempestades podem estar associadas com essas nuvens.

- No caso do nordeste brasileiro, esse tipo de circulação pode causar chuva durante as primeiras horas da manha nessa região, até que a brisa terrestre (que intensifica os alíseos) ganhe força.

- Os ventos de grande-escala podem também influenciar o desenvolvimento da frente de brisa terrestre, bem como a marítima.

 

d) Ventos da montanha:

- Circulações locais também podem se formar ao longo de montanhas e terras altas conforme o ar flui para cima e para baixo dos terrenos inclinados.

- Conforme os lados de uma montanha se aquecem durante o dia, o ar adjacente é aquecido e sobe.

- Isso é conhecido como brisa de montanha ou mountain upslope wind.

- Essas áreas são freqüentemente fáceis de se localizar em imagens de satélite quando as áreas em torno das montanhas são claras e nuvens convectivas são frequentemente observadas sobre regiões montanhosas.

- Quando o aquecimento é muito intenso, tempestades podem se formar sobre as montanhas.

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Blog de turma : imagens nossas, 3

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ATMOSFERA, FATORES DO CLIMA E DOMÍNIOS CLIMÁTICOS 2  (GEOGRAFIA) escrito em domingo 29 julho 2007 06:08

 

Precipitações
(Chuvas)

Fontes:
- Apostila do ACEPUSP – Cursinho popular dos estudantes da USP
- ISCSS - Institute for Computacional Earth System Science /
GEM/USP - Grupo de Estudos em Multi-escalas /
IAG/USP, disponível em: <http://www.icess.ucsb.edu/gem/ventos.htm>
- Material didático do Professor Daniel Hideki  Bando,
disponível no site do movimento humanista: <http://www.humanista.siteonline.com.br/interna.jsp?lnk=36868>

 

- Para que chova é preciso que a água se condense, ou seja, passe do estado gasoso ao liquido, além de o vapor ter de atingir o ponto de saturação.

- O ponto de saturação varia de acordo com a temperatura.

 

maior temperatura = maior o ponto de saturação

menor temperatura = menor o ponto de saturação

As nuvens são constituídas por vapor de água, ou cristais de gelo. Nuvem é o vapor d’ água condensado

 

- Podemos avaliar o grau de umidade do ar em números, dividindo a quantidade do vapor contida em certo volume de ar pelo máximo valor admissível. A regra utilizada é:

 

QUANTO MAIOR A TEMPERATURA, MAIS VAPOR.

 

- O valor obtido será uma porcentagem que mede a umidade relativa do ar

- No inverno, em Brasília, chega-se a um limite (12%) em que o corpo humano é prejudicado pela falta de umidade.

- O inverno dá-se quando o ar está saturado, com 100% de umidade.

- O ar, então, fica à beira de uma mudança em grande escala, não conseguindo admitir mais vapor.

 

- Acredita-se que, por algum motivo, há uma pequena redução na temperatura: como a umidade já está no máximo, parte do vapor é forçada a passar para o estado líquido, em pequenas partículas que, agrupadas em nuvens, constituem a chuva.

 

A DISTRIBUIÇÃO DAS CHUVAS NO PLANETA
 

A distribuição geográfica da chuva depende, basicamente, de quatro fatores:

Latitude

Distância do oceano

Ação do relevo

Efeito das correntes marítimas

- Há uma relação direta ente:

DISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO X CHUVAS

- Quanto à latitude, as chuvas se concentram nas regiões próximas a linha do Equador e nas latitudes médias (45º a 60º norte e sul) = áreas de baixa pressão do planeta.

- Por outro lado, há dois pontos de chuvas por volta das latitudes 30° norte e sul — zonas de alta pressão onde estão vários desertos, como o Atacama, o Saara, o Kalahari etc — e nos pólos, onde o frio é o responsável pelas altas pressões.

- Nas regiões de baixa pressão próximas à linha do Equador, o processo de subida e esfriamento do ar úmido provoca condensação e chuvas a ano inteiro.

- Nas regiões tropi­cais,ao contrário, há movimento descencional do ar já seco, impedindo a formação habitual de nuvens — situação típica de áreas anticiclonais. Por isso mesmo, a maior parte dos desertos do planeta situa-se nas regiões tropicais.

 

Tipos de chuvas


a) Chuvas convectivas ou de convecção

- Típicas de altas temperaturas:

a) na região intertropical;

b) principalmente na zona equatorial e de verão;

c) no interior do continentes.

 

- Como ocorre:

1º O calor do sol esquenta o ar que tende a subir e a esfriar enquanto sobe.

2º O vapor d’água contido no ar esfria e precipita.

3º A evaporação também é intensa, portanto esse ar sobe e carrega muita umidade.

4º Aumenta cada vez mais a quantidade de vapor no ar.

5º Aumenta-se a instabilidade, isto é, o ar fica a beira de atingir o ponto de saturação.

6º A umidade se eleva de forma a atingir níveis muito elevados por volta de 15-16 horas, desencadeando tempestades e aguaceiros.

- A chuva se manifesta intensamente e é de curta duração (pode durar apenas 10 mim).

- É de fácil identificação, pois decorre de nuvens brancas, densas e algodoadas, os cúmulos .

- Em caso de muita umidade, o branco torna-se cinza escuro, e a nuvem é chamada de cúmulo-nimbo, que verterá sua carga de modo particularmente intenso, acompanhada de tormenta, raios e granizo.

 

- Chama-se CHUVA DE CONVERGÊNCIA, porque a massa de ar sobe com a ajuda dos ventos alísios, que convergem às áreas equatoriais.

b) Chuvas frontais

- Resultantes do encontro de duas massas de ar com características diferentes de temperatura e umidade.

- Do choque, a massa de ar quente sobe e o ar:

1º esfria

2º aproxima-se do ponto de saturação

3º origina nuvens

4º e precipita (chove)

a) CHUVISCO – quando a frente é quente

b) AGUAÇEIRO – quando a frente é fria

- As precipitações são típicas de:

            a) áreas de baixa pressão

            b) principalmente nas zonas dos trópicos ou temperadas

c) onde ocorrem as das massas de ar polares e dos trópicos

- Quando a chuva ocorre por conta do ar frio procedente dos pólos, diz-se que vem de uma FRENTE FRIA.

- No entanto ela pode ocorrer de uma FRENTE QUENTE E ÚMIDA que atropela massas de ar em região fria.

d) Chuvas orográficas ou de relevo

- Quando há uma subida forçada no ar porque no seu trajeto há uma cadeia de montanhas.

- Ao subir:

1º o ar esfria

2º o ponto de saturação diminui

3º a umidade relativa do ar aumenta

4º ocorre a condensação

5º conseqüentemente, forma-se nuvens e chove

- São chuvas freqüentes nas áreas:

a) de relevo acidentado

b) ao longo das serras

c) ao lado de onde sopra ventos úmidos

            ex: Serra do Mar em São Paulo

Nebulosidade

Céu coberto pelas nuvens ou por espessos vapores

Insolação

Tempo durante o qual o Sol permanece descoberto, brilhando sem nebulosidade.

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NEBULOSA VEIL, FORMADA HÁ ATÉ 10 MIL ANOS  (GEOGRAFIA) escrito em terça 31 julho 2007 20:06

 

NEBULOSA VEIL

Texto original:
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1571112-EI302,00.html
 

 

A Nasa, agência espacial dos EUA, divulgou nesta terça imagens da Nebulosa Veil, formada entre 5 e 10 mil anos atrás após a explosão de uma supernova.

De acordo com a Nasa, os filamentos entrelaçados em forma de cordas são compostos por gás, resultado da energia liberada com os detritos da explosão da supernovas.

As nebulosas são nuvens de poeira e gás. As fotos foram registradas pelo telescópio Hubble.

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FOGUETE BRASILEIRO VSB-30 - PROJETO CUMÃ II  (GEOGRAFIA) escrito em terça 14 agosto 2007 20:15

 Charge publicada no Jornal da Ciência - Edição 607, de 5 de outubro de 2007.

VSB-30
O FOGUETE BRASILEIRO

 

Foi tarde?

 e daí?

 

O Brasil

lançou o seu foguete,

e isso é bom. 

                                          

A estrutura do foguete

É composta — em linguagem simplificada — por dois motores e por um módulo chamado de carga útil. Os dois primeiros oferecem o impulso que permite ao veículo subir cerca de 300 km, a uma velocidade quase sete vezes maior que a do som. Já no segmento da carga útil é onde vão equipamentos eletrônicos do foguete e as pesquisas da comunidade científica.

Efetuar esses experimentos é possível graças às características do seu vôo, que proporcionam um ambiente de baixa gravidade, no qual os pesquisadores tentam descobrir novas propriedades e informações sobre seus objetos de investigação. O acesso a uma “vaga” no foguete é feita por meio de seleções do Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira (AEB).

O VSB-30 começou a ser desenvolvido em 2001 pelas equipes do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em cooperação com a Agência Espacial Alemã (DLR).

Vôos

Entre os foguetes feitos pela Aeronáutica, o VSB-30 é o mais recente. O veículo já passou por três vôos: o primeiro aconteceu no Brasil, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), em 2004. Os dois vôos seguintes ocorreram em Esrange, na Suécia, devido à cooperação com a Alemanha, sendo o último em 2006.

O foguete ultrapassa a velocidade do som e as temperaturas internas no local da queima do combustível são superiores a 2.000ºC.

Se uma pessoa colocar a mão em cima do motor depois que o combustível foi queimado, notará que a superfície está em temperatura ambiente.

O VSB-30 pode chegar à aceleração de 13 G, mais do que o dobro daquela a que o astronauta Marcos Pontes foi submetido no retorno à Terra.

Os dois motores (S31 e S30) não são parafusados, apenas encaixados, e se desprendem pelo arrasto do ar e pela força advinda dos gases da queima do segundo motor.

A plataforma alemã empregada no VSB-30 leva, além dos experimentos, vários equipamentos fundamentais para o foguete: giroscópios, acelerômetros, sensores de localização pelo Sol, aparelhos de medida que fornecem informações sobre o vôo, tais como velocidade e apontamento.

Os experimentos passam por testes que garantam o sua integridade mesmo durante as intensas vibrações que o foguete sofre durante o vôo, principalmente, durante a ignição dos dois motores

O Brasil lançou o VSB-30
rumo aos confins do espaço

Texto extraído da Revista Piauí, nº 11

Montado em sua coluna de fumaça, tendo como cenário o azul equatorial da tarde maranhense, o VSB-30 V04 decolou da Base de Alcântara como um quilométrico ponto de exclamação. De repente, como num passe de mágica, havia qualquer coisa no ar além dos aviões de carreira. Nunca-na-história-deste-país, como naqueles dezenove minutos de subida vertical, o Barão de Itararé foi tão profético. Dias antes, o brigadeiro José Carlos Pereira, da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária, a famigerada Infraero, admitira: “a malha aérea brasileira foi para o espaço”. E a resposta veio de foguete, a 7,2 mil quilômetros por hora, sete vezes mais ligeira que o som: o espaço, pelo menos, continuava em boas mãos. Dois anos depois da renúncia do presidente que o instituíra, o GOCNAE virou CNAE, só com C de comissão, mas sem o G e o O do grupo de organização. Em seguida veio GTEPE, com G de grupo. E em 1966, promovido a Grupo Executivo, passando a GETEPE. Só de 1971 para cá, o Brasil já lançou a COBAE, o IAE e a AEB. E não vale a pena traduzir as siglas, porque elas no fundo querem todas dizer a mesma coisa. Em outras palavras: lá vamos nós. Só estão aqui para provar que nosso programa espacial tem mais estágios que os foguetes americanos.

O VSB-30 – para os enfronhados, Veículo de Sondagem Booster série 30 – zarpou no dia dezenove de julho. Passavam catorze minutos do meio-dia no instante da largada. Devido a acertos de última hora nos reatores, ele saiu atrasado uma semana. Sofrera seis adiamentos por mau tempo. São coisas que acontecem com qualquer passageiro de ponte aérea. O importante é que, na decolagem, o foguete brasileiro foi agraciado com céu límpido, sem nuvens, anil. Literalmente, um céu de brigadeiro.

Fazia quarenta e uma horas e meia que o Airbus da TAM, no vôo JJ-3054, explodira ao lado do aeroporto de Congonhas. E quatro anos que, em Alcântara, a explosão de um artefato semelhante no solo matara 21 pessoas. Com o VSB-30, a Agência Espacial Brasileira retomava, numa operação batizada de Cumã II, a conquista da camada superior da atmosfera terrestre. O veículo custou 1,25 milhão de dólares, ou 45 vezes menos que o Aerolula. Tinha a missão de subir 285 quilômetros – metade da altitude alcançada pelo Jupiter C, um disparo que deu certo nos Estados Unidos, há meio século, e acabou soterrado na história pelo êxito do Sputnik soviético. Previa-se que a Cumã II pusesse uma cápsula em órbita por cerca de seis minutos e meio. E isso ela fez, com alguns segundos de diferença que só interessam aos cientistas e aos chatos. Imediatamente, a página oficial do projeto publicava na internet o veredito: “Lançamento com sucesso”.

A notícia do triunfo brasileiro no Maranhão pousou, ao anoitecer da quinta-feira, sob as manchetes do desastre em São Paulo. Estava em boa companhia. A Bolsa de Valores acabara de superar os 48 mil pontos. O dólar baixara mais 0,32% diante do real. Ninguém precisa entender o que acontece nas alturas siderais do mercado financeiro para se sentir reconfortado por tamanhas evidências de que a vida continua, mesmo que venham dos índices de prosperidade alheia.

Ainda está para se inventar um artefato tecnológico tão futurista quanto um bom foguete. As missões espaciais podem parecer menos compreensíveis ao senso comum, desde que o homem pisou na Lua, há 38 anos. A Lua, sim, era um objetivo que qualquer um enxergava. Os alvos que vieram depois são meio abstratos. A Cumã II, por exemplo, levava a bordo equipamentos para nove experiências científicas, e nem por isso ficou claro, nos jornais, o que ela foi fazer lá em cima.

Na vida real, o que interessa mesmo é o foguete em si. Ele é um totem do futuro. Dá aos terráqueos a chance de ver, nem que seja por uma nesga de minutos, o que a espécie tem pela frente. Todo foguete traz o futuro de volta. E é um futuro muito mais confortável que a simples prosperidade, porque vem embalado em lembranças. O do VSB-30 é aquele futuro que se via da Terra em 1957, quando começou a corrida espacial.

Ano bom, o de 1957. Era tanta confiança sobrando, aqui embaixo, que a Lever lançou no Brasil uma pasta de dentes com “o exclusivo agente S.R.”. A Toddy anunciava seu achocolatado, pelas vozes das atrizes Norma Benguell e Márcia de Windsor, com a garantia de que ele “contém porque contém mesmo”. Tudo tinha fé pública. Nos Estados Unidos, o correio testaria pouco depois, com o Regulus I, o despacho de três mil cartas por foguete – a última palavra em via aérea. Elas saíram de um submarino no meio do Atlântico e atingiram a base militar de Mayport, na Flórida, e levaram o diretor do Correio, Arthur Summerfield, a decretar que ali começava uma nova era da correspondência.

Summerfield não podia adivinhar o e-mail. Mas, em retrospectiva, ajudou o escritor Bill Bryson, no livro Vida e Época de Kid Trovão, a pegar o espírito da época. “O importante era saber que poderíamos mandar a correspondência por míssil, se quiséssemos. Afinal, era tempo de sonhar”, escreveu Bryson.

Foi em 1957 que o Gallup registrou o ano mais feliz dos anais da pesquisa de opinião pública nos Estados Unidos. Provavelmente, os americanos foram entrevistados antes que os russos lhes jogassem em cima uma bola metálica de 82 quilos: o Sputnik. O Boeing 707, primeiro jato comercial americano, estava saindo do estaleiro. Em poucos meses, a gravação estereofônica e o videoteipe romperiam a casca dos laboratórios. Os cientistas publicavam o primeiro relatório sobre aquecimento global, mencionando um tal de efeito estufa. Em compensação, Fred Astaire filmou Meias de Seda com Cyd Charisse, e Elvis Presley gravou Teddy Bear. Em disco mono, evidentemente.

O Brasil vinha atrás, como é de costume. Mas vinha com pressa. Juscelino Kubitschek, o presidente dos “cinqüenta anos em cinco”, começava para valer as obras de Brasília. Em São Bernardo do Campo, as linhas de montagem da Volkswagen lançavam no mercado a primeira Kombi nacional. A cantora Elisete Cardoso ensaiava os primeiros acordes de bossa nova cantando Chega de Saudade. Suava nos gramados locais o time que ganharia, na Suécia, a Copa do Mundo de 1958.

Um mês depois do Sputnik, os soviéticos emplacaram o Sputnik II, com uma vira-lata de rua enjaulada num satélite artificial de 500 quilos. Os cientistas deram à cadela, no laboratório, o apelido de Kudryavka, “a dos pêlos revoltos”, mas ela ficaria na história com o nome de Laika, “a que late”. A aventura de Laika foi breve. Ela registra acelerações do pulso na partida, três refeições em órbita e a morte instantânea, aparentemente por eutanásia, antes de se desintegrar, junto com a cabine, ao reentrar na atmosfera. Mas o impacto de Laika nos Estados Unidos levou os americanos a sacarem o Vanguard, disparado de Cabo Canaveral antes que 1957 terminasse. O Vanguard se ergueu na plataforma menos de 1 metro, adernou e explodiu. No carnaval seguinte, os brasileiros pulariam ao som da marcha que convidava “o Tio Sam prum piquenique na ionosfera a bordo de um Sputnik. E ele, “cansado de levar tanta fubeca, pensou, pensou, pensou e lançou o Sputneka”. Essas coisas eram mais divertidas quando só aconteciam com os outros.

Depois que os astronautas da Apollo 11 pisaram na Lua, a corrida espacial perdeu a graça. Mas os prodigiosos foguetes dos anos 50 ainda trazem de volta as melhores recordações do tempo em que o Brasil era o país do futuro. O futuro passou. Ainda assim, o Brasil ousou desafiar o espaço com uma operação chamada Cumã II. Cumã, em tupi, quer dizer fuligem, coisa queimada. Mas isso já é outra história.

A viagem cósmica do VSB-30 durou cerca de meia hora. Era o tempo previsto para subir a 242 quilômetros de altura, fazer uma curva na órbita terrestre e cair, como um ponto de interrogação sem fim, a cerca de 90 milhas náuticas da costa maranhense. Mais de 300 pessoas assistiram à decolagem do foguete em terra. No mar, não havia ninguém para esperar sua cápsula.

A amerissagem fechou, com êxito, a primeira parte da Operação Cumã II, a mais problemática. Ela ocupou na Agência Espacial Brasileira 200 especialistas, durante dois anos. Envolveu testes do foguete no Brasil e na Europa. Exigiu, até a última hora, ajustes finos da trajetória do foguete, por mudanças do vento. E, para cercar as previsões meteorológicas pelos sete lados, na véspera do disparo os cientistas consultaram a vidente Adelaide Scritori, da Fundação Cacique Cobra Coral, “luz que ilumina os fracos e confunde os poderosos”.

Tudo feito , como se vê, no maior rigor possível, para prevenir o chabu que em 2003 carbonizou um foguete na Base de Alcântara. Cumã é uma fruta, um peixe e uma baía da região. Mas também significa fuligem.

Concluído o vôo, a etapa seguinte parecia até prosaica. Tratava-se de catar no meio do Atlântico os módulos de carga do VSB-30, enfrentando um ambiente que, bem ou mal, o engenho humano domina há pelo menos 4.607 anos, quando os egípcios deixaram registrada para a posteridade um cruzeiro marítimo à Fenícia, para negociar madeira.

É visível que, no resgate, as precauções foram menores. O comando da operação mudou de mãos um dia antes do lançamento, passando do coronel Fernando Ventura ao major Anderson de Oliveira Júnior. O inferior hierárquico pegou a coordenação de uma equipe com 300 pessoas, um navio da Marinha, dois aviões Bandeirantes de patrulhamento costeiro, pára-quedistas, homens-rãs e dois helicópteros.

Tudo para trazer à base, são e salvo, um cone pouco maior que um botijão de cozinha, equipado com pára-quedas, flutuadores, luzes de localização e sinais de rádio. Em suas entranhas, além da bandeira brasileira em miniatura, viajavam giroscópios, acelerômetros e outros instrumentos capazes de decifrar, em seis minutos e doze segundos, os enigmas da vida em baixa gravidade, como a “cinética das enzimas” ou a “difusão térmica de nanopartículas metálicas em materiais vítreos”.

Presume-se que seus dados não obrigassem os jornais a reescreverem as manchetes do dia seguinte, nem desviassem a atenção nacional dos temas que a ocupavam naquele momento, como o desastre no aeroporto de Congonhas e o terçol do presidente Lula. Mas seis universidades – inclusive a de Hohenheim, na Alemanha – e quatro centros tecnológicos do governo brasileiro apostavam nada menos de nove experiências científicas naquela barafunda de fios e sensores. E, nesse ponto, o vôo da Cumã II acabou como acaba no país a maioria dos vôos ultimamente – cancelado.

A turma do resgate voltou de mãos abanando mais de cinco horas depois do lançamento. O tenente-coronel Fausto Ivan Barbosa, porta-voz da operação, avisou que não havia mais “chance alguma de encontrar a carga útil”. Isso ao mesmo tempo que a página oficial da Agência Espacial Brasileira anunciava o sucesso da carga inútil – ou seja, do foguete, que é tudo o que se desmanchou no ar para levar a sonda ao espaço.

Ao anunciar o fim das buscas, o tenente-coronel Barbosa deu o caso por perdido. Textualmente: “A maior probabilidade é de que o módulo tenha afundado”. Mas, dali para a frente, foi como se o VSB-30 flutuasse para sempre. Uma semana depois da descida, a página oficial ainda falava da Cumã II como se ela vagasse num ponto qualquer do futuro, onde os verbos perdem o sentido do tempo: “Cerca de 80 metros antes de cair no mar, a carga útil com os experimentos não é mais vista pelos radares do Centro de Lançamento de Alcântara devido à curvatura da Terra. No entanto, os dados de GPS (posicionamento por satélite) informam com exatidão o local da queda”, repetia a agência, em fins de julho.

Na internet, aparentemente, tudo podia acontecer: “É importante que haja visibilidade na água caso os experimentos submerjam, tanto que esse fator é analisado antes mesmo do lançamento”. Um clique, e a página da agência espacial proclamava o “sucesso” da missão. Outro, e a notícia do lançamento, com pequenos retoques, voltava como um “êxito parcial”, pois “houve oscilações no sinal de telemetria, o que dificultou a operação de resgate”.

Não foi por inexperiência. O programa espacial brasileiro tem longa história. Data de 1961, quando o governo Jânio Quadros criou o GOCNAE, Grupo de Organização da Comissão Nacional das Atividades Espaciais. Isso na mesma ocasião em que o presidente John Kennedy prometia, nos Estados Unidos, botar um americano na Lua até o fim daquela década. A NASA tinha então três anos de idade e estava metida numa enrascada acachapante. O astronauta soviético Yuri Gagarin acabara de constatar, sobrevoando o planeta a 300 quilômetros de altitude, que a Terra era azul.

Há crises que servem para alguma coisa. Os americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin desembarcaram na Lua em julho de 1969, quase seis anos depois do assassinato de Kennedy, mas meio ano antes de vencer o prazo que ele dera à NASA. O tempo passou. Os tripulantes da Apolo 11 são hoje quase octogenários. E aqui o programa espacial também vai sobrevivendo a Jânio Quadros, devagar e sempre.

Leia a matéria na íntegra em: http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=178

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