
Em homenagem ao bonito trabalho dos professores do ensino
médio do Colégio João
XXIIII
Segue fragmentos
de: http://www.coljxxiii.com.br/webquest/oqueeutenho.htm
Fazendeiros de
cana
Carlos Drummond de
Andrade
Minha terra tem
palmeiras?
Não. Minha terra tem engenhocas de rapadura
e cachaça
e açúcar marrom, tiquinho, para o
gasto.
Canavial se alastra pela serra do
Onça,
vai ao Mutum, ao Sarcundo,
clareia Morro Escuro, Queixadas, Sete
Cachoeiras.
Capitão-do-Mato enverdece de cana
madura,
tem cheiro de parati do Bananal e no
Lava,
no Piçarrão, nas Cobras, no
Toco,
no Alegre, na
Mumbaça.
Tem rolete de cana chamando para
chupar
nas Abóboras, no Quenta-Sol, nas
Botas.
Tem cana caiana e cana
crioula,
cana-pitu, cana rajada,
cana-do-governo
e muitas outras canas de
garapas,
e bagaço para os porcos em assembléia
grunhidora
diante da moenda
movida gravemente pela junta de
bois
de sólida tristeza e
resignação.
As fazendas misturam dor e
consolo
em caldo verde-garrafa
e sessenta mil-reis de imposto
fazendeiro.
INTRODUÇÃO
O mundo está empenhado em encontrar uma
solução duradoura para o seu problema
energético. A preocupação ambiental se somou
à redução dos estoques e à alta dos
preços dos combustíveis fósseis, para
valorizar as fontes renováveis e menos poluentes de
energia.
O setor energético no Brasil vem sofrendo
diversas mudanças, como a tentativa de se retomar projetos
que levem em conta o meio ambiente e o mercado de trabalho.
Tendo-se como referência a Convenção-Quatro das
Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, o
governo brasileiro tem mostrado interesse em manter e reativar o
PROÁLCOOL, dado que o álcool combustível
exerce importante papel na estratégia energética para
um desenvolvimento sustentado.
As perspectivas de elevação do
consumo do álcool se somam a um momento favorável
para o aumento das exportações do
açúcar, e o resultado é o início de uma
onda de crescimento sem precedentes para o setor
sucroalcooleiro.
Historicamente a cana-de-açúcar
é um dos principais produtos agrícolas do Brasil,
sendo cultivada desde a época da colonização.
A sua múltipla utilização é de grande
importância, podendo ser empregada in natura, sob a
forma de forragem, para alimentação animal, ou como
matéria prima para a utilização de rapadura,
melado, aguardente, açúcar e
álcool.
Devido à grandeza dos números do
setor sucroalcooleiro no Brasil, não se pode tratar a
cana-de-açúcar, apenas como mais um produto, mas sim
como o principal tipo de biomassa energética, base para todo
o agronegócio sucroalcooleiro, representado por 350
indústrias de açúcar e álcool e
1.000.000 empregos diretos e indiretos em todo o Brasil.
Aspectos
químicos do álcool
CONDIÇÕES DOS SOLOS PARA O CULTIVO
DA CANA-DE-AÇUCAR
A cana-de-açúcar possui um sistema
radicular (raízes) diferenciado em relação
à exploração das camadas mais profundas do
solo quando comparado com o sistema radicular das demais culturas,
principalmente as anuais.

Secções transversais de
raízes de cana-de-açúcar, povenientes de solo
da camada de 0-20 cm de profundidade. Fonte: Bragantia v.
57 n. 1 Campinas 1998, SciELO.
Por ser uma cultura com ciclo de cinco a sete anos,
o seu sistema radicular se desenvolve em maior profundidade e assim
passa a ter uma estreita relação com pH,
saturação por bases, porcentagem de alumínio e
teores de cálcio nas camadas mais profundas do solo. E estes
fatores, por sua vez, estão correlacionados com a
produtividade alcançada principalmente em solos de baixa
fertilidade e menor capacidade de reter umidade. (...)
A calagem [1] apresentar efeito positivo, mas
também negativo quando provocar desequilíbrio entre
os nutrientes. Normalmente, quando os efeitos da calagem não
são os esperados, verifica-se, quase sempre, haver problemas
ou na dose utilizada ou na forma de distribuição e na
forma e profundidade de incorporação. (...)
A calagem apesar de ser procedimento já consagrado e
conhecido, requer de quem a executa especial atenção,
uma vez que os erros podem ser cumulativos e o problema se
agravará de tal forma que o efeito que deveria ser positivo
passa a ser prejudicial ao desenvolvimento das
plantas.
Luiz Alberto Staut - Pesquisador da Embrapa
Agropecuária Oeste, Dourados-MG
[1] A
prática de calagem do solo objetiva reduzir o índice
de acidez através da aplicação de
calcário, que é composto de CaCO3 e MgCO3. É determinada para
elevar a saturação de
bases da capacidade de troca de cátions do solo a valores
desejados, de acordo com a cada cultura.
A quantidade de calcário a ser usada varia
conforme o índice SMP determinado na análise de solo.
De forma geral, o pH adequado para cevada, por
exemplo, situa-se entre 5,5 e 6,0. A dose de calcário e
o modo de aplicação variam em função do
sistema de manejo de solo.
Um indicativo do aumento da acidez do solo, mas não o
responsável, é o alumínio ( Al ), que
está associado a acidez dos solos tropicais. Em
situações de acidez elevada, o alumínio surge
em solução na forma de cátion Al+3.
Tornando-se desta forma livre na solução do solo e
tóxico para as plantas. Na análise do solo o Al
é aceitável ou tolerável até 0,5.
Uma boa análise de solo pode propiciar boas
condições de solo e melhores lucratividades, e deve
ser realizada de 3 em 3 anos.
Clique aqui e veja o texto
sobre calagem do solo para a
plantação de
soja.
O USO
DE MATURADORES QUÍMICOS*
NA CANA-DE-AÇÚCAR
A cana-de-açúcar
(Saccharum spp.) é cultivada no Brasil desde o século
XVI, expandiu-se em nosso território nas últimas
três décadas do século XX e, por
conseqüência, o país é atualmente o maior
produtor mundial de açúcar e de álcool.
Esta cultura possui a habilidade de utilizar o máximo de luz
solar para a fotossíntese. Cada entrenó produz uma
nova folha em cerca de dez dias, e uma folha mais velha morre,
deixando um número constante de oito a nove folhas por
colmo.

Fonte: www.sugarcanecrops.com/
A gradativa queda de temperatura e
redução das precipitações são
determinantes para a ocorrência do processo de
maturação, dessa forma, na região Sudeste do
Brasil, o processo tem ocorrência natural a partir de
abril/maio, com clímax no mês de setembro. Há
efeito interativo entre luz solar, temperatura e diferentes
variedades de cana-de-açúcar em resposta ao processo
de maturação.
Fonte - APTA Regional
*Maturadores
químicos são produtos químicos que têm a
propriedade de paralisar o desenvolvimento da cana induzindo a
translocação e o armazenamento dos
açúcares. Vêm sendo utilizados como um
instrumento auxiliar no planejamento da colheita e no manejo
varietal. Muitos compostos apresentam, ainda, ação
dessecante, favorecendo a queima e diminuindo, portanto, as
impurezas vegetais. Há uma ação inibidora do
florescimento, em alguns casos, viabilizando a
utilização de variedades com este
comportamento.
Dentre os produtos comerciais utilizados como maturadores, podemos
citar: Ethepon, Polaris, Paraquat, Diquat, Glifosato e Moddus.
Estudos sobre a época de aplicação e dosagens
vêm sendo conduzidos com o objetivo de aperfeiçoar a
metodologia de manejo desses produtos, que podem representar
acréscimos superiores a 10% no teor de sacarose.
Aspectos econômicos em
relação à produção
de cana
O SETOR
SUCROALCOOLEIRO
O
setor açucareiro e de produção do
álcool movimenta 6% do PIB e, segundo
projeções da indústria sucroalcooleira, a
produção deverá crescer 50% até 2010,
tendo em vista as demandas internacionais e o crescimento da
tecnologia flexfuel (motores de combustível
flexíveis). Expandir o ramo pode ser bom para a economia
brasileira, no que diz respeito à poluição
atmosférica, o assunto é polêmico.
Jornal da USP
Qual impacto ambiental existe no cultivo da
cana-de-açúcar?
ETANOL O
MUNDO QUER. O BRASIL TEM
O álcool virou a principal estrela
do mercado energético global -- e nenhuma economia tem tanto
a ganhar quanto a nossa
Portal
exame
Por Alexa Salomão e Marcelo
Onaga
A negociação foi mantida em
absoluto sigilo por seis meses e concluída com
discrição. Na sala de janelas largas de um
prédio comercial em Ribeirão Preto, no interior de
São Paulo, estavam apenas o holandês Auke Vlas,
representante da trading americana Cargill, maior comercializadora
de alimentos do mundo, e o empresário Maurílio Biagi
Filho, um dos mais importantes donos de usinas de álcool e
açúcar do país. O encontro foi rápido
-- Vlas trouxe os documentos já assinados e Biagi preencheu
as poucas linhas que lhe foram reservadas. A partir daquele
momento, o empresário retirou-se da Cevasa, indústria
por ele fundada em 1999, e a Cargill finalmente assumiu o controle
de uma usina no Brasil, após quase dois anos de tentativas.
O detalhe mais revelador do negócio é o fato de a
Cevasa não produzir um único grama de
açúcar, apenas álcool combustível -- o
etanol. Com a aquisição, a Cargill ingressa em um
novo ramo de negócios no Brasil, o de energia. Sua principal
concorrente, a Bunge, também tem feito
prospecções no Brasil e, segundo especialistas, deve
anunciar em breve uma compra semelhante.
O Brasil no
centro da revolução energética
Nos últimos anos, uma forte escalada no preço do
petróleo, principal produto da matriz energética
global, tem levado o mundo a buscar alternativas. O álcool
desponta como a principal promessa.
Considerando apenas as equações I, II
e III abaixo, pode-se afirmar que o álcool etílico
é um combustível renovável não
poluente.
I ___ C 12 H 22 O 11 + ___ H 2 O = ___ C 2 H
6 O + ___ CO 2
(produção do etanol por
fermentação)
II ___ C 12 H 22 O 11 + ___ O 2 = ___ H 2 O +
___ CO 2
(combustão da sacarose, que é o inverso da
fotossíntese)
III ___ C 2 H 6 O + ___ O 2 = ___ CO 2 + ___
H 2 O
(combustão do etanol)
Depois das equações balanceadas
adequadamente, use as equações I, II e III para
chegar à conclusão de que aquela
afirmação sobre o álcool etílico
está correta, demonstrando o seu
raciocínio.
ÁLCOOL E DIREÇÃO NÃO
DEVEM SE MISTURAR
Uma pesquisa,
realizada pela Associação Brasileira de Detrans
(Abdetran) em quatro grandes capitais brasileiras (Brasília,
Curitiba, Salvador e Recife), no ano de 2001, apresentou resultados
preocupantes: 61% das pessoas envolvidas em acidentes de
trânsito tinham ingerido bebida alcoólica. No estudo,
a capital federal Brasília apareceu como a recordista, com
77,4% dos casos.
A pesquisa
também revelou que o jovem é sempre a maior
vítima e que a maioria dos acidentes fatais acontece no
final de semana, principalmente nas noites de
sábado.
As reações provocadas no organismo
pelo consumo de álcool são variadas. O sistema
nervoso é alterado, podendo passar da euforia e excesso de
confiança para a depressão total. Os reflexos,
perigosamente comprometidos, tornam-se lentos, interferindo na
capacidade de avaliar riscos e dirigir com segurança. O
resultado é o risco iminente de acidentes, muitos deles
fatais e colocando em risco a vida de outras pessoas que estejam
utilizando a via, pedestres, outros motoristas e
passageiros.
Fonte: Gazeta
Digital
Para inibir a presença de motorista
embriagados no trânsito, a polícia usa os chamados
bafômetros. O motorista suspeito é obrigado a soprar
através de um tubo ligado ao bafômetro, que
indicará então o seu grau de embriaguez.
O tipo mais simples e antigo de bafômetro
contém um cartucho com K 2 Cr 2 O 7 depositado sobre
partículas de sílica gel umedecidas com H 2 SO 4 . Se
o ar nele soprado contiver álcool, ocorrerá a
seguinte reação:
___CH 3 CH 2 OH + ___K 2 Cr 2 O 7 + ___H 2 SO 4
=
___CH 3 COOH +___Cr 2 (SO 4 ) 3 + ___K 2 SO 4 + ___H 2
O
A maior ou menor alteração da cor do
cartucho – do alaranjado para verde – indicará o
maior ou menor grau de embriaguez do motorista.
Faça o balanceamento da
equação, determinando os menores coeficientes
possíveis.
A
GASOLINA BRASILEIRA
A gasolina é uma mistura de hidrocarbonetos
obtida a partir da destilação de petróleo,
não sendo, portanto, uma substância pura. No Brasil,
antes da comercialização, adiciona-se álcool
anidro à gasolina. A mistura resultante é
homogênea (monofásica).
A mistura água-álcool também
é um sistema homogêneo (monofásico), com
propriedades diferentes daquelas das substâncias que a
compõem (densidade, ponto de fusão, ponto de
ebulição, etc.). Já a mistura
água-gasolina é um sistema heterogêneo,
bifásico. Quando a gasolina (que contém
álcool) é misturada à água, o
álcool é extraído pela água e o sistema
resultante continua sendo bifásico:
gasolina-água/álcool.
O teor porcentual (volume a volume) de
álcool na gasolina, T%, pode ser calculado utilizando-se a
seguinte expressão:
T% = (V álcool / V inicial gasolina )
100%
onde:
V álcool = 10,0 mL - V final
gasolina
Note que na última fórmula, o volume
10,0 mL se refere ao volume inicial da mistura gasolina
álcool (se este volume for alterado, a fórmula tem
que ser modificada de acordo).
Por que se mistura álcool à
gasolina?
Biologia
Custos de
produção do
Álcool
Os custos de produção do
álcool são diretamente ligados à produtividade
da lavoura da cana-de-açúcar e ao rendimento
industrial do processo de produção do etanol. Nas
últimas duas décadas, o desenvolvimento e a
implantação de novas técnicas e tecnologias no
setor sucroalcooleiro foram os grandes responsáveis pela
redução nos seus custos de produção.
(...)
Durante a década de 1980, o etanol,
além de favorecer a redução das
importações de petróleo e derivados, foi
também um importante produto da pauta de
exportações brasileiras. Todavia, a partir de 1989,
houve um período de importações
líquidas de etanol, em decorrência da crise interna de
abastecimento. Nos últimos anos, o balanço voltou a
ser de exportações líquidas e há clara
tendência de que o Brasil deverá ser um significativo
exportador desse produto, devido às vantagens comparativas
da produção no país e à
adoção de programas de uso do álcool
combustível em diversos países como estratégia
de melhoria ambiental. (...)
Fonte: Portal do biodiesel
1- Identifique três fatores que
influenciaram na melhoria da produtividade da
cana-de-açúcar.
2- De que maneira a biologia molecular
agiliza o processo industrial de fermentação do caldo
da cana-de-açúcar?
3- Justifique a afirmação:
“O mapa genético (genoma) funcional da cana permite a
formação de novas variedades de
cana-de-açúcar, mais produtivas e menos
suscetíveis à seca e a
doença”.
4- Os países industrializados,
conforme o Protocolo de Kyoto, terão de reduzir as
emissões de gases de efeito estufa em 5,2% com
relação aos valores de 1990 até 2012. De que
maneira as usinas de álcool e açúcar
contribuem para a redução dessas emissões de
gases?
5- Enumere as vantagens do etanol sobre os
derivados do petróleo, do ponto de vista
biológico.
História
Açúcar e escravos
A implantação de um negócio
lucrativo
Para garantir a posse da terra, protegendo-a de
ameaças estrangeiras, Portugal decide colonizar o Brasil.
Mas, para isso, seria preciso desenvolver uma atividade
econômica lucrativa que compensasse o
empreendimento.
A solução encontrada pelo governo
português foi implantar a produção
açucareira em certos trechos do litoral, uma vez que o
açúcar era um produto amplamente consumido na Europa.
Por meio da cultura da cana, seria possível organizar o
cultivo permanente do solo, iniciando o povoamento
sistemático da colônia.
Além de experiência produtiva e de
capitais, a produção açucareira necessitava de
mão-de-obra para os engenhos.
Na etapa inicial da empresa açucareira, o
colonizador utilizou-se do trabalho escravo indígena,
considerando que havia encontrado solução
relativamente barata e suficiente para atender a necessidade de
mão-de-obra.
Entretanto, a partir do início do
século XVII, ocorreu uma grande redução da
população indígena em conseqüência
das guerras dos colonos contra os índios e das sucessivas
epidemias que os vitimavam. Isso, aliado a outros fatores, fez o
colono português buscar formas alternativas de
trabalho.
Utilizando uma experiência já havida
no Portugal metropolitano e nas ilhas atlânticas, optou-se
pela escravidão africana, originando um lucrativo
tráfico de escravos entre as costas da África, a
Bahia, Pernambuco e o Rio de Janeiro.
(retirado e adaptado de: Cotrim, Gilberto.
História Global: Brasil e
Geral-volume único-6. ed. reform. –
São Paulo: Saraiva, 2002.)
A ADMINISTRAÇÃO DE UM
ENGENHO
Os senhores de engenho nem sempre administravam
diretamente suas propriedades, por vezes transferindo essa tarefa a
um feitor-mor (administrador-geral).
No documento reproduzido a seguir, de 1663, o
senhor de engenho João Fernandes Vieira (proprietário
de vários engenhos em Pernambuco e em outras capitanias do
nordeste) determina as obrigações do feitor-mor,
encarregado de administrar o “Engenho do
Meio”.
Regimento que há de guardar o
Feitor-mor de engenho para fazer bem sua obrigação e
desencarregar bem sua consciência e, pelo contrário,
dará conta a Deus e ficará obrigado a
restituição ao dono da fazenda.
Confessar os negros :
será obrigado todos os anos a mandar confessar toda a gente
que estiver a seu cargo e todos os domingos e dias santos manda-los
e fazer-lhes ouvir Missa, e as crianças que nascerem
manda-las batizar a seu tempo; e necessitando algum escravo doente
de confessor mandar-lho chamar e todos os sábados e de noite
lhes mandar a ensinar as orações.
(...)
Castigar
os negros : o castigo que se fizer ao escravo não
há de ser com pau nem tirar-lhe com pedras nem tijolos e
quando o merecer o mandará botar sobre um carro e
dar-se-lhe-á com um açoite seu castigo; e, depois de
bem açoitado, o mandará picar com navalha ou faca que
corte bem e dar-se-lhe-á com sal, sumo de limão e
urina e o meterá alguns dias na corrente.
(...)
Contar
os negros : os negros serão contados todos os dias,
e o que faltar se procurará logo por todas as
vias.
Cuidado
com a boiada : com os bois da fazenda haverá com
eles grande cuidado em os mandar pastar pelos melhores pastores e
se contarão todos os dias e o que faltar mandará logo
procurar; do mesmo modo, serão curados de todas as feridas e
bicheiras que tiverem (...).
Visitar
as matas : terá obrigação de visitar
as matas da fazenda e defende-las e ir a elas e saber por onde
estão os marcos e não consentir que ninguém
tire nada delas sem licença e, pra o saber, mandará
vigiar todas as semanas pelo feitor ou por negro de cuidado.
(...)
Cuidado
com as casas : terá grande cuidado em todas as
casas da fazenda para as mandar consertar e retalhar, e o mesmo
fará às senzalas dos negros e fará que os
lavradores façam o mesmo nas que têm a seu
cargo.
Justificar a morte dos negros e
bois : todo escravo que morrer justificará
sua morte com gente da fazenda e de que morreu, e o mesmo
será com os bois, para que de tudo haja clareza, e as
crianças que nascerem fará assento
delas.
João Fernandes Vieira. Regimento de
feitor-mor de engenho (1663). In: Ivan Alves Filho. Brasil, 500
anos em documentos .
Rio de Janeiro, Mauad, 1999. p. 78-80.
1- Compare a situação dos escravos
africanos, descrita acima, e as relações entre
patrões e empregados na atualidade. Que diferenças
podem ser apontadas?
NEGOCIAÇÃO E
CONFLITO
Apresentamos, a seguir, trechos de um tratado
proposto por um grupo de escravos rebeldes a um senhor de engenho
de Santana de Ilhéus, Bahia.
Tratado proposto a Manuel da Silva
Ferreira pelos seus escravos durante o tempo em que se conservaram
levantados (c. 1789)
Meu senhor, nós queremos paz e
não queremos guerra; se meu senhor também quiser
nossa paz há de ser nessa conformidade, se quiser estar pelo
que nós quisermos, a saber:
Em cada semana nos há de dar os
dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para
nós não tirando um destes dias por causa de dia
santo.
Para podermos viver nos há de dar
rede, tarrafas e canoas. (...)
Os atuais feitores não os queremos,
faça eleição de outros com a nossa
aprovação. (...)
Poderemos plantar nosso arroz onde
quisermos, e em qualquer brejo, sem que para isso peçamos
licença, e poderemos cada um tirar jacarandás ou
qualquer pau sem darmos parte para isso.
A estar por todos os artigos acima, e
conceder-nos estar sempre de posse da ferramenta, estamos prontos
para o servimos como dantes, porque não queremos seguir maus
costumes dos mais engenhos.
Poderemos brincar, folgar, e cantar em
todos os tempos que quisermos sem que nos impeça e nem seja
preciso licença.
Tarrafa - tipo de rede de
pesca.
João José Reis e Eduardo Silva.
Negociação e conflito . Op. Cit. P.
123-124.
2- Com relação ao documento,
identifique:
• a) quem o elaborou;
• b) quando foi elaborado;
• c) a quem se destina.
3- Quais
são as principais reivindicações dos escravos
rebelados?
ENGENHO
Condições materiais e
cotidiano dos escravos
Os escravos foram o elemento crucial na
manufatura do açúcar. Suas condições de
vida e trabalho são fundamentais para explicar a natureza da
sociedade que se originou da economia
açucareira.
No século XVII, muitos senhores de
engenho aparentemente aceitavam a teoria da
administração da escravaria mencionada por Antonil,
segundo a qual os cativos necessitavam de três
P , a saber: p au,
p ão e p
ano.
Castigos
Observadores estrangeiros, como John
Nieuhoff, que visitou o Brasil no século XVII, falavam
invariavelmente da brutalidade do regime escravista e informavam
que os escravos brasileiros eram mal-alimentados, mal-abrigados e
malvestidos.
Ocasionalmente, senhores eram presos
quando seus crimes contra os cativos tornavam-se públicos.
Franscisco Jorge foi detido por açoitar até a morte
um escravo, mas seu apelo em 1678, dizendo que era um homem pobre
com mulher e filhos e que a história era
invenção de seus inimigos, conseguiu-lhe o
perdão da Relação
.
Caso semelhante ocorreu em 1737, quando
Pedro Pais Machado, proprietário do Engenho Capanema, foi
preso por matar dois escravos e um homem livre, um deles pendurado
pelos testículos na moenda até a
morte.
Pais Machado foi libertado após uma
investigação judicial que atestou, entre outras
coisas, que o réu era pessoa nobre, com
obrigações de família. Nesse caso, os escravos
eram de outro proprietário, mas Pais Machado aparentemente
não relutara em puni-los com a morte pelo crime de haverem
ferido um boi.
Relação –
Tribunal de Justiça da Bahia.
Senzalas
O conforto material dos escravos de engenho era
mínimo. As senzalas geralmente consistiam de cabanas
separadas, de paredes de barro e telhado de sapé, ou, mais
caracteristicamente, de construções enfileiradas
divididas em compartimentos, cada um ocupado por uma família
ou unidade residencial.
Vestuário
A vestimenta fornecida aos cativos era
exígua. Observadores do século XVII muitas vezes
descreveram os escravos como andando “nus” e
constantemente expostos às oscilações do
clima. Os homens normalmente usavam ceroulas que lhes cobriam
até abaixo do joelho, andavam sem camisa e envolviam a testa
com um lenço ou uma faixa. As mulheres tinham trajes mais
completos, com sais, anágua, blusa e corpete, mas tal
vestuário pode Ter sido usado apenas na hora da venda das
cativas e não no trabalho do campo. Em geral dava-se aos
escravos o “pano da serra”, um tecido grosseiro de fio
cru.
Por volta do
século XIX, os comentários e gravuras feitos por
viajantes no Brasil deixavam claro que o vestuário dos
escravos refletia as diferenças de ocupações e
a hierarquia interna da senzala. Os que trabalhavam no campo eram
em geral mais malvestidos que os servidores domésticos e os
artesãos.
Alimentação
Os escravos comiam tudo o que lhes caísse
nas mãos. Além de sua cota de comida, os escravos
adulavam, mendigavam e roubavam por mais alimento.(...)
O Manual do fazendeiro, publicado por João
Imbert em 1832, dá-nos uma idéia da
ração de um escravo trabalhador dos campos. Esse
autor demonstrava especial orgulho pela alimentação
que fornecia a seus cativos e, portanto, podemos supor que ela
fosse melhor que a da maioria. Os escravos de Imbert recebiam
pão e um copo de cachaça ao saírem para o
campo. Às nove da manhã, paravam para uma
refeição composta de arroz, toucinho e
café.
O jantar era comido no campo, e consistia de
carne-seca e legumes, embora ocasionalmente houvesse carne fresca.
Ao anoitecer, comia-se uma ceia de legumes cozidos, farinha de
mandioca e frutas. (...)
Stuart Schwartz. Segredos internos-Engenhos e
escravos na sociedade colonial,
1550-1835. Op. Cit. P. 122-127-adaptado.
4- Qual o papel do escravo africano na vida
colonial?
Inglês

-
Point out some good reasons to believe in a
favourable prospects for cane sugar producing countries such as
Brazil.
-
Explain the havesting and what is the
environmental effects.
-
Why is Brazil so important in the process of
renewable energy?
-
What can be done to the fibre from crushing the
sugar cane?
Geografia
O Programa Brasileiro do Álcool, o
Proálcool, é um exemplo de como uma
intervenção do governo pode produzir importante
mudança no uso de energia de um país sem afetar o
mercado. Subsidiando a produção de cana e
determinando uma porcentagem de mistura obrigatória de
álcool na gasolina, o governo federal conseguiu transformar
o país num caso de sucesso de combustível
alternativo, que o governo começou a tentar replicar com o
chamado biodiesel – óleos vegetais
combustíveis, como o de soja e o de mamona.
Claro, o impacto ambiental e social do
Proálcool não pode ser desprezado. Para que o
“milagre” do etanol acontecesse, o governo acabou
estimulando a devastação da mata atlântica,
hoje um dos biomas mais ameaçados do mundo. E as
condições de trabalho dos bóias-frias nas
usinas de São Paulo e do Nordeste não sofreram
melhora significativa. Lições que o resto do mundo
precisa aprender antes de mergulhar de cabeça nos
biocombustíveis.
Ciências- Dilemas e desafios- Cláudio
Ângelo.

1. O que foi o Programa Nacional do Álcool
(Proálcool)?
2. Discuta como o contexto político
internacional, na década de 70, influenciou na
implantação do Programa Nacional do Álcool
(Proálcool) no Brasil.
3. Como o governo brasileiro administrou e
estruturou o Proálcool no que se refere à sua
produção e consumo?
4. Quais as implicações da
implantação do Proálcool na questão
agrária brasileira?
O Engenho Colonial
|
Texto do site:
www.multirio.rj.gov.br/
O engenho,
a grande propriedade produtora de açucar, era
constituído, basicamente, por dois grandes setores: o
agrícola — formado pelos canaviais —, e o
de beneficiamento — a casa-do-engenho, onde a
cana-de-açúcar era transformada em
açúcar e aguardente.

No engenho havia
várias construções:
Esta
última abrigava todas as instalações
destinadas ao preparo do açúcar:
-
-
a moenda - onde
se moía a cana para a extração do caldo (a
garapa);
-
as fornalhas -
onde o caldo de cana era fervido e purificado em tachos de
cobre;
-
a casa de
purgar - onde o açúcar era branqueado, separando-se o
açúcar mascavo (escuro) do açúcar de
melhor qualidade e depois posto para secar.
Quando toda essa
operação terminava, o produto era pesado e separado
conforme a qualidade, e colocado em caixas de até 50
arrobas. Só então era exportado para a Europa. Muitos
engenhos possuíam também destilarias para produzir a
aguardente (cachaça), utilizada como escambo no
tráfico de negros da África.
Canaviais,
pastagens e lavoura de subsistância formavam as terras do
engenho. Na lavoura destacava-se o cultivo da mandioca, do milho,
do arroz e do feijão. Tais produtos eram cultivados para
servir de alimento. Mas sua produção insuficiente
não atendia às necessidades da
população do engenho. Isto porque os senhores
não se interessavam pelo cultivo. Consideravam os produtos
de baixa lucratividade e prejudiciais ao espaço da lavoura
açucareira, centro dos
interesses da colonização. As demais atividades eram deixadas num segundo plano,
ocasionando grande falta de alimentos e alta dos preços.
Esse problema não atingia os senhores, que importavam os
produtos da Europa para sua alimentação.

A parte das
terras do engenho destinada ao cultivo da cana — o
canavial — era dividida em partidos, explorados ou
não pelo proprietário. As terras não
exploradas pelo senhor do engenho eram cedidas aos lavradores,
obrigados a moer sua cana no engenho do proprietário,
entregando-lhe a metade de sua produção, além
de pagar o aluguel da terra usada (10% da
produção).
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