MEIO AMBIENTE

ETANOL: Sobre a visita de Bush à São Paulo em março de 2007  (MEIO AMBIENTE) escrito em quarta 07 novembro 2007 13:30

 Fotografia: Sebatião Salgado, Projeto Terra. Trabalhadores rurais brasileiros.

 

Que o álcool não

nos embriague

Mauro Celso Destácio

extraído de: http://www.eca.usp.br/njr/proscientiae/numero71.htm  

                               

A concentração de esforços na produção do etanol
não pode resultar na devastação de matas nativas,
em prol da cultura da cana-de-açúcar, nem
em danos aos trabalhadores nos canaviais.

                           

George W. Bush protagonizou estrondoso espetáculo para a mídia ao visitar o Brasil, mais especificamente São Paulo, nos dias 08 e 09 deste mês de março [2007]. Como coadjuvante, Luiz Inácio Lula da Silva. O roteiro da película, ou melhor, o tema da visita se restringiu basicamente às negociações a respeito da produção e exportação do etanol, o nosso tão conhecido álcool combustível.

É verdade que o Brasil pode ganhar muito com isso. Além de ter tecnologia avançada no ramo da produção de biocombustíveis, dispõe de terrenos férteis e extensos para a produção de cana-de-açúcar e outras possíveis fontes para a fabricação do etanol, bem como de outras matrizes de energia limpa, entre as quais o biodiesel. Entretanto, não podemos nos embriagar com o entusiasmo inicial provocado pelas atuais conversações e suas decorrentes parcerias, especialmente com os Estados Unidos – que, a pretexto do alerta sobre o aquecimento global, busca alternativas para o petróleo, sobretudo se vindo de países hoje hostis aos norte-americanos, como a Venezuela de Hugo Chávez.

Em primeiro lugar é preciso promover desenvolvimento contínuo da tecnologia para produção do etanol e outros biocombustíveis. A cana-de-açúcar é hoje a melhor fonte, mas já é possível — e esse processo está sendo ampliado em outros países — fabricá-lo a partir da celulose e do milho. O Brasil não pode sentar nos louros de seu estágio atual e ficar atrás no aprimoramento desse tipo de tecnologia — e quem lida com pesquisa aqui sabe quão difícil é, na maioria das vezes, ter condições de fazer boa ciência. Se há hoje a possibilidade de lucrar com o álcool combustível da cana, os dividendos poderão ser ainda maiores se o país se empenhar em fazer etanol também a partir de outras plantas igualmente muito presentes em território brasileiro.

                             

                                                  

A atenção tem de estar focada também nas possíveis conseqüências ambientais e sociais da concentração de esforços pelos ganhos econômicos com o etanol. Ela não pode resultar em maior devastação das matas nativas, em prol do aumento da cultura de cana-de-açúcar, bem como acarretar a diminuição exagerada do espaço para outras culturas, essenciais para o consumo dos brasileiros ou para a saúde e diversidade de nosso quadro de exportações. É igualmente necessário cuidar das condições de trabalho daqueles que estão na base do processo de produção, sobretudo os cortadores de cana, que enfrentam extensas horas de trabalho diário em condições altamente insalubres.

Observadas essas premissas, cabe ao Brasil não se enrodilhar numa política submissa aos interesses externos, notadamente dos Estados Unidos, tal qual ocorre à grande maioria dos países exportadores de petróleo – a Venezuela é hoje uma exceção, mas do oito decidiu-se pelo oitenta, com os exageros do regime chavista. O que se viu em São Paulo, durante a estada de Bush, simboliza o que não pode acontecer: a cidade parou, a população se irritou, tudo por causa de um único homem, senhor das ruas e da mídia naqueles instantes. Ao contrário, precisamos fazer dos biocombustíveis um motivo para uma política soberana de desenvolvimento sustentável, permanente e efetivo, propiciando um real progresso aos brasileiros e quem sabe até a outros países ainda mais carentes, baseado em relações externas mais saudáveis, seja com os mais ricos ou com os mais pobres.

Leia mais sobre etanol em:

O QUE É O ETANOL

O ETANOL BRASILEIRO, UGO CHÁVEZ E A POLÍTICA ENERGÉTICA DOS EUA

A CANA-DE-AÇÚCAR: Importante setor da economia brasileira

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ETANOL: uma questão multidisciplinar  (MEIO AMBIENTE) escrito em quarta 07 novembro 2007 13:55

Em homenagem ao bonito trabalho dos professores do ensino médio do Colégio João XXIIII

 

Segue fragmentos de: http://www.coljxxiii.com.br/webquest/oqueeutenho.htm

 

Fazendeiros de cana

Carlos Drummond de Andrade

 

Minha terra tem palmeiras?

Não. Minha terra tem engenhocas de rapadura e cachaça

e açúcar marrom, tiquinho, para o gasto.

Canavial se alastra pela serra do Onça,

vai ao Mutum, ao Sarcundo,

clareia Morro Escuro, Queixadas, Sete Cachoeiras.

Capitão-do-Mato enverdece de cana madura,

tem cheiro de parati do Bananal e no Lava,

no Piçarrão, nas Cobras, no Toco,

no Alegre, na Mumbaça.

Tem rolete de cana chamando para chupar

nas Abóboras, no Quenta-Sol, nas Botas.

Tem cana caiana e cana crioula,

cana-pitu, cana rajada, cana-do-governo

e muitas outras canas de garapas,

e bagaço para os porcos em assembléia grunhidora

diante da moenda

movida gravemente pela junta de bois

de sólida tristeza e resignação.

As fazendas misturam dor e consolo

em caldo verde-garrafa

e sessenta mil-reis de imposto fazendeiro.






INTRODUÇÃO

O mundo está empenhado em encontrar uma solução duradoura para o seu problema energético. A preocupação ambiental se somou à redução dos estoques e à alta dos preços dos combustíveis fósseis, para valorizar as fontes renováveis e menos poluentes de energia.

O setor energético no Brasil vem sofrendo diversas mudanças, como a tentativa de se retomar projetos que levem em conta o meio ambiente e o mercado de trabalho. Tendo-se como referência a Convenção-Quatro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, o governo brasileiro tem mostrado interesse em manter e reativar o PROÁLCOOL, dado que o álcool combustível exerce importante papel na estratégia energética para um desenvolvimento sustentado.

As perspectivas de elevação do consumo do álcool se somam a um momento favorável para o aumento das exportações do açúcar, e o resultado é o início de uma onda de crescimento sem precedentes para o setor sucroalcooleiro.

Historicamente a cana-de-açúcar é um dos principais produtos agrícolas do Brasil, sendo cultivada desde a época da colonização. A sua múltipla utilização é de grande importância, podendo ser empregada in natura, sob a forma de forragem, para alimentação animal, ou como matéria prima para a utilização de rapadura, melado, aguardente, açúcar e álcool.

Devido à grandeza dos números do setor sucroalcooleiro no Brasil, não se pode tratar a cana-de-açúcar, apenas como mais um produto, mas sim como o principal tipo de biomassa energética, base para todo o agronegócio sucroalcooleiro, representado por 350 indústrias de açúcar e álcool e 1.000.000 empregos diretos e indiretos em todo o Brasil.

 

Aspectos químicos do álcool


 

CONDIÇÕES DOS SOLOS PARA O CULTIVO
DA CANA-DE-AÇUCAR

 

A cana-de-açúcar possui um sistema radicular (raízes) diferenciado em relação à exploração das camadas mais profundas do solo quando comparado com o sistema radicular das demais culturas, principalmente as anuais.

 

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Secções transversais de raízes de cana-de-açúcar, povenientes de solo da camada de 0-20 cm de profundidade. Fonte: Bragantia v. 57 n. 1 Campinas  1998, SciELO. 

Por ser uma cultura com ciclo de cinco a sete anos, o seu sistema radicular se desenvolve em maior profundidade e assim passa a ter uma estreita relação com pH, saturação por bases, porcentagem de alumínio e teores de cálcio nas camadas mais profundas do solo. E estes fatores, por sua vez, estão correlacionados com a produtividade alcançada principalmente em solos de baixa fertilidade e menor capacidade de reter umidade. (...)

A calagem [1] apresentar efeito positivo, mas também negativo quando provocar desequilíbrio entre os nutrientes. Normalmente, quando os efeitos da calagem não são os esperados, verifica-se, quase sempre, haver problemas ou na dose utilizada ou na forma de distribuição e na forma e profundidade de incorporação. (...)
A calagem apesar de ser procedimento já consagrado e conhecido, requer de quem a executa especial atenção, uma vez que os erros podem ser cumulativos e o problema se agravará de tal forma que o efeito que deveria ser positivo passa a ser prejudicial ao desenvolvimento das plantas.


Luiz Alberto Staut - Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados-MG

 

[1] A prática de calagem do solo objetiva reduzir o índice de acidez através da aplicação de calcário, que é composto de CaCO3 e MgCO3. É determinada para elevar a saturação de bases da capacidade de troca de cátions do solo a valores desejados, de acordo com a cada cultura.

A quantidade de calcário a ser usada varia conforme o índice SMP determinado na análise de solo. De forma geral, o pH adequado para cevada, por exemplo, situa-se entre 5,5 e 6,0. A dose de calcário e o modo de aplicação variam em função do sistema de manejo de solo.
Um indicativo do aumento da acidez do solo, mas não o responsável, é o alumínio ( Al ), que está associado a acidez dos solos tropicais. Em situações de acidez elevada, o alumínio surge em solução na forma de cátion Al+3. Tornando-se desta forma livre na solução do solo e tóxico para as plantas. Na análise do solo o Al é aceitável ou
tolerável até 0,5.
Uma boa análise de solo pode propiciar boas condições de solo e melhores lucratividades, e deve ser realizada de 3 em 3 anos.

Clique aqui e veja o texto sobre calagem do solo para a plantação de soja.

                                            

O USO DE MATURADORES QUÍMICOS*
NA CANA-DE-AÇÚCAR



A cana-de-açúcar (Saccharum spp.) é cultivada no Brasil desde o século XVI, expandiu-se em nosso território nas últimas três décadas do século XX e, por conseqüência, o país é atualmente o maior produtor mundial de açúcar e de álcool.
Esta cultura possui a habilidade de utilizar o máximo de luz solar para a fotossíntese. Cada entrenó produz uma nova folha em cerca de dez dias, e uma folha mais velha morre, deixando um número constante de oito a nove folhas por colmo.

Fonte: www.sugarcanecrops.com/


A gradativa queda de temperatura e redução das precipitações são determinantes para a ocorrência do processo de maturação, dessa forma, na região Sudeste do Brasil, o processo tem ocorrência natural a partir de abril/maio, com clímax no mês de setembro. Há efeito interativo entre luz solar, temperatura e diferentes variedades de cana-de-açúcar em resposta ao processo de maturação.

Fonte - APTA Regional

 

*Maturadores químicos são produtos químicos que têm a propriedade de paralisar o desenvolvimento da cana induzindo a translocação e o armazenamento dos açúcares. Vêm sendo utilizados como um instrumento auxiliar no planejamento da colheita e no manejo varietal. Muitos compostos apresentam, ainda, ação dessecante, favorecendo a queima e diminuindo, portanto, as impurezas vegetais. Há uma ação inibidora do florescimento, em alguns casos, viabilizando a utilização de variedades com este comportamento.
Dentre os produtos comerciais utilizados como maturadores, podemos citar: Ethepon, Polaris, Paraquat, Diquat, Glifosato e Moddus. Estudos sobre a época de aplicação e dosagens vêm sendo conduzidos com o objetivo de aperfeiçoar a metodologia de manejo desses produtos, que podem representar acréscimos superiores a 10% no teor de sacarose.

 

Aspectos econômicos em relação à produção de cana


          

O SETOR SUCROALCOOLEIRO

                  
O setor açucareiro e de produção do álcool movimenta 6% do PIB e, segundo projeções da indústria sucroalcooleira, a produção deverá crescer 50% até 2010, tendo em vista as demandas internacionais e o crescimento da tecnologia flexfuel (motores de combustível flexíveis). Expandir o ramo pode ser bom para a economia brasileira, no que diz respeito à poluição atmosférica, o assunto é polêmico.

Jornal da USP

 

Qual impacto ambiental existe no cultivo da cana-de-açúcar?

 

ETANOL O MUNDO QUER. O BRASIL TEM

         

O álcool virou a principal estrela do mercado energético global -- e nenhuma economia tem tanto a ganhar quanto a nossa

Portal exame

Por Alexa Salomão e Marcelo Onaga

  A negociação foi mantida em absoluto sigilo por seis meses e concluída com discrição. Na sala de janelas largas de um prédio comercial em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, estavam apenas o holandês Auke Vlas, representante da trading americana Cargill, maior comercializadora de alimentos do mundo, e o empresário Maurílio Biagi Filho, um dos mais importantes donos de usinas de álcool e açúcar do país. O encontro foi rápido -- Vlas trouxe os documentos já assinados e Biagi preencheu as poucas linhas que lhe foram reservadas. A partir daquele momento, o empresário retirou-se da Cevasa, indústria por ele fundada em 1999, e a Cargill finalmente assumiu o controle de uma usina no Brasil, após quase dois anos de tentativas. O detalhe mais revelador do negócio é o fato de a Cevasa não produzir um único grama de açúcar, apenas álcool combustível -- o etanol. Com a aquisição, a Cargill ingressa em um novo ramo de negócios no Brasil, o de energia. Sua principal concorrente, a Bunge, também tem feito prospecções no Brasil e, segundo especialistas, deve anunciar em breve uma compra semelhante.

O Brasil no centro da revolução energética
Nos últimos anos, uma forte escalada no preço do petróleo, principal produto da matriz energética global, tem levado o mundo a buscar alternativas. O álcool desponta como a principal promessa.

Considerando apenas as equações I, II e III abaixo, pode-se afirmar que o álcool etílico é um combustível renovável não poluente.

I  ___ C 12 H 22 O 11 + ___ H 2 O = ___ C 2 H 6 O + ___ CO 2
(produção do etanol por fermentação)

II  ___ C 12 H 22 O 11 + ___ O 2 = ___ H 2 O + ___ CO 2
(combustão da sacarose, que é o inverso da fotossíntese)

III  ___ C 2 H 6 O + ___ O 2 = ___ CO 2 + ___ H 2 O
(combustão do etanol)

Depois das equações balanceadas adequadamente, use as equações I, II e III para chegar à conclusão de que aquela afirmação sobre o álcool etílico está correta, demonstrando o seu raciocínio.

                  

ÁLCOOL E DIREÇÃO NÃO DEVEM SE MISTURAR

                         

Uma pesquisa, realizada pela Associação Brasileira de Detrans (Abdetran) em quatro grandes capitais brasileiras (Brasília, Curitiba, Salvador e Recife), no ano de 2001, apresentou resultados preocupantes: 61% das pessoas envolvidas em acidentes de trânsito tinham ingerido bebida alcoólica. No estudo, a capital federal Brasília apareceu como a recordista, com 77,4% dos casos.

A pesquisa também revelou que o jovem é sempre a maior vítima e que a maioria dos acidentes fatais acontece no final de semana, principalmente nas noites de sábado.

As reações provocadas no organismo pelo consumo de álcool são variadas. O sistema nervoso é alterado, podendo passar da euforia e excesso de confiança para a depressão total. Os reflexos, perigosamente comprometidos, tornam-se lentos, interferindo na capacidade de avaliar riscos e dirigir com segurança. O resultado é o risco iminente de acidentes, muitos deles fatais e colocando em risco a vida de outras pessoas que estejam utilizando a via, pedestres, outros motoristas e passageiros.

Fonte: Gazeta Digital

Para inibir a presença de motorista embriagados no trânsito, a polícia usa os chamados bafômetros. O motorista suspeito é obrigado a soprar através de um tubo ligado ao bafômetro, que indicará então o seu grau de embriaguez.

O tipo mais simples e antigo de bafômetro contém um cartucho com K 2 Cr 2 O 7 depositado sobre partículas de sílica gel umedecidas com H 2 SO 4 . Se o ar nele soprado contiver álcool, ocorrerá a seguinte reação:

___CH 3 CH 2 OH + ___K 2 Cr 2 O 7 + ___H 2 SO 4 =

 

Álcool Alaranjado



___CH 3 COOH +___Cr 2 (SO 4 ) 3 + ___K 2 SO 4 + ___H 2 O

 

Ácido Verde


 

A maior ou menor alteração da cor do cartucho – do alaranjado para verde – indicará o maior ou menor grau de embriaguez do motorista.

Faça o balanceamento da equação, determinando os menores coeficientes possíveis.

 

A GASOLINA BRASILEIRA

 

A gasolina é uma mistura de hidrocarbonetos obtida a partir da destilação de petróleo, não sendo, portanto, uma substância pura. No Brasil, antes da comercialização, adiciona-se álcool anidro à gasolina. A mistura resultante é homogênea (monofásica).

A mistura água-álcool também é um sistema homogêneo (monofásico), com propriedades diferentes daquelas das substâncias que a compõem (densidade, ponto de fusão, ponto de ebulição, etc.). Já a mistura água-gasolina é um sistema heterogêneo, bifásico. Quando a gasolina (que contém álcool) é misturada à água, o álcool é extraído pela água e o sistema resultante continua sendo bifásico: gasolina-água/álcool.

O teor porcentual (volume a volume) de álcool na gasolina, T%, pode ser calculado utilizando-se a seguinte expressão:

T% = (V álcool / V inicial gasolina ) 100%

onde:

V álcool = 10,0 mL - V final gasolina

Note que na última fórmula, o volume 10,0 mL se refere ao volume inicial da mistura gasolina álcool (se este volume for alterado, a fórmula tem que ser modificada de acordo).

Por que se mistura álcool à gasolina?

Biologia

Custos de produção do Álcool

Os custos de produção do álcool são diretamente ligados à produtividade da lavoura da cana-de-açúcar e ao rendimento industrial do processo de produção do etanol. Nas últimas duas décadas, o desenvolvimento e a implantação de novas técnicas e tecnologias no setor sucroalcooleiro foram os grandes responsáveis pela redução nos seus custos de produção. (...)

Durante a década de 1980, o etanol, além de favorecer a redução das importações de petróleo e derivados, foi também um importante produto da pauta de exportações brasileiras. Todavia, a partir de 1989, houve um período de importações líquidas de etanol, em decorrência da crise interna de abastecimento. Nos últimos anos, o balanço voltou a ser de exportações líquidas e há clara tendência de que o Brasil deverá ser um significativo exportador desse produto, devido às vantagens comparativas da produção no país e à adoção de programas de uso do álcool combustível em diversos países como estratégia de melhoria ambiental. (...)

Fonte: Portal do biodiesel

1-  Identifique três fatores que influenciaram na melhoria da produtividade da cana-de-açúcar.

2-  De que maneira a biologia molecular agiliza o processo industrial de fermentação do caldo da cana-de-açúcar?

3-  Justifique a afirmação: “O mapa genético (genoma) funcional da cana permite a formação de novas variedades de cana-de-açúcar, mais produtivas e menos suscetíveis à seca e a doença”.

4-  Os países industrializados, conforme o Protocolo de Kyoto, terão de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 5,2% com relação aos valores de 1990 até 2012. De que maneira as usinas de álcool e açúcar contribuem para a redução dessas emissões de gases?

5-  Enumere as vantagens do etanol sobre os derivados do petróleo, do ponto de vista biológico.

História

Açúcar e escravos

A implantação de um negócio lucrativo

Para garantir a posse da terra, protegendo-a de ameaças estrangeiras, Portugal decide colonizar o Brasil. Mas, para isso, seria preciso desenvolver uma atividade econômica lucrativa que compensasse o empreendimento.

A solução encontrada pelo governo português foi implantar a produção açucareira em certos trechos do litoral, uma vez que o açúcar era um produto amplamente consumido na Europa. Por meio da cultura da cana, seria possível organizar o cultivo permanente do solo, iniciando o povoamento sistemático da colônia.

Além de experiência produtiva e de capitais, a produção açucareira necessitava de mão-de-obra para os engenhos.

Na etapa inicial da empresa açucareira, o colonizador utilizou-se do trabalho escravo indígena, considerando que havia encontrado solução relativamente barata e suficiente para atender a necessidade de mão-de-obra.

Entretanto, a partir do início do século XVII, ocorreu uma grande redução da população indígena em conseqüência das guerras dos colonos contra os índios e das sucessivas epidemias que os vitimavam. Isso, aliado a outros fatores, fez o colono português buscar formas alternativas de trabalho.

Utilizando uma experiência já havida no Portugal metropolitano e nas ilhas atlânticas, optou-se pela escravidão africana, originando um lucrativo tráfico de escravos entre as costas da África, a Bahia, Pernambuco e o Rio de Janeiro.

(retirado e adaptado de: Cotrim, Gilberto. História Global: Brasil e

Geral-volume único-6. ed. reform. – São Paulo: Saraiva, 2002.)

                  

A ADMINISTRAÇÃO DE UM ENGENHO

                          

Os senhores de engenho nem sempre administravam diretamente suas propriedades, por vezes transferindo essa tarefa a um feitor-mor (administrador-geral).

No documento reproduzido a seguir, de 1663, o senhor de engenho João Fernandes Vieira (proprietário de vários engenhos em Pernambuco e em outras capitanias do nordeste) determina as obrigações do feitor-mor, encarregado de administrar o “Engenho do Meio”.

 

Regimento que há de guardar o Feitor-mor de engenho para fazer bem sua obrigação e desencarregar bem sua consciência e, pelo contrário, dará conta a Deus e ficará obrigado a restituição ao dono da fazenda.

Confessar os negros : será obrigado todos os anos a mandar confessar toda a gente que estiver a seu cargo e todos os domingos e dias santos manda-los e fazer-lhes ouvir Missa, e as crianças que nascerem manda-las batizar a seu tempo; e necessitando algum escravo doente de confessor mandar-lho chamar e todos os sábados e de noite lhes mandar a ensinar as orações. (...)

Castigar os negros : o castigo que se fizer ao escravo não há de ser com pau nem tirar-lhe com pedras nem tijolos e quando o merecer o mandará botar sobre um carro e dar-se-lhe-á com um açoite seu castigo; e, depois de bem açoitado, o mandará picar com navalha ou faca que corte bem e dar-se-lhe-á com sal, sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente. (...)

Contar os negros : os negros serão contados todos os dias, e o que faltar se procurará logo por todas as vias.

Cuidado com a boiada : com os bois da fazenda haverá com eles grande cuidado em os mandar pastar pelos melhores pastores e se contarão todos os dias e o que faltar mandará logo procurar; do mesmo modo, serão curados de todas as feridas e bicheiras que tiverem (...).

Visitar as matas : terá obrigação de visitar as matas da fazenda e defende-las e ir a elas e saber por onde estão os marcos e não consentir que ninguém tire nada delas sem licença e, pra o saber, mandará vigiar todas as semanas pelo feitor ou por negro de cuidado. (...)

Cuidado com as casas : terá grande cuidado em todas as casas da fazenda para as mandar consertar e retalhar, e o mesmo fará às senzalas dos negros e fará que os lavradores façam o mesmo nas que têm a seu cargo.

Justificar a morte dos negros e bois : todo escravo que morrer justificará sua morte com gente da fazenda e de que morreu, e o mesmo será com os bois, para que de tudo haja clareza, e as crianças que nascerem fará assento delas.

João Fernandes Vieira. Regimento de feitor-mor de engenho (1663). In: Ivan Alves Filho. Brasil, 500 anos em documentos .

Rio de Janeiro, Mauad, 1999. p. 78-80.

1- Compare a situação dos escravos africanos, descrita acima, e as relações entre patrões e empregados na atualidade. Que diferenças podem ser apontadas?

 

NEGOCIAÇÃO E CONFLITO

 

Apresentamos, a seguir, trechos de um tratado proposto por um grupo de escravos rebeldes a um senhor de engenho de Santana de Ilhéus, Bahia.

Tratado proposto a Manuel da Silva Ferreira pelos seus escravos durante o tempo em que se conservaram levantados (c. 1789)

Meu senhor, nós queremos paz e não queremos guerra; se meu senhor também quiser nossa paz há de ser nessa conformidade, se quiser estar pelo que nós quisermos, a saber:

Em cada semana nos há de dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para nós não tirando um destes dias por causa de dia santo.

Para podermos viver nos há de dar rede, tarrafas e canoas. (...)

Os atuais feitores não os queremos, faça eleição de outros com a nossa aprovação. (...)

Poderemos plantar nosso arroz onde quisermos, e em qualquer brejo, sem que para isso peçamos licença, e poderemos cada um tirar jacarandás ou qualquer pau sem darmos parte para isso.

A estar por todos os artigos acima, e conceder-nos estar sempre de posse da ferramenta, estamos prontos para o servimos como dantes, porque não queremos seguir maus costumes dos mais engenhos.

Poderemos brincar, folgar, e cantar em todos os tempos que quisermos sem que nos impeça e nem seja preciso licença.

 

Tarrafa - tipo de rede de pesca.

João José Reis e Eduardo Silva. Negociação e conflito . Op. Cit. P. 123-124.

 

2- Com relação ao documento, identifique:

• a) quem o elaborou;

• b) quando foi elaborado;

• c) a quem se destina.

3- Quais são as principais reivindicações dos escravos rebelados?



ENGENHO

 

Condições materiais e cotidiano dos escravos

Os escravos foram o elemento crucial na manufatura do açúcar. Suas condições de vida e trabalho são fundamentais para explicar a natureza da sociedade que se originou da economia açucareira.

No século XVII, muitos senhores de engenho aparentemente aceitavam a teoria da administração da escravaria mencionada por Antonil, segundo a qual os cativos necessitavam de três P , a saber: p au, p ão e p ano.

 

Castigos

Observadores estrangeiros, como John Nieuhoff, que visitou o Brasil no século XVII, falavam invariavelmente da brutalidade do regime escravista e informavam que os escravos brasileiros eram mal-alimentados, mal-abrigados e malvestidos.

Ocasionalmente, senhores eram presos quando seus crimes contra os cativos tornavam-se públicos. Franscisco Jorge foi detido por açoitar até a morte um escravo, mas seu apelo em 1678, dizendo que era um homem pobre com mulher e filhos e que a história era invenção de seus inimigos, conseguiu-lhe o perdão da Relação .

Caso semelhante ocorreu em 1737, quando Pedro Pais Machado, proprietário do Engenho Capanema, foi preso por matar dois escravos e um homem livre, um deles pendurado pelos testículos na moenda até a morte.

Pais Machado foi libertado após uma investigação judicial que atestou, entre outras coisas, que o réu era pessoa nobre, com obrigações de família. Nesse caso, os escravos eram de outro proprietário, mas Pais Machado aparentemente não relutara em puni-los com a morte pelo crime de haverem ferido um boi.

Relação – Tribunal de Justiça da Bahia.

Senzalas

O conforto material dos escravos de engenho era mínimo. As senzalas geralmente consistiam de cabanas separadas, de paredes de barro e telhado de sapé, ou, mais caracteristicamente, de construções enfileiradas divididas em compartimentos, cada um ocupado por uma família ou unidade residencial.

 

Vestuário

A vestimenta fornecida aos cativos era exígua. Observadores do século XVII muitas vezes descreveram os escravos como andando “nus” e constantemente expostos às oscilações do clima. Os homens normalmente usavam ceroulas que lhes cobriam até abaixo do joelho, andavam sem camisa e envolviam a testa com um lenço ou uma faixa. As mulheres tinham trajes mais completos, com sais, anágua, blusa e corpete, mas tal vestuário pode Ter sido usado apenas na hora da venda das cativas e não no trabalho do campo. Em geral dava-se aos escravos o “pano da serra”, um tecido grosseiro de fio cru.

Por volta do século XIX, os comentários e gravuras feitos por viajantes no Brasil deixavam claro que o vestuário dos escravos refletia as diferenças de ocupações e a hierarquia interna da senzala. Os que trabalhavam no campo eram em geral mais malvestidos que os servidores domésticos e os artesãos.



Alimentação

Os escravos comiam tudo o que lhes caísse nas mãos. Além de sua cota de comida, os escravos adulavam, mendigavam e roubavam por mais alimento.(...)

O Manual do fazendeiro, publicado por João Imbert em 1832, dá-nos uma idéia da ração de um escravo trabalhador dos campos. Esse autor demonstrava especial orgulho pela alimentação que fornecia a seus cativos e, portanto, podemos supor que ela fosse melhor que a da maioria. Os escravos de Imbert recebiam pão e um copo de cachaça ao saírem para o campo. Às nove da manhã, paravam para uma refeição composta de arroz, toucinho e café.

O jantar era comido no campo, e consistia de carne-seca e legumes, embora ocasionalmente houvesse carne fresca. Ao anoitecer, comia-se uma ceia de legumes cozidos, farinha de mandioca e frutas. (...)

Stuart Schwartz. Segredos internos-Engenhos e escravos na sociedade colonial,

1550-1835. Op. Cit. P. 122-127-adaptado.

4- Qual o papel do escravo africano na vida colonial?

 

Inglês

  • Point out some good reasons to believe in a favourable prospects for cane sugar producing countries such as Brazil.
  • Explain the havesting and what is the environmental effects.
  • Why is Brazil so important in the process of renewable energy?
  • What can be done to the fibre from crushing the sugar cane?

Geografia

O Programa Brasileiro do Álcool, o Proálcool, é um exemplo de como uma intervenção do governo pode produzir importante mudança no uso de energia de um país sem afetar o mercado. Subsidiando a produção de cana e determinando uma porcentagem de mistura obrigatória de álcool na gasolina, o governo federal conseguiu transformar o país num caso de sucesso de combustível alternativo, que o governo começou a tentar replicar com o chamado biodiesel – óleos vegetais combustíveis, como o de soja e o de mamona.

Claro, o impacto ambiental e social do Proálcool não pode ser desprezado. Para que o “milagre” do etanol acontecesse, o governo acabou estimulando a devastação da mata atlântica, hoje um dos biomas mais ameaçados do mundo. E as condições de trabalho dos bóias-frias nas usinas de São Paulo e do Nordeste não sofreram melhora significativa. Lições que o resto do mundo precisa aprender antes de mergulhar de cabeça nos biocombustíveis.

Ciências- Dilemas e desafios- Cláudio Ângelo.

 

1. O que foi o Programa Nacional do Álcool (Proálcool)?

2. Discuta como o contexto político internacional, na década de 70, influenciou na implantação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) no Brasil.

3. Como o governo brasileiro administrou e estruturou o Proálcool no que se refere à sua produção e consumo?

4. Quais as implicações da implantação do Proálcool na questão agrária brasileira?

 

O Engenho Colonial

 Texto do site: www.multirio.rj.gov.br/

 

O engenho, a grande propriedade produtora de açucar, era constituído, basicamente, por dois grandes setores: o agrícola — formado pelos canaviais —, e o de beneficiamento — a casa-do-engenho, onde a cana-de-açúcar era transformada em açúcar e aguardente.

 

Imagem 1

 

No engenho havia várias construções:

  •  
    • a casa-grande,
    • moradia do senhor e de sua família;
    • a senzala, habitação dos escravos;
    • a capela; e
    • a casa do engenho.

Esta última abrigava todas as instalações destinadas ao preparo do açúcar:

  •  
    • a moenda - onde se moía a cana para a extração do caldo (a garapa);
    • as fornalhas - onde o caldo de cana era fervido e purificado em tachos de cobre;
    • a casa de purgar - onde o açúcar era branqueado, separando-se o açúcar mascavo (escuro) do açúcar de melhor qualidade e depois posto para secar.

Quando toda essa operação terminava, o produto era pesado e separado conforme a qualidade, e colocado em caixas de até 50 arrobas. Só então era exportado para a Europa. Muitos engenhos possuíam também destilarias para produzir a aguardente (cachaça), utilizada como escambo no tráfico de negros da África.

 

Canaviais, pastagens e lavoura de subsistância formavam as terras do engenho. Na lavoura destacava-se o cultivo da mandioca, do milho, do arroz e do feijão. Tais produtos eram cultivados para servir de alimento. Mas sua produção insuficiente não atendia às necessidades da população do engenho. Isto porque os senhores não se interessavam pelo cultivo. Consideravam os produtos de baixa lucratividade e prejudiciais ao espaço da lavoura açucareira, centro dos interesses da colonização. As demais atividades eram deixadas num segundo plano, ocasionando grande falta de alimentos e alta dos preços. Esse problema não atingia os senhores, que importavam os produtos da Europa para sua alimentação.

 

Imagem 2

 

A parte das terras do engenho destinada ao cultivo da cana — o canavial — era dividida em partidos, explorados ou não pelo proprietário. As terras não exploradas pelo senhor do engenho eram cedidas aos lavradores, obrigados a moer sua cana no engenho do proprietário, entregando-lhe a metade de sua produção, além de pagar o aluguel da terra usada (10% da produção).

 

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ECOLOGIA: Agricultura e Pecuária  (MEIO AMBIENTE) escrito em quarta 07 novembro 2007 21:20

 

Ecologia:

           

EFEITOS DO

AQUECIMENTO GLOBAL

NA AGRICULTURA

E NA PECUÁRIA 

 

FONTE: Globo Ecologia, Programa 20 - Agricultura e Pecuária

Acesse o link do Globo Ecologia

Globo-Ecologia---programa-20---Agricultura-e-Pecuaria

A Terra tem bilhões de anos. Já passou por muitas mudanças. Já aconteceram cinco grandes extinções. A mais famosa ocorreu há 65 milhões de anos com a queda de um asteróide que extinguiu os dinossauros. O planeta sempre se recupera, mas é preciso muito tempo para que a vida retome as forças e a biodiversidade ressurja sob todas as suas formas. Hoje, nos encontramos próximos a uma nova catástrofe. Nossas civilizações se desenvolveram sem cuidado e aqueceu o planeta numa velocidade nunca vista. Em alguns bilhões de anos a Terra vai se recuperar. E nós? Estaremos aqui?

                  

Deter o aquecimento global é o nosso desafio. A única dúvida é se vamos encarar o problema agora ou entregar a missão para os nossos filhos e netos.

          

AO MESMO TEMPO VILÃO E VÍTIMA

 

A agricultura e a pecuária tanto contribuem com o aquecimento global como estão entre as atividades mais ameaçadas pelo aumento da temperatura.

                         

O Brasil consome em média 87 kg por habitante/ano de carne, destes, cerca de 37 quilos per capta do consumo anual são de carne bovina. (Em 2001, o consumo de carne bovina em Portugal era de 17 kg por habitante/ano, 12% do total de carne consumida, enquanto a média européia era de 21 kg) [1].

 

CONSUMO BRASILEIRO DE CARNE (KG PER CAPTA)

Tipo de carne 2004 2005 2006
BOVINA 35,245 36,377 37,801
Suína 10,898 11,070 11,244
De frango 32,701 35,367 37,667
De peru 0,573 0,619 0,659
TOTAL 79,125 83,156 0,659
População – IBGE (milhões/hab.) 181,586 184,184 186,770

Fonte: Avisite, 2006

 

Além de ser um grande consumidor,
o Brasil tornou-se o maior
exportador de carne bovina
nos últimos anos.

 

MAS O QUE ISSO TEM A VER
COM O AQUECIMENTO GLOBAL?

 

Um boi adulto emite
140 quilos de Metano (CH4) por ano,
e o CH4 é um gás de efeito estufa
20 vezes mais potente do que o CO2,
o principal causador do aquecimento global.

 

A pecuária bovina é uma das atividades econômicas que mais emite Metano no mundo. A dificuldade de digerir as fibras no pasto levou os bovinos a desenvolver um estômago a mais, o chamado Rúmen. Nele estão as bactérias metanogênicas que facilitam a digestão. Este processo acontece em um ambiente sem oxigênio, e o produto final é o Metano.

 

Ao contrário do que se pensa, a maior parte do gás
é emitida pela boca do animal.

 

Esses dados fazem parte do inventário brasileiro de emissões de gases estufa, uma exigência para os países que assinaram o protocolo de Kyoto. A EMBRAPA é que analisa as fontes brasileiras de gás metano, desenvolvendo pesquisas para melhorar o inventário e para conhecer melhor os processos que desencadeiam as emissões, de modo que possibilite a identificação e a criação de métodos ou formas de produção menos impactantes e, por vezes, até mais rentáveis do que os utilizados atualmente.

                       

Parte da pesquisa consiste em colocar uma canga, no pescoço do animal, que absolve o gás metano produzido durante 24 horas. O aparelho, então, é levado para o laboratório para ser analisado. O gado de corte também está sendo estudado. O objetivo é produzir mais carne com menos emissão de metano.

                                    

Segundo Magda Aparecida de Lima, pesquisadora da EMBRAPA, existem técnicas e estratégias para a otimização do rebanho e, ao mesmo tempo, para a redução da produção de metano por unidade de produto:

          

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

O GADO QUE CAMINHA
QUILÔMETROS
PARA
COMER E BEBER

 

 

 

X

O GADO QUE VIVE NUM AMBIENTE COM SOMBRA E ALIMENTAÇÃO ABUNDANTE

GASTA
MUITA
ENERGIA

CHEGA AO PESO IDEAL MUITO MAIS RÁPIDO

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

QUANTO MAIS TARDE O ANIMAL É ABATIDO

 

 

 

X

QUANTO MAIS CEDO O ANIMAL É ABATIDO

 

MAIOR É A EMISSÃO DE GÁS METANO

MENOR É A EMISSÃO
DE GÁS METANO

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

                            

Na fazenda experimental de São Carlos, no interior de São Paulo, a EMBRAPA testa a aveia, a alfafa e a cana-de-açúcar como suplemento nutritivo.

         

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

O GADO ALIMENTADO COM GRÃOS

 

 

 

PORÉM

O
CONFINAMENTO

 

 

EMITE MENOS METANO

CAUSA MAIOR DANO AMBIENTAL QUE É REPASSADO PARA A LAVOURA

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 

O gado é um péssimo conversor de grãos

  • São necessários 9 quilos de milho, por exemplo, para produzir 1 k de boi.
  • O frango ganha o mesmo peso com apenas 2 quilos.
  • E o peixe precisa de apenas 1,8 quilo.
 1 k de boi   {#} 9 quilos de milho

1 k de frango

  {#} 2 quilos de milho 
1 k de peixe   {#}1,8 quilo de milho

            

A pecuária de confinamento ocupa menos terra diretamente, mas exige plantações maiores e mais produtivas, o que leva o uso de fertilizantes. Estes, por sua vez, são responsáveis por grande parte de emissões de óxido nitroso, um terceiro gás de efeito estufa.

                                

80% das fontes antropogênicas de óxido nitroso são de origem da agricultura. A agricultura tb emite gás metano. É o caso do arroz irrigado.

 

À medida que o solo é inundado, vai se criando uma condição de anaerobiose [2], que é propícia para algumas bactérias, como, por exemplo, as metalogênicas, que são responsáveis pela utilização de material orgânico que se encontra no solo e sua transformação em metano.

                   

O calor emitido pelas regiões degradadas pela agricultura e pela criação de gado também preocupa os pesquisadores.

                        

A pecuária se estende por mais da metade da área agrícola brasileira.

        

São 200 milhões de hectares só de pasto,
sendo que 50 milhões são degradados

        

Portanto, são áreas geradoras de calores, não produzem nem pasto, nem agricultura e nem celulose. Não produzem nada, apenas calor e falta de água.

                                    

Na área agrícola, a atividade da pecuária é a mais perdulária. A pecuária brasileira precisa ser revista. Não o boi, mas a forma de se conduzir a pastagem.

                   

O manejo inadequado da pastagem no Brasil está tornando o solo tão degradado que algumas áreas já apresentam características climáticas de semi-árido e de deserto. Estão cada vez mais quentes e secas.

                     

Os especialistas dizem que se a pecuária continuar tão irracional, até o final do século o Brasil vai ter de substituir os seus rebanhos bovinos por criações de camelos, pois, no meio da tarde, a região agrícola do Brasil emite a mesma radiação de calor que o deserto do Saara.

                     

O calor em excesso é gerador de áreas desertas,
semi-áridas e áridas.

                        

Os sinais de emissão de calor d Sudeste e Centro-oeste brasileiros vêm se igualando aos do Nordeste.

                        

A pecuária brasileira está tão atrasada que, nem a rotação de pastos, desenvolvida pelos nômades no passado, é feita no Brasil. Aqui é comum usar a pastagem até a exaustão.

                        

Outro erro é sobre o pastoreio, quando se cria mais animais do que o suporte da área.

                

O boi anda até 11 km por dia e seu peso

compacta o solo formando trilhas
que abrem o caminho para a erosão.
Na estação seca, o solo fica completamente
exposto, e emite muito calor.

                             

A agricultura e a pecuária vão precisar de ajuda das árvores para enfrentar o aquecimento global. Principalmente em regiões tropicais, como o Brasil.

                           

Em comparação ao resto do mundo, a América do Sul, portanto, o Brasil, ainda está bem. Mas o processo de degradação está acelerado, caminhando para o processo de semi-arização, depois para arização e, em seguida, desertificação.

                                    

A árvore não é apenas uma forma de seqüestrar carbono, é também um hidrotérmico regulador, ou seja:

  • uma árvore ajuda a manter a umidade, raízes profundas retiram a água do subsolo e a expele em forma de vapor, é a chamada evaporização, é por esse processo que a Floresta Amazônica produz boa parte da chuva que cai sobre ela.
  • a árvore também ameniza a temperatura com sua sombra, e, graças a uma característica única, esquenta lentamente durante o dia e só libera o calor à noite. Quanto mais perto da Linha do Equador, maior deve ser a arborização das plantações e pastagens.

No caso da Amazônia, a Lei exige 80% da área florestada, mas a soja e a pecuária continuam avançando. Um em cada três bifes consumidos no Brasil tem origem no gado que se alimenta da destruição da maior floresta do mundo.

 

IMPACTOS DO AQUECIMENTO GLOBAL
NA AGRICULTURA

O café surgiu na África, mas quem ficou com a fama foi o fruto cultivado no Brasil. No mundo todo, o café é considerado tão brasileiro quanto o carnaval e o futebol.

                            

Ele já foi tão importante no país que interferia até a escolha do Presidente da República. Hoje, observa-se o estrago que a monocultura cafeeira fez na Mata Atlântica. Mas o Brasil ainda é um dos principais exportadores de café.

                              

Quando a flor do café está submetida à três dias consecutivos à temperatura acima de 34ºC, ela aborta. E mesmo que ela esteja em um solo com sistema de irrigação, as variedades que existem hoje no Brasil não conseguem produzir café nessas condições.