PARA ENTENDER O BOOM DO PETRÓLEO NO BRASIL  (GEOGRAFIA) escrito em quarta 27 agosto 2008 05:51

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EXPLORAÇÃO,

DESENVOLVIMENTO E

PRODUÇÃO DE PETRÓLEO

E DE GÁS NATURAL

 

Pesquisa de Ana C. Dantas

 

PREMISSAS

Objetivos compatíveis

  • Objetivo das empresas: lucro
  • Objetivo do Governo: melhor aproveitamento dos recursos naturais exauríveis

Possíveis conflitos

é o mercado que determina:

  • a quantidade que a empresa paga em bônus, investimento e tributos,
  • e quanto o Governo consegue cobrar

O Projeto de Exploração e Produção de Petróleo leva em conta:

  • capital intensivo
  • alto risco
  • longa maturação

Capital Intensivo:

  • necessidade de grandes investimentos desde o início de sua implementação, que começa com uma fase de alto risco de não recuperar os gastos com estudos regionais e investimentos em exploração.
  • os investimentos atingem montantes vultuosos durante o desenvolvimento de um campo, e se reduzem durante a fase de produção.

Alto Risco

  • Risco Geológico: depende do histórico de descobertas na área, que serve para se realizar inferências sobre o potencial de novas descobertas.
  • Risco Negocial: é o risco de que contratos acordados não sejam cumpridos por decisões unilaterais, principalmente por parte dos governos.
  • Risco Político: decorre do potencial de mudanças bruscas no país, devido a instabilidades políticas e sociais, como guerras (militares e civis), greves e atentados diretos contra instalações petrolíferas.

Alto risco, exemplos:

  • Reino Unido é um exemplo de país com razoável potencial geológico, baixo Risco Político e alto Risco Negocial, em razão das constantes mudanças na legislação tributária que efetuou em função das variações do preço do petróleo, com alterações na sua política de incentivos fiscais para a exploração e produção.
  • Noruega tem grande potencial petrolífero, estabilidade política e negocial e, em contrapartida, tem dos mais altos impostos pagos pelas empresas de petróleo em todo o mundo.
  • Suíça tem todas as condições de risco negocial e político com excelente perspectiva, mas não tem petróleo detectado, portanto altíssimo Risco Geológico.
  • Angola possui o Risco Geológico médio, mas possui um alto Risco Político, pois se trata de um país que ainda traz sequelas da guerra civil.
    Por outro lado, tem um baixo Risco Negocial, pois honra integralmente os contratos de E&P assinados, não fosse isto, possivelmente não conseguiria manter a atratividade para os investidores estrangeiros.

O Projeto de Exploração e Produção de Petróleo pode ser:

FASE DE EXPLORAÇÃO

a) Exploratório, contemplando:

  • Apropriação de reservas (pioneiros)
  • Delimitatórios (appraisal)

FASE DE PRODUÇÃO

b) de desenvolvimento de reservas já descobertas (ainda não desenvolvidas)

c) de revitalização de campos em produção

  • Ganho de produção (óleo e gás)
  • Melhorias com ganho de produção

 

MODELOS DE

EXPLORAÇÃO DE

PETRÓLEO E GÁS

ADOTADOS AO

REDOR DO MUNDO

 

CONCESSÃO

a) O governo concede a empresas, por contrato, o direito de explorar determinadas áreas.

b) Se houver descobertas, o concessionário é:

  • dono da produção,
  • mas paga royalties e porcentuais de participação especial sobre a produção para o governo.

É usado onde o risco geológico é maior

PONTOS

Positivos:
Governo fixa taxa de participaçção governamental mais baixa para atrair investimento de risco. Empresas assumem o risco de encontrar recursos, mas recebem remuneração maior.

Negativos:
Governo não pode fixar altas taxas de participação governamental, sob o risco de não atrair capital.

 

PARTILHA DE PRODUÇÃO

a) Empresa estatal busca parceiros para explorar uma área, dividindo riscos e investimentos.

b) Em caso de descoberta, paga-se:

  • os custos de exploração e operacional, e
  • o lucro é dividido entre as empresas, em proporções preestabelecidas.

É usado em locais com pouco risco

PONTOS

Positivos:
Risco menor para a operadora e ganho maior para o governo. A operadora recupera custos do investimento e, assim, pode aceitar repartição da renda mais favorável ao governo.

Negativos:
Só é viável quando não há risco geológico. Se houver risco, o investidor quer maior retorno

 

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

  • É o modelo exploratório mais fechado.
  • A estatal local contrata companhias para operar em poços de petróleo.
  • As empresas contratadas recebem remuneração fixa pelo serviço prestado e não são donas da produção.

É usado em locais de baixíssimo risco geológico.

PONTOS

Positivos:
Governo fica com toda a receita, pagando taxas fixas ao operador dos poços.

Negativos:
Petroleiras não costumam aceitar esse tipo de contrato. Não atrai tecnologia nem capital.

 

REGIME MISTO

O país adota concessão e partilha em diferentes áreas, de acordo com o risco apresentado por elas.

No Brasil, especula-se que, para o pré-sal, o governo pode optar pelo modelo de partilha da produção, e para as demais áreas, pode manter o regime de contratos de concessão.

PONTOS

Positivos:
São os mesmos apresentados nos outros modelos.

Negativos:
Os pontos negativos são os mesmos apresentados nos demais modelos.

 

CONCEITOS:

SAL, PRÉ-SAL E PÓS-SAL

O estabelecimento de um reservatório de petróleo passa pelas seguintes fazes:

1º a fase exploratória, que leva ao

descobrimento do campo, onde

são realizados estudos para determinar:

  • o tamanho do reservatório e
  • suas características básicas.

4º com base nesses dados, estuda-se a viabilidade de produção através de um plano de desenvolvimento de produção primária e recuperação suplementar até o abandono.

A ciência sísmica vem, cada vez mais, ganhando importância nos trabalhos de exploração e caracterização de reservatórios de petróleo.

Objetivo = fornecimento de uma imagem em profundidade da subsuperfície 

Para que serve = permite a interpretação de um modelo geológico = gera subsídios para uma correta caracterização do reservatório.

 

Imageamento sísmico

Imageamento sísmico diz respeito a métodos de imagens das formações rochosas em ambientes profundos do subsolo terrestre, utilizado nos estudos de Geofísica [2]

A Petrobras desenvolveu tecnologia que viabiliza imageamento em regiões geologicamente complexas, e já colhe os frutos do seu investimento.

Novas técnicas de processamento e aquisição de dados — conjugados com maior capacidade dos computadores — tem permitido à companhia compor a imagem dessas estruturas.

Há casos em que os geofísicos concebiam determinadas estruturas e que foram totalmente revistos após a utilização dessas técnicas.

Para Márcio de Araújo Martins e outros autores [1]:

"O imageamento sísmico, através da propagação de ondas, tem sido uma das técnicas mais utilizadas para a obtenção de informações a respeito da formação geológica em subsuperfície.

Além do mais, imagear regiões abaixo de geologias muito complexas é um desafio para os pesquisadores da área, pois tal complexidade influencia de forma determinante nos resultados obtidos, sendo, portanto muito difícil o imageamento nessas regiões.

A técnica de modelagem CFP (Common Focus Point) tem se mostrado bastante útil no sentido de minimizar ou reduzir a influência dessas regiões complexas nos dados de real interesse.

Na técnica CFP, simula-se computacionalmente um tiro próximo à região de interesse, os dados referentes às reflexões também são registrados no mesmo nível que foi dado o tiro, reduzindo a influência de toda a formação geológica acima de tal região, obtendo-se assim dados muito mais limpos e precisos.

Entretanto a migração, associada à técnica CFP, para a obtenção de dados em profundidade não é muito trivial, requerendo um grande controle da técnica de modelagem e migração".

Basicamente, o imageamento sísmico se faz:

"com a propagação de ondas através das camadas geológicas no interior da terra.

Essas ondas, ao encontrarem a superfície de separação de dois meios cujas impedâncias acústicas são diferentes, sofrem reflexões e refrações.

As reflexões nas camadas geológicas são registradas na superfície, esse registro (sismograma) será o principal dado de entrada para a etapa do processamento sísmico.

Para a discretização da equação da onda, utilizamos o método das diferenças finitas (MDF) com precisão de quarta ordem nas derivadas espaciais e segunda ordem nas derivadas temporais".

 

NO BRASIL

 

Breve histórico

 

Desde 1998 foram realizadas 7 rodadas de licitação e contrato das concessões de áreas para a exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural.

A oitava rodada foi suspensa por ordem judicial, uma liminar concedida pelo Juízo da 9ª Vara Federal do Distrito Federal (JF/DF) e outra proferida pela 3ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro.

O processo de concessões é de responsabilidade do Tribunal de Contas da União (TCU), que tem poderes para, no auxílio ao Congresso Nacional, exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta.

As rodadas de licitação e contratos são realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As áreas concedidas para a exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural, são divididas por blocos e setores, como mostra a figura a seguir que trata das concessões (por blocos e por rodadas) da Bacia Cretácea de Barreirinhas, que está localizada na Margem Atlântica Equatorial Brasileira na região norte do Brasil, entre as cidades de São Luiz (MA) e Parnaíba (PI).

 

RODADAS DE


LICITAÇÃO E CONTRATO

 

1998

A Pirmeira rodada

  • Concessões à Petrobras
  • Foram assinados 397 contratos de concessão:
    • 282 em campos de produção ou em desenvolvimento;
    •  115 em áreas exploratórias.

de 1999 a 2007

Da 2ª à 7º rodada

  • Concessões à Petrobras + 61 empresas (nacionais e estrangeiras)
  • Uma rodada por ano
  • 594 blocos foram arrematados
    • 61 empresas (nacionais e estrangeiras) arremataram blocos, de forma independente ou em consórcio.
    • A Petrobras arrematou a maior parte dos blocos.
    • Diversas empresas foram constituídas especificamente para disputar as áreas de acumulação marginal

2007

A descoberta de Tupi

  • Retirada de 41 blocos (pré-sal), por decisão do CNPE;
  • 67 empresas inicialmente qualificadas;
  • 42 empresas participantes do leilão;
  • 117 blocos arrematados por 24 operadoras;
  • 169 mil unidades de trabalhos nos programas exploratórios mínimo (PEM), estimados em R$ 1,4 bilhão;
    • R$ 2,1 bilhões de arrecadação (recorde de bônus de assinatura).
  • A reunião do CNPE de 08 de novembro de 2007:
    • Descoberta feita em um poço, na bacia de Santos, com volume de “reservas” estimado pela Petrobrás entre 5 e 8 bilhões de boe;
    • Hipótese de uma nova província petrolífera que se estenderia de Santa Catarina ao Espírito Santo (800 km X 200 km);
    • Confirmada a hipótese acima, surge a possibilidade do Brasil passar a possuir uma das dez maiores reservas do mundo;
  • A Resolução CNPE nº 6/2007 estabeleceu a retirada dos blocos para definir “novo paradigma de E&P” nesta nova província.

 Resumo dos contratos de licitação e concessão
por rodada (da 1ª a 6ª)


Rodada1
Rodada2
Rodada3
Rodada 4
Rodada 5
Blocos licitados
27
23
53
54
908
913
Blocos concedidos
12
21
34
21
101
154

 

ÁREAS SOB CONCESSÃO, BLOCOS E SETORES OFERECIDOS NA OITAVA RODADA DE LICITAÇÕES

 Área 1

 Áreas 2, 3 e 4

 Área 5

 Área 6

 Área 7

Legenda

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Notas:

[2]Na UNICAMP recebeu o nome de Geofísica de Reservatório, uma nova linha de pesquisa que faz parte do curso de Ciência e Engenharia de Petróleo (CEP).

Os Professores Martin Tygel e Jörg Schleicher, da UNICAMP, e Peter Hubral, da Universidade de Karlsruhe na Alemanha, se uniram para lançar um livro sobre o assunto, Seismic True-Amplitude Imaging. Editado pela Society em 2007.

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Textos e imagens extraídos de:

Mapa da exploração de petróleo e gás: conheça os modelos para o setor adotados ao redor do mundo. estadao.com.br. Especiais. 21 de ago. de 2008.

http://www.onacsolutions.com

Empilhamento por Superfície de Reflexão Comum (CRS). Disponível em: http://www.dep.fem.unicamp.br/boletim/BE16/artigo_ssa.htm

Além dos 6 mil metros: Tecnologia desenvolvida na Petrobras viabiliza imageamento em regiões geologicamente complexas. REVISTA PETRO & QUÍMICA. Ed. 282, mar. de 2006. Valete Editora Técnica Comercial Ltda.

MARTINS, Márcio de Araújo; SILVA, Josias José da; S. FILHO, Djalma M.; LANDAU, Luiz. Extrapolação e imagem sísmico em meios complexos associados à tecnica CPFC. 4°PDPETRO, Campinas, SP. 21-24 de out. de 2007. Copyright © 2007 ABPG

MACAMBIRA, Tatiana Maceió; CORRÊA, José Augusto Martins. Mineralogia dos pelitos albianos, porção oeste da bacia de Barreirinhas, MA. 4o PDPETRO, Campinas, SP. 21-24 de Outubro de 2007.

Áreas sob concessão, blocos e setores oferecidos na oitava rodade de licitações. Disponível em: http://www.anp.gov.br/brasil-rounds/round8/round8/mapas/
Mapa_Round8_23outubro2006.pdf

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O GEÓLOGO E O PETRÓLEO: A profissão e o profissional
A PETROBRAS: estrutura, histórico e organização
A PETROBRAS: estrutura, histórico e organização - Parte 2
A CURTA HISTÓRIA DO GASBOL: o gasoduto Brasil-Bolívia
A PETROBRAS: estrutura, histórico e organização - Parte 3
50 ANOS DE PETROBRAS: as políticas públicas de 1940 até os nossos dias

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PARA ENTENDER O BOOM DO PETRÓLEO NO BRASIL

  • Sandra

    Seg 13 Out 2008 13:36

    As figuras não estão querendo aparecer...