MACHADO DE ASSIS: romancista, contista, cronista, poeta e muito mais  (LITERATURA) escrito em quarta 09 abril 2008 18:08

 Caricatura de Machado de Assis,
surrupiada do site: www.cce.ufsc.br

 

Espaço Machado de Assis

 

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Depoimento de Antonio Carlos Secchin*
Em
 16/10/2001, disponível em também em áudio em: http://www.academia.org.br/abl_minisites/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=74&sid=21&UserActiveTemplate=machadodeassis

 

Blog de turma : imagens nossas, MACHADO DE ASSIS: romancista, contista, cronista, poeta e muito mais (LITERATURA)3
Antonio Carlos Secchin

 

Machado e a Universidade

Machado de Assis é duplamente acadêmico: acadêmico pela Academia Brasileira de Letras, e acadêmico também porque a sua obra é constantemente alvo de estudos da Universidade brasileira e também do exterior. Acredito que a multiplicidade de aspectos que a obra de Machado de Assis oferece possibilita, exatamente, esse aproveitamento multidisciplinar em torno de Machado, com leituras sociológicas, filológicas, filosóficas, estéticas, psicanalíticas etc. Então, acredito que Machado, de fato, é mais do que um prato cheio; é um banquete completo para a Universidade. Então, esse desafio de reescrever sempre Dom Casmurro, e tratar o enigm, é algo que está incrustado na sensibilidade da cultura brasileira. Todos nós, de alguma maneira, temos que dar uma resposta a esse enigma, mesmo que a resposta seja evasiva e inconclusiva.


O romance machadiano

Através do romance Machado teria alcançado, segundo a maioria dos críticos o apogeu de sua produção. Há quem opte pelo conto; fica-se sempre pensando: o conto de Machado, o romance de Machado.

Evidentemente, o romance permite um desdobramento analítico mais detalhado. Portanto, acredito que Machado está inteiramente à vontade nessa forma narrativa, não só na sua chamada segunda fase, ou fase madura, mas também na menos valorizada fase inicial, que só é menos valorizada porque Machado consegue ser superior a si mesmo na segunda parte. Mas creio que se não tivesse havido o Machado maduro, ainda assim teríamos um narrador muito respeitável, dentro dos melhores que a ficção romântica teria podido produzir.

Vejamos bem. Nós fazemos essa divisão das duas fases de Machado, e por menos que se queira recorrer ao aspecto biográfico, temos uma doença de Machado que o levou a ir para Friburgo, onde a sua esposa, D. Carolina, teria anotado o ditado de Memórias póstumas, que Machado lhe fazia. Gosto sempre de enfatizar que essa maturidade machadiana ocorre simultaneamente na narrativa longa de Memórias póstumas de Brás Cubas, mas também na forma do conto ou da novela de O alienista, que é do mesmo período.

Então, não podemos considerar Memórias póstumas de Brás Cubas uma explosão isolada na obra de Machado, sem levar em conta que havia outras narrativas contemporâneas, que apontavam nessa mesma direção.


O conto

Dentre essas formas narrativas, a mais consagrada sendo o romance, temos de pensar também na novela — alguns assim catalogam O alienista e Relíquias de casa velha — e sobretudo, no conto. Muitos consideraram que a prática machadiana do conto correspondia a uma espécie de laboratório de técnicas, de perspectivas de aprofundamento, e que depois encontraram um desaguadouro natural na forma romanesca.

É muito interessante uma leitura do conto de Machado até mesmo porque, como se cristalizou um consenso muito sólido acerca dos romances da maturidade de Machado, existem ainda áreas com um certo frescor de descoberta, que correspondem à ficção curta em Machado de Assis.

Portanto, acredito que, como um acompanhamento paralelo à grandeza da ficção de Machado, da ficção romanesca, é muito importante também fazermos a travessia da sua ficção curta, que nos legou tantas obras-primas, como A cartomante, Uns braços, Missa do galo etc.


Do contista ao cronista

O cronista seria abastecido, cotidianamente, pela matéria bruta da realidade do Rio de Janeiro, e depois, o contista iria refinar essa matéria bruta, tentando dar-lhe uma dimensão mais metafísica, mais filosófica, mais existencial. Porém acredito que ambos trabalhavam numa tabelinha muito bem articulada, porque o Machado de Assis contista não abria mão dessa matéria humana do Rio de Janeiro.

O Machado de Assis cronista não deixava de dar as suas pitadas de natureza filosófica, especulativa, e é também com bastante satisfação que tenho observado na Universidade, e mesmo junto às editoras, esse interesse crescente pela matéria cronística de Machado de Assis, conseguindo superar a contingência da crônica e colocá-la no patamar de uma obra literária que pode aspirar à permanência, mesmo que tenha sido produzida para um consumo mais imediato.

 

O critico Machado

É um dado curioso porque Machado de Assis, biograficamente, exerceu primeiro a crítica, consolidou-se como crítico literário. Antes de se consolidar como o grande ficcionista, e como o jovem e algo desafiador crítico literário, ele, por exemplo, criticava Eça de Queirós, falava de O primo Basílio, apontava certas restrições.

Subitamente, a atividade crítica de Machado diminuiu. Escreveu alguns poucos prefácios para amigos, na maturidade, mas o material que ele redigiu no início de sua carreira literária — artigos como A nova geração, O primo Basílio, Instintos de nacionalidade — já mostrava um crítico equilibradíssimo, alguém com uma consciência aguda dos problemas da linguagem, alguém que sabia dimensionar muito bem os elementos sociológicos, históricos, a relação entre o nacional e o literário, tudo isso analisado com extrema pertinência e equilíbrio.

Não creio que se possa dizer que Machado de Assis tenha abandonado a crítica. Simplesmente, podemos dizer que ele transferiu esse olhar crítico para o palco das paixões humanas. Nunca deixou de ser um crítico, apenas agora num outro espaço, num outro território. Mas o olhar não condescendente, o olhar rigoroso, o olhar de exigência machadiana, nós podemos encontrá-lo na forma da crítica direta — crítica literária — ou dessa crítica oblíqua, que é a sua visão de mundo na ficção.

 

Machado e o teatro

O teatro corresponderia a essa fase inicial também da carreira de Machado, onde ele se consagrou como crítico, como dramaturgo e um pouco como poeta. E o próprio Machado parecia entender que ele não poderia ser um autor de sucesso no teatro exatamente pelo seu caráter mais de observação do que de ação.

Quando se pensa num público consumidor do vaudeville ou num público ávido pelo melodrama, com os seus rompantes sentimentais, com as suas reviravoltas de enredo, temos que admitir que isso é bastante diferente do tipo de observação e produção de Machado de Assis, que era algo num caminho muito mais equilibrado, e da sutileza dos pequenos gestos, do que dos atos grandiloqüentes que a platéia de seu tempo exigia.

Machado, assim como todos os intelectuais e produtores de literatura do século XIX, foram extremamente atraídos pelo teatro. Escreveram todos eles para o teatro, e de certa maneira fracassaram também, todos eles, como autores teatrais.

 

Poesia machadiana

A poesia foi outra paixão de juventude a que Machado retorna na maturidade. Ele estréia com As crisálidas, depois escreve Falenas, Americanas, e silencia quando se inicia a sua grande fase de produção romanesca.

Quando todos pensavam que a poesia em Machado teria correspondido unicamente a uma paixão de juventude, eis que, para espanto dos leitores e alegria da literatura brasileira, ele retorna em 1901, não renegando de todo a sua produção de juventude, e publicando o seu livro Poesias (1901), onde ele reedita, com alguns cortes, os primeiros livros, e acrescenta um inédito, intitulado Ocidentais, composto de poemas escritos basicamente nos anos 80.

É interessante porque nessa passagem dos livros iniciais de poesia de Machado - Crisálidas, Falenas e Americanas - para este livro tardio, Ocidentais, incorporado pela primeira vez na edição de 1901, nós também acompanhamos a transição do poeta romântico para o poeta parnasiano, e percebemos também que, nos dois momentos, Machado seria um autor não desprezível, um autor de categoria.

Mas o que ele fez na prosa de ficção foi tão extraordinário que, a partir disso, a boa produção na poesia, no teatro, na crítica, fica relegada a um modesto segundo plano.

 

Machado na literatura brasileira

Podemos sintetizar, dizendo que Machado é o grande introdutor da consciência trágica do destino humano na literatura brasileira, o que o crítico José Guilherme Merquior denominava, através de Machado, a introdução da problematização da existência na nossa literatura, porque até então, mesmo no período romântico, não podemos dizer que tenha sido uma literatura superficial, longe disso, mas, evidentemente certas visões de José de Alencar, de Bernardo Guimarães e de outros grandes autores ainda correspondiam a um olhar dividido e maniqueísta da realidade, em que a alma humana seria boa ou seria má, seria elevada ou seria baixa, e não seria composta dessa mistura de tudo que é o que, afinal, marca o ser humano.

Machado teve a acuidade de introduzir em nossas letras essa consciência dilemática do ser humano que, em um momento, pode ser bom, noutro momento, pode ser ruim; num momento será grandioso, no outro será mesquinho, tudo isso convivendo na mesma consciência. Então, este passo fundamental, a meu ver, foi dado por Machado de Assis, e por isso nós todos somos tão gratos a ele.

 

O enigma em Dom Casmurro

Eu falo aqui diante de um outro grande machadiano, que também encarou um desafio, através de Capitu, de uma re-escrita de Dom Casmurro, o que aconteceu quase na mesma época, sem que soubéssemos do projeto um do outro. Uma idéia que me ocorreu apenas, digamos, enquanto o Domício Proença Filho reelaborou Capitu, o texto de Machado de Assis, de um outro ponto de vista. De um personagem fundamental que era Capitu, eu fiz um deslocamento, não nesse espaço narrativo, mas um deslocamento no tempo narrativo, porque na minha narrativa, que se chama Carta ao Seixas, o papel do narrador é desempenhado pelo próprio narrador machadiano, num período posterior ao período retratado em Dom Casmurro.

 

___________________

 *Antonio Carlos Secchin é doutor em letras e professor titular de literatura brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Poeta e ensaísta com vários livros publicados, nasceu no Rio de Janeiro em 10 de junho de 1952. Foi eleito para a Cadeira 19 em 03 de junho de 2004.

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Leia também:

SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - Análise e questionário  
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 2 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 3 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 4 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 5 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 6 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 7 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - QUESTÕES: DA FUVEST 1992 
RESUMO - DOM CASMURRO 
DOM CASMURRO: O Otelo de Machado de Assis
O ALIENISTA DE MACHADO DE ASSIS: análise
MACHADO DE ASSIS: romancista, contista, cronista, poeta e muito 
    

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O CONTEXTO HISTÓRICO EM QUE FOI ESCRITO
A OBRA DE MACHADO DE ASSIS
O REALISMO

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ÁGUA: engarrafada e comercializada na cidade de São Paulo com índices ilegais de flúor  (BIOLOGIA) escrito em quinta 10 abril 2008 16:07

Incrível vestido de água confeccionado pela W/Brasil
para Gisele Bündchen posar em propaganda, alegando consciência ecológica 
para vender sapatos. Parabéns para a agência e para a Gisele.

 

Perigo engarrafado

 

Águas têm índices elevados de flúor

 

Jornal da USP
Ano xxiii, nº 825, 7 a 13 de abr. de 2008
da Agência USP de notícias

 

  Blog de turma : imagens nossas, ÁGUA: engarrafada e comercializada na cidade de São Paulo com índices ilegais de flúor
This photo is by Rachel Wilson. "My goal was to capture the unique effect of the water
falling in front of Amberle's face. I like the crystal effect of the water."
In: www.rbuhsd.k12.ca.us/.../spring2004.html

 

Boa parte das águas comercializadas na cidade
de São Paulo possui níveis de flúor acima do
permitido, diferente do que é informado nos rótulos.
Foi o que concluiu uma pesquisa realizada pela
Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP.
Segundo o estudo, entre 229 amostras
analisadas — de 35 marcas diferentes —, 44 (19%)
continham mais de 0,8 miligramas de flúor por litro,
o que é proibido por lei. Altos níveis de flúor na água
podem causar danos aos dentes das crianças. pesquisa

 

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A importância vital da água

 

Pesquisa constata níveis de flúor acima do permitido nas águas comercializadas em São Paulo, o que pode provocar doenças como a fluorose, responsável por manchas e buracos nos dentes das crianças

 

Por Antonio Carlos Quinto

Boa parte das águas engarrafadas que são comercializadas na cidade de São Paulo possui níveis de flúor acima do permitido, diferente do que é informado nos rótulos. Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP revelou que entre 229 amostras, de 35 marcas diferentes, 19% (44 amostras) continham mais 0,8 miligramas de flúor por litro (mg/L).

“De acordo com a lei municipal 12.623/98, é proibida a comercialização na cidade de águas engarrafadas com níveis de flúor superiores a 0,8 mg/L”, lembra a coordenadora da pesquisa, professora Marília Afonso Rabelo Buzalaf, do Departamento de Ciências Biológicas da FOB.

A professora alerta que níveis elevados de flúor na água engarrafada são prejudiciais principalmente a bebês.

“Os médicos pediatras e odontopediatras recomendam às mães de recém-nascidos que diluam o leite em pó em águas engarrafadas, já que esses produtos anunciam em seus rótulos baixos índices de flúor”, explica.

O nível ideal de flúor na água destinada à dissolução do leite em pó é abaixo de 0,2 mg/L. Segundo Marília, na maioria das amostras, os níveis encontrados nas análises estavam entre 0,01 e 2,04 mg/L. Valores diferentes dos informados nos rótulos foram encontrados em 88 amostras, o que equivale a 38%.

Durante o ano de 2006, os pesquisadores recolheram as amostras em cinco regiões da cidade de São Paulo, nas mercearias, bares, lanchonetes e supermercados que comercializam o produto. Foram 71 amostras na região norte, 34 na região sul, 43 na região leste, 25 na região oeste e 56 na área central.

“Já que as quantidades indicadas nos rótulos não condizem com a realidade, podemos deduzir que está existindo falha na fiscalização da Secretaria Municipal de Abastecimento, que é o órgão responsável no município”, adverte a pesquisadora.

Dentes estragados — Marília lembra que os altos níveis de flúor na água podem provocar o desenvolvimento da fluorose dentária. A doença, em casos de menor gravidade, caracteriza-se pelo aparecimento de manchas brancas nos dentes.

“Nos casos mais graves as manchas se tornam marrons e pode-se observar até mesmo alguns buracos nos dentes. Mas, diferentemente da cárie, a fluorose não chega a provocar dor”, explica a professora.

Marília acredita que o caso merece maior atenção, principalmente porque a fluorose pode atacar a criança no período de formação dentária, entre 1 e 7 anos de idade.

“Nos primeiros três anos, a doença pode atingir principalmente os dentes da frente”, lembra.

De acordo com a professora, recomenda-se a utilização das águas engarrafadas para diluição do leite, visto que, como o volume do produto consumido pelas crianças geralmente é grande, se for utilizada água de abastecimento fluoretada para diluição do leite em pó pode haver uma ingestão excessiva de flúor.

“Na cidade de São Paulo existe o que chamamos de heterocontrole, ou seja, a fiscalização dos teores de flúor adicionados à água de abastecimento público é feita por um órgão externo à companhia que fluoreta a água. Por conta disso, os níveis de flúor estão hoje entre 0,6 e 0,8 mg/L”, relata Marília.

A pesquisa envolveu seis pesquisadores, entre professores e estudantes de especialização e pós-graduação da FOB. Todas as análises foram realizadas nos laboratórios da instituição, em Bauru.

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LEIA TAMBÉM

ÁGUA: emissão de CO2

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ETANOL: política, estratégia e mais confusão  (GEOGRAFIA) escrito em quinta 10 abril 2008 16:22

Fritzner Cedon, Cortadores de Cana.

 

O ETANOL

DO BRASIL

 

É DO BEM OU É DO MAL?*

 

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Capturada de http://blog.wired.com/

 

Enquanto preparamos uma matéria realmente esclarecedora a respeito do etanol brasileiro e da produção de cana-de-açúcar, vamos observar como crescem as confusões a esse respeito, quais são as políticas públicas que estão sento preparadas para sanar essa bagunça de informação, e porque elas devem ser implementadas.

A matéria a seguir, veiculada pela BBC-Brasil, mostra um pouquinho do que está acontecendo com as informações sobre a produção de etanol que podem prejudicar o País com relação às exportações do produto. O ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, fala um pouco sobre o que o governo brasileiro pretende fazer para sanar esse problema.

 

Estratégia brasileira

para vender etanol 

para os europeus
  

Reportagem feita por Pablo Uchoa,
Brasil busca "estratégia" para reagir a críticas ao etanol
para a BBC Brasil em Haia

 

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Capiturada de veja.abril.com.br/blogs/reinaldo

 

Miguel Jorge diz

que Brasil quer responder

a ataques ao etanol

 

"Podemos aproveitar a ocasião e conversar com os emprsrios", afirmou. "Mas eles sabem de tudo isso. Sobretudo os empresários holandeses, que têm uma relação muito próxima com o Brasil."  

A pedido do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo brasileiro pretende criar uma estratégia para "responder" às críticas à produção de biocombustíveis que têm sido levantadas nos países europeus.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, disse que o governo planeja criar um grupo de trabalho formado pelos ministérios ligados ao etanol para "estabelecer uma estratégia permanente de comunicação" em defesa do produto, menina dos olhos do presidente Lula em viagens ao exterior.

"Aparentemente, começou uma estratégia de ataque ao biocombustível na Europa", disse o ministro, que acompanha a visita presidencial à Holanda e à República Checa. "E não tem muito sentido."

"Nós vamos estabelecer uma estratégia para que a gente possa responder a isso da melhor maneira possível", acrescentou Miguel Jorge.

A estratégia seria concebida por ministérios como o do Desenvolvimento e o da Agricultura, e executada por órgãos brasileiros no exterior, com a distribuição de obras explicativas sobre o etanol por embaixadas em diversos países.

 

Protecionismo

 

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Foto de Richard Hamilton Smith, milho para produção de etanol.
Um décimo de todo o milho crescido nos Estados Unidos é usado para produzir etanol.

 

Miguel Jorge disse que é "surpreendente" que as críticas ao etanol estejam sendo levantadas agora, "porque o processo não é novo".

"A questão do etanol vem sendo discutida há muito tempo e, em um determinado momento, aparecem relatórios e outras questões que até então não haviam aparecido", afirmou o ministro.

"Em minha opinião, é muito protecionismo", acrescentou. "Faz parte do protecionismo clássico europeu."

Mas Miguel Jorge ressaltou que a estratégia de comunicação:

"não é um contra-ataque". "Acho que são mais explicações", afirmou. "A gente precisa dar mais explicações."

O ministro disse que a criação do grupo de trabalho foi uma orientação dada pelo próprio presidente durante a viagem entre Brasília e Roterdã.

"Falamos disso no avião, e a orientação do presidente é essa", afirmou.

"Foi isso que o presidente pediu nessa viagem, que criássemos um grupo de trabalho para divulgar melhor (o etanol), ter um esforço permanente para atingir a opinião pública."

 

Trabalho escravo

 

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Trabalhadoras da cana-de-açúcar nos protesto de maio de 2006 na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto do site: www.theviewpoint.org/2007/04/photojournalism

 

A produção de etanol tem sido cada vez mais criticada por entidades e especialistas que alertam para os efeitos colaterais da produção de biocombustíveis.

Organizações como a FAO, o braço da ONU para os alimentos, dizem que utilizar colheitas de alimentos para produzir combustível ameaça o fornecimento de comida para as populações e, portanto, o combate à fome.

Já entidades ambientais alegam que os ganhos com a produção de biocombustíveis são anulados por uma suposta aceleração no processo de desmatamento.

Há, por fim, argumentos que sublinham as más condições de trabalho — às vezes, escrava — nas fazendas de cana-de-açúcar no Brasil.

"Todas essas questões não são novas. Inclusive melhoraram", rebateu o ministro, que, em seguida, listou seus argumentos.

"As condições de trabalho melhoraram. Tem um esforço da Única, a união das usinas de açúcar de São Paulo, que é a maior, de discutir com os sindicatos para melhorar e fazer ajustes de conduta para evitar esse problema, que acontece muito em regiões isoladas", afirmou Miguel Jorge.

"Você não vê esse problema nos chamados Estados mais desenvolvidos", acrescentou.

"O trabalho escravo, por exemplo, não ocorre em São Paulo, que é o maior produtor do mundo, pelo menos que a gente tenha conhecimento."

 

Fronteira agrícola

 

Para o ministro,

"a Europa desconhece o mundo todo e toma a situação em duas ou três fazendas no Estado do Pará, por exemplo, como uma questão do país inteiro."

Miguel Jorge disse que a questão do desmatamento levantada por alguns críticos "não tem nada a ver com a produção do etanol".

"Se você olhar o mapa do Brasil, as grandes áreas produtoras de cana-de-açúcar estão muito longe da fronteira agrícola do Brasil, e muito longe inclusive da Amazônia."

"No Brasil, a área utilizada pela pecuária, por exemplo, é de 20%. A cana usa menos de 4% do território", afirmou. "Só modernizando as áreas de pastagens e reduzindo a área utilizada, não precisaríamos usar área mais nenhuma no país (para plantar cana)."

Por outro lado, indicou o ministro, o uso do etanol reduz a poluição ambiental das grandes cidades, principalmente com a popularidade dos carros com tanque de combustível flexível.

"Eu não consigo imaginar (a sustentabilidade de) São Paulo com 6 milhões de veículos se 90% dos automóveis que entram em circulação na cidade não usassem álcool", comentou.

 

Etanol nacional

 

Mais complexa é a questão da substituição de plantações voltadas para a produção de alimentos por colheitas destinadas para a produção de biocombustível, já que este é um problema que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos.

"Mas, no Brasil, não há essa substituição",

disse o ministro. Miguel Jorge acrescentou que, no caso americano, cuja matéria-prima é o milho,

"eles usam um material mais caro de produzir e transformar e que, em termos de energia, é menos eficiente, porque precisa-se de mais energia para produzir combustível a partir do milho que da cana-de-açúcar".

Os comentários indicam que, se levar adiante a idéia da divulgação do etanol, o Brasil não deve procurar fazer uma defesa irrestrita do produto — aliando-se, por exemplo, aos Estados Unidos — e sim uma defesa do "etanol verde-amarelo".

O tema poderia entrar em conversas que o ministro terá com empresários ao longo dos dias em que permanecerá na Holanda. Tanto ele como o presidente Lula participarão de eventos empresariais para fomentar as boas relações bilaterais econômicas.

Mas o foco da visita não é a promoção dos biocombustíveis, e sim de oportunidades de investimento no Brasil em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lembrou o ministro.

 

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*USA-SE MAU OU MAL?
CLIQUE AQUI PARA SABER

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PARA SABER MAIS SOBRE O ETANOL,
LEIA TAMBÉM:

ETANOL BRASILEIRO, UGO CHÁVEZ E A POLÍTICA ENERGÉTICA DOS EUA

O QUE É O ETANOL

ETANOL: Uma questão multidisciplinar

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MALES: o bom uso do mal pelos maus e pelos de bem  (LINGUA PORTUGUESA) escrito em quinta 10 abril 2008 20:39

 

BOM MAU

BEM MAL

MELHOR PIOR

 

"O corpo é BOM para trabalhar.
Estar de BEM com ele é sinal de muita saúde."

 

"O corpo não é MAU para trabalhar.
Estar de MAL não é sinal de saúde"

 

MAL é o antônimo de BEM


MAU é o antônimo de BOM


  MAL   

é o: 

SUBSTANTIVO;

ADVÉRBIO; ou

CONJUNÇÃO

 

  MAU  

é sempre o:

ADJETIVO

 

O Manual de Redação e Estilo, de O Estado de São Paulo, escrito por Eduardo Lopes Martins Filho, na sua 3ª edição, de 1997, diz assim:

Adote esta regra prática:

mal opõe-se a bem e mau, a bom

Faça a substituição e ficará clara a forma correta:

mal-estar {#} bem-estar

mal-humorado  {#} bem-humorado

praticar o mal  {#} o bem

mau humor  {#} bom humor

mau cheiro  {#} bom cheiro

mau uso  {#} bom uso

nada de mau  {#} de bom

Exemplo com os dois casos:

A carta estava mal (bem) escrita {#} em mau (bom) português.

Siga a mesma norma no feminino:

malcriada {#} bem-criada

-criação {#} boa criação

fama {#} boa fama

mal-afamada {#} bem-afamada

 

  MALDIZER   

é VERBO

 

quando

  MAL  

PREFIXO

 

1 Mal exige hífen antes de vogal e h:

mal–agradecido,

mal–apessoado,

mal–educado,

mal–entendido,

mal–intencionado,

mal–ouvido,

mal–usar,

mal–humorado.

1.1 Nos demais casos:

malcasado,

malcheiroso,

maldormido,

maldisposto,

malfeito,

malgostoso,

malmandado,

malnascido,

malpassado,

malsucedido,

maltrabalhado,

malventuroso.

2 Álém das palavras acima, segue lista de todas as usam mal ligado a outro termo

mal-acabado
mal-acondicionado
mal-aconselhado
mal-acostumado
mal-adaptado
mal-afamado
mal-afeiçoado
mal-afortunado
mal-agourado
mal-agradecido
mal-ajambrado
mal-ajeitado
mal-amado
mal-amanhado
mal-apanhado
mal-apessoado
mal-apresentação
mal-apresentado
mala-preta
mal-armado
mal-arranjado
mal-arrumado
Malasartes
mala-sem-alça
Malásia
mal-assado
mal-assimilação
mal-assimilado
mal-assombrado
mal-assombramento
mal-assombro
mal-aventurado
Malavi
mal-avindo
mal-avisado
malbaratado
malcasado
malcheiroso
malcomido
malcomportado
malconceituado
malconduzido
malconformado
malconservado
malcozido
malcriado
malcuidado
maldisposto
Maldivas (ilhas)
maldizente
maldizer
maldormido
maldotado
malê
mal-educado
mal-e-mal
mal-empregado

mal-encarado
mal-enganado
mal-engraçado
mal-ensinado
mal-entendido
mal-estar
mal-estreado
malfadado
malfalado
malfalante
malfazejo
malfeito
malformação
malformado (cientificamente)
malgasto
Malgaxe (República)
malgostoso
malgovernado
malgrado
mal-habituado
mal-humorado
Mali (África)
má-língua
mal-intencionado
mallarmeano
malmandado
malmequer
Malmoe (Suécia)
malmontado
malnascido
mal-ordenado
mal-ouvido
malparado
malpassado
malposto
malprocedido
malproporcionado
malquerença
malquerer
malquisto
malservido
malsatisfeito
malseguro
malsentido
malservido
malsoante
malsofrido
malsonante
malsucedido
malthusiano
maltrabalhado
maltratado
mal-usado
mal-usar
malventuroso
malversação
malvist

2.1 Nas palavras não constantes da relação, use mal separado do segundo elemento:

mal editado,

mal preparado,

mal resolvido, etc.

3 Não confunda com os casos em que mal é sinônimo de doença:

mal-canadense,

mal-francês,

mal-polaco,

mal-turco.

Nota minha: 
Também tem as palavras que usam mau ligado a outro termo:

Com hífen:

mau-olhado

maus-tratos

mau-caráter

Sem hífen:

mau cheiro

mau gosto

mau grado (má vontade)

mau humor

má vontade

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LÍNGUA PORTUGUESA: palavras, expressões e origem  (LINGUA PORTUGUESA) escrito em sexta 11 abril 2008 00:58

Acima, Paulo Freire

A algumas

palavras,

expressões

e origem

Por Carlos Alberto Guimarães.
de Língua Portuguesa na Medicina, em: http://www.metodologia.org

A (ELEMENTO)
Este elemento nem sempre tem valor negativo. Ex.: acalmar resulta de “a” + “calma” + “ar”. Esse “a” vem do latim e indica idéia de aproximação, mudança de estado, transformação. Acalmar significa “tornar calmo o que não era”. O “a’” que significa negação vem do grego e se vê em palavras como analfabeto, analgésico, amoral, afônico, etc. Outro exemplo: afear, que resulta de a- + feio + ar (tornar feio). Afiar resulta de a- + fio + -ar e significa “dar fio a”, “tornar cortante”. (Cipro Neto P. Ao pé da letra. O Globo, 16.2.03)

O prefixo “a-” (ou “na-”) pode indicar negação ou privação (acéfalo – amoral – ateu – anestesia). Nem sempre o prefixo “a-” é negativo. Exs.: acalmar (a + calmo + ar), em que a- expressa idéia de mudança de estado, isto é, acalmar = tornar calmo. Afear (a + feio + ar), isto é, tornar feio. O povo parece preferir a forma “enfear” equivalente. Na linguagem literária, parece predominar “afear” (Cipro Neto P. Nossa língua em letra e música. São Paulo: EP&A; 2002. p.19)

A (PREPOSIÇÃO)
Existem estudos lingüísticos sobre o declínio da preposição “a” no português brasileiro, que tende a substitui-la, dependendo do contexto, por “em” (cheguei na cidade) ou “para” (disse para mim). Talvez o mesmo desprestígio explique seu sumiço em expressões como “daqui dez minutos” – embora ela apareça bem preservad em locuções equivalentes: ninguém troca “daqui a pouco” por “daqui pouco”. Não seria o primeiro caso de locução gramaticalmente capenga que vira expressão idiomática e se estabelece. (Rodrigues S. Língua Viva, JB, 15.12.02)

ABAIXAR vs. BAIXAR
No sentido de diminuir, fazer descer, reduzir, são sinônimos. Ex.: Baixar ou abaixar os preços. (Duarte, SN, JB, 24.5.98, p.14)

ABAIXO vs. A BAIXO
Abaixo (= embaixo, sob). Ex.: Sua classificação foi abaixo da minha. A baixo (= para baixo, até embaixo). Exs.: Eles puseram o apartamento a baixo. Ela me olhava de alto a baixo. (Duarte SN. Língua Viva. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil S.A., 1999)

ABAIXO-ASSINADO vs. ABAIXO ASSINADO
Abaixo-assinado é o documento assinado por muitas pessoas que reivindicam alguma coisa; o plural é abaixo-assinados. Ex.: Os alunos entregaram o abaixoassinado ao diretor da escola.

Abaixo assinado, indica a pessoa que assina o documento. Ex.:Sérgio Nogueira, abaixo assinado, vem solicitar a Vossa Senhoria que autorize... (Sérgio Nogueira Duarte - Língua Viva - JB, 30.8.98, p.16)

Emprega-se o hífen quando se trata do nome de um documento coleltivo, assinado por pessoas que reivindicam algo (Ex.: Os moradores entregaram ao governador um abaixo-assinado). O plural é abaixo-assinados. Escreve-se “abaixo assinado” quando se faz referência a cada uma das pessoas que assinam o documento (Ex. Fulano de Tal, abaixo assinado, reconhece que...) (Cipro Neto P. Ao pé da letra. JB. 20.6.04)

ABDOMENS vs. ABDÔMENES
Abdomens (mais usada) ou abdômenes como plurais da palavra abdômen (Niskier A. Na ponta da língua. O Dia, 5.11.00

À BEÇA
Caldas Aulete afirma: “Grafia fixada pelo Vocabulário da Academia Brasileira. Antes de 1943 escrevia-se à bessa, de Bessa, suposto antropônimo de um perdulário carioca”. Pelo jeito, o tal Bessa gastava tanto que virou referência: “Gastar à (moda de) Bessa”. É bom destacar a palavra “suposto”, presente na explicação de Aulete, que se encarrega de terminar o verbete assim: “Formação ignorada”. Não há certeza da origem, portanto. (Cipro Neto P. Ao pé da letra. O Globo, 14.5.00)

A expressão significa “em grande quantidade”. É atribuída aos muitos argumentos usados pelo jurista alagoano Gumercindo Bessa ao enfrentar Rui Barbosa em famosa disputa pela independência do então território do Acre, que seria incorporado ao estado do Amazonas. O primeiro a usar tal expressão foi Rodrigues Alves. Admirado com a eloqüência de um cidadão ao expor suas idéias, teria exclamado: O senhor tem argumentos à Bessa!. Com o tempo, o sobrenome famoso perdeu a inicial maiúscula e os dois “esses”foram substituídos por um “cê-cedilha”. (Duarte SN. Língua Viva. JB, 1.7.01)

ABERTURA INAUGURAL
Combinação que deve ser evitada em textos que mereçam linguagem mais cuidada.(Duarte SN. Língua Viva. JB. 29.4.01)

Por NONATO ALBUQUERQUE
do site Antena Paranóica

Snob
Chama-se SNOB a quem deseja aparentar uma maior posição social. No século XVII, a Universidade de Cambridge decidiu admitir alguns plebeus becados e para distingui-los do resto de alunos anotavam na matrícula a expressão "sine nobilitas" (sem nobreza, em latim). Posteriormente foram abreviando o termo.

Slogan
É um termo inglês que, por sua vez, provém do gálico e sua forma original é o "slaugh claim" (grito de combate) das velhas clãs escocêsas.

Sandwich
John Montagu (1718-1792) quarto conde de Sandwich (Inglaterra) era um jogador empedernido e passava muitas horas diante da mesa de jogo. Um dia, na hora da refeição, estava tão entretido com jogo que pediu ao seu serviçal que lhe trouxesse "qualquer coisa para comer ali mesmo". De pronto, o criado se apresentou com uma bandeja de alimentos. O conde, sem abandonar seu posto, corou uma fatias "roast beef", as colocou entre rabanadas de pão e comeu o emparedado sem interromper o jogo. Tão orgulhoso se sentia lord Sandwich de sua criação que não duvidou em mencioná-la no seu seu testamento, como o melhor legado que deixava a seu país.

OK
Durante a guerra civil nos Estados Unidos, quando regressavam as tropas a seus quartéis sem ter nenhuma baixa, punham numa grande lousa '0 Killed' (zero mortos). Daí provém a expressão 'O.K.' para dizer que tudo está bem.

Gringo
Há várias versões. Uma delas diz que na guerra entre México e Estados Unidos em 1847, os norte-americanos vestiam um uniforme verde e os mexicanos lhes gritavam: "green go home" (verdes vão embora).

@
Na Idade Média se usava como abreviatura da preposição "ad" (em/na). Nos primeiros sistemas de correio eletrônico @ foi utilizado por vários motivos: porque era um sinal muito reconhecível, porque já se usava na informática e porque estava nos conjuntos básicos de caracteres. Assim, "fulano@acme.com" se lê "Fulano em/na companhia acme". (Ver mais explicação abaixo)

Por os pingos nos íis
Quando no século XVI se adotaram os caracteres góticos era fácil que dois "íis" se confundivam com um "u". Para evitar isso, colocavam uns acentos sobre elas e o costume se estendeu até o "i" simples.

S.O.S
Em 1912 (tres meses depois do afundamento do Titanic), as letras "SOS" foram instituídas como a chamada internacional de auxilio. A Organização Marítima Internacional informou que as letras não são abreviatura da frase "Save Our Souls" (Salvem Nossas Almas), nem têm outro significado especial. Os "três pontos-três linhas-três pontos" (· · · - - - · · ·) "são fáceis de recordar e de transmitir em Código Morse onde S=". . ." e O="- - -".

Fuck
Na antiga Inglaterra as pessoas não podiam fazer sexo sem contar com o consentimento do rei (a menos que se tratasse de um membro da família real). Quando alguém queria ter um filho devia solicitar uma permissão ao monarca, que lhes entregava uma placa que devia ser colocada fora da casa, na porta da rua, enquanto tinham relações. A placa dizia: "Fornication Under Consent of the King" (F.U.C.K.). Essa é a origem dessa expressão inglesa. 

Por REINALDO PIMENTA
do livro A casa da mãe Joana. Rio de Janeiro: Campus; 2002.

Alhos e bugalhos
Alho (do latim alliu) todo o mundo sabe o que é. Bugalho é uma excrescência arredondada que aparece nas folhas de certas árvores. Esbugalhar é arrancar os bugalhos, que parecem pequenas esferas. Por analogia, ganhou o sentido de abrir muito os olhos, como se eles fossem saltar das órbitas. A assonância e a rima de alhos com bugalhos motivou a expressão “misturar alhos com bugalhos”, confundir coisas semelhantes mas distintas.

Berlinda
Berlinda é um pequeno coche de quatro rodas. A palavra veio do francês berline, do nome da cidade de Berlim, onde o veículo entrou na moda no século XVII. Berline deveria dar, em português, berlina, mas ficou berlinda por influência de “linda”.
E a expressão estar na berlinda (ser alvo de comentários)? Nada a ver com o coche. Berlinda aí veio do italiano berlina, zombaria.

Canela - Esticar a canela
Segundo a crendice popular, à meia-noite o defunto se estica. Na verdade, isso é só uma impressão, que parece truque de mágico: o que acontece de fato é que, depois de algum tempo, os pés do morto se distendem para dentro e para baixo. Claro, sem hora marcada. Meia-noite apareceu na crendice por ser uma hora cabalística.

Dia D
É como ficou conhecido o dia 6 de junho de 1944, data da invasão da Europa pelos aliados na Segunda Guerra Mundial. Mas, muito antes disso, a expressão já era empregada militarmente. Dia D designa o marco do início de alguma operação militar. O “D” é usado simplesmente por ser a letra inicial da palavra dia (day, em inglês). Já os franceses usam a expressão le jour J.

É o mesmo caso da expressão hora H. “Mês M” não existe, mas poderia ser aplicado àquele mês em que tudo deu errado.

Elefante branco
No antigo Sião (hoje Tailândia), quando o rei antipatizava com um cortesão, presenteava-o com um elefante branco, que era um animal sagrado. A vítima evidentemente não podia cometer a grosseria de recusar um mimo real. E, assim, ficava com a obrigação de cuidar do animal, cujo porte, apetite e longevidade arruínam qualquer um que não seja dono de circo. Pior, o elefante tinha de ser enfeitado e mantido com soberbo aspecto para não irritar o rei, que fazia visitas de surpresa para pessoalmente fiscalizar o tratamento dispensado ao seu presente. Dizem que, quando o cortesão era muito, muito chato, o rei brindava-o com gêmeos.

A expressão ficou com o sentido de presente incômodo e ganhou popularidade a partir do século XVIII, com a comédia francesa “L’Elephant du Roi du Siam”, de Ferdinand Lalou, transformada em opereta por Albert Henry Monnier e De Groot.

@
Os copistas medievais (ver “e comercial”), com o mesmo recurso de entrelaçamento de duas letras, criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina ad (“em casa de”). Após a imprensa, o símbolo continuou a ser empregado nos livros de contabilidade. P.ex., o registro contábil
10@£3 significava “10 unidades ao preço de 3 libras cada uma”. Nessa época, o símbolo @ já ficou conhecido, em inglês, como at (a ou em). No século 19, os espanhóis, desconhecendo o sentido atribuído pelos ingleses, acharam que o símbolo seria uma unidade de peso (a unidade de peso comom para os espanhóis era a arroba, cujo “a” inicial lembra a forma do símbolo). Assim, os espanhóis interpretavam “10@£3” como “10 arrobas custando 3 libras cada uma”. Então, o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para representar a arroba. Arroba veio do árabe ar-ruba (“a quarta parte): a arroba (15 kg) correspondia a ¼ de uma outra unidade de medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,k758 kg). As máquinas de escrever começaram a ser come rcializadas em 1874, nos EUA. O teclado tinha o símbolo comercial @. Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico (e-mail), Ray Tomlinson aproveitou o sentido do símbolo “@” (at), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Em diversos idiomas, o símbolo @ ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma: em italiano, chiocciola (caracol); em sueco, snabel (tromba de elefante); em alemão, Klammeraffe (rabo de macaco); em holandês, apestaart (rabo de macaco); em outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus.

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COLABORAÇÃO
Consultoria Acadêmica

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