LÍNGUA PORTUGUESA: palavras, expressões e origem  (LINGUA PORTUGUESA) escrito em sexta 11 abril 2008 00:58

@, alhos e bugalhos, arroba, à beça, baixar ou abaixar, berlinda, consultoria acadêmica, dia d, elefante branco, esticar a canela, estudo lingüístico, expressão, fuck, gringo, hora h, ok, palavras, pingos nos íis, s.o.s, sandwich, slogan, snob

 

A algumas
palavras, expressões
e origem


Por Carlos Alberto Guimarães.
de Língua Portuguesa na Medicina, em: http://www.metodologia.org

A (ELEMENTO)
Este elemento nem sempre tem valor negativo. Ex.: acalmar resulta de “a” + “calma” + “ar”. Esse “a” vem do latim e indica idéia de aproximação, mudança de estado, transformação. Acalmar significa “tornar calmo o que não era”. O “a’” que significa negação vem do grego e se vê em palavras como analfabeto, analgésico, amoral, afônico, etc. Outro exemplo: afear, que resulta de a- + feio + ar (tornar feio). Afiar resulta de a- + fio + -ar e significa “dar fio a”, “tornar cortante”. (Cipro Neto P. Ao pé da letra. O Globo, 16.2.03)

O prefixo “a-” (ou “na-”) pode indicar negação ou privação (acéfalo – amoral – ateu – anestesia). Nem sempre o prefixo “a-” é negativo. Exs.: acalmar (a + calmo + ar), em que a- expressa idéia de mudança de estado, isto é, acalmar = tornar calmo. Afear (a + feio + ar), isto é, tornar feio. O povo parece preferir a forma “enfear” equivalente. Na linguagem literária, parece predominar “afear” (Cipro Neto P. Nossa língua em letra e música. São Paulo: EP&A; 2002. p.19)

A (PREPOSIÇÃO)
Existem estudos lingüísticos sobre o declínio da preposição “a” no português brasileiro, que tende a substitui-la, dependendo do contexto, por “em” (cheguei na cidade) ou “para” (disse para mim). Talvez o mesmo desprestígio explique seu sumiço em expressões como “daqui dez minutos” – embora ela apareça bem preservad em locuções equivalentes: ninguém troca “daqui a pouco” por “daqui pouco”. Não seria o primeiro caso de locução gramaticalmente capenga que vira expressão idiomática e se estabelece. (Rodrigues S. Língua Viva, JB, 15.12.02)

ABAIXAR vs. BAIXAR
No sentido de diminuir, fazer descer, reduzir, são sinônimos. Ex.: Baixar ou abaixar os preços. (Duarte, SN, JB, 24.5.98, p.14)

ABAIXO vs. A BAIXO
Abaixo (= embaixo, sob). Ex.: Sua classificação foi abaixo da minha. A baixo (= para baixo, até embaixo). Exs.: Eles puseram o apartamento a baixo. Ela me olhava de alto a baixo. (Duarte SN. Língua Viva. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil S.A., 1999)

ABAIXO-ASSINADO vs. ABAIXO ASSINADO
Abaixo-assinado é o documento assinado por muitas pessoas que reivindicam alguma coisa; o plural é abaixo-assinados. Ex.: Os alunos entregaram o abaixoassinado ao diretor da escola.

Abaixo assinado, indica a pessoa que assina o documento. Ex.:Sérgio Nogueira, abaixo assinado, vem solicitar a Vossa Senhoria que autorize... (Sérgio Nogueira Duarte - Língua Viva - JB, 30.8.98, p.16)

Emprega-se o hífen quando se trata do nome de um documento coleltivo, assinado por pessoas que reivindicam algo (Ex.: Os moradores entregaram ao governador um abaixo-assinado). O plural é abaixo-assinados. Escreve-se “abaixo assinado” quando se faz referência a cada uma das pessoas que assinam o documento (Ex. Fulano de Tal, abaixo assinado, reconhece que...) (Cipro Neto P. Ao pé da letra. JB. 20.6.04)

ABDOMENS vs. ABDÔMENES
Abdomens (mais usada) ou abdômenes como plurais da palavra abdômen (Niskier A. Na ponta da língua. O Dia, 5.11.00

À BEÇA
Caldas Aulete afirma: “Grafia fixada pelo Vocabulário da Academia Brasileira. Antes de 1943 escrevia-se à bessa, de Bessa, suposto antropônimo de um perdulário carioca”. Pelo jeito, o tal Bessa gastava tanto que virou referência: “Gastar à (moda de) Bessa”. É bom destacar a palavra “suposto”, presente na explicação de Aulete, que se encarrega de terminar o verbete assim: “Formação ignorada”. Não há certeza da origem, portanto. (Cipro Neto P. Ao pé da letra. O Globo, 14.5.00)

A expressão significa “em grande quantidade”. É atribuída aos muitos argumentos usados pelo jurista alagoano Gumercindo Bessa ao enfrentar Rui Barbosa em famosa disputa pela independência do então território do Acre, que seria incorporado ao estado do Amazonas. O primeiro a usar tal expressão foi Rodrigues Alves. Admirado com a eloqüência de um cidadão ao expor suas idéias, teria exclamado: O senhor tem argumentos à Bessa!. Com o tempo, o sobrenome famoso perdeu a inicial maiúscula e os dois “esses”foram substituídos por um “cê-cedilha”. (Duarte SN. Língua Viva. JB, 1.7.01)

ABERTURA INAUGURAL
Combinação que deve ser evitada em textos que mereçam linguagem mais cuidada.(Duarte SN. Língua Viva. JB. 29.4.01)

Por NONATO ALBUQUERQUE
do site Antena Paranóica

Snob
Chama-se SNOB a quem deseja aparentar uma maior posição social. No século XVII, a Universidade de Cambridge decidiu admitir alguns plebeus becados e para distingui-los do resto de alunos anotavam na matrícula a expressão "sine nobilitas" (sem nobreza, em latim). Posteriormente foram abreviando o termo.

Slogan
É um termo inglês que, por sua vez, provém do gálico e sua forma original é o "slaugh claim" (grito de combate) das velhas clãs escocêsas.

Sandwich
John Montagu (1718-1792) quarto conde de Sandwich (Inglaterra) era um jogador empedernido e passava muitas horas diante da mesa de jogo. Um dia, na hora da refeição, estava tão entretido com jogo que pediu ao seu serviçal que lhe trouxesse "qualquer coisa para comer ali mesmo". De pronto, o criado se apresentou com uma bandeja de alimentos. O conde, sem abandonar seu posto, corou uma fatias "roast beef", as colocou entre rabanadas de pão e comeu o emparedado sem interromper o jogo. Tão orgulhoso se sentia lord Sandwich de sua criação que não duvidou em mencioná-la no seu seu testamento, como o melhor legado que deixava a seu país.

OK
Durante a guerra civil nos Estados Unidos, quando regressavam as tropas a seus quartéis sem ter nenhuma baixa, punham numa grande lousa '0 Killed' (zero mortos). Daí provém a expressão 'O.K.' para dizer que tudo está bem.

Gringo
Há várias versões. Uma delas diz que na guerra entre México e Estados Unidos em 1847, os norte-americanos vestiam um uniforme verde e os mexicanos lhes gritavam: "green go home" (verdes vão embora).

@
Na Idade Média se usava como abreviatura da preposição "ad" (em/na). Nos primeiros sistemas de correio eletrônico @ foi utilizado por vários motivos: porque era um sinal muito reconhecível, porque já se usava na informática e porque estava nos conjuntos básicos de caracteres. Assim, "fulano@acme.com" se lê "Fulano em/na companhia acme". (Ver mais explicação abaixo)

Por os pingos nos íis
Quando no século XVI se adotaram os caracteres góticos era fácil que dois "íis" se confundivam com um "u". Para evitar isso, colocavam uns acentos sobre elas e o costume se estendeu até o "i" simples.

S.O.S
Em 1912 (tres meses depois do afundamento do Titanic), as letras "SOS" foram instituídas como a chamada internacional de auxilio. A Organização Marítima Internacional informou que as letras não são abreviatura da frase "Save Our Souls" (Salvem Nossas Almas), nem têm outro significado especial. Os "três pontos-três linhas-três pontos" (· · · - - - · · ·) "são fáceis de recordar e de transmitir em Código Morse onde S=". . ." e O="- - -".

Fuck
Na antiga Inglaterra as pessoas não podiam fazer sexo sem contar com o consentimento do rei (a menos que se tratasse de um membro da família real). Quando alguém queria ter um filho devia solicitar uma permissão ao monarca, que lhes entregava uma placa que devia ser colocada fora da casa, na porta da rua, enquanto tinham relações. A placa dizia: "Fornication Under Consent of the King" (F.U.C.K.). Essa é a origem dessa expressão inglesa. 

Por REINALDO PIMENTA
do livro A casa da mãe Joana. Rio de Janeiro: Campus; 2002.

Alhos e bugalhos
Alho (do latim alliu) todo o mundo sabe o que é. Bugalho é uma excrescência arredondada que aparece nas folhas de certas árvores. Esbugalhar é arrancar os bugalhos, que parecem pequenas esferas. Por analogia, ganhou o sentido de abrir muito os olhos, como se eles fossem saltar das órbitas. A assonância e a rima de alhos com bugalhos motivou a expressão “misturar alhos com bugalhos”, confundir coisas semelhantes mas distintas.

Berlinda
Berlinda é um pequeno coche de quatro rodas. A palavra veio do francês berline, do nome da cidade de Berlim, onde o veículo entrou na moda no século XVII. Berline deveria dar, em português, berlina, mas ficou berlinda por influência de “linda”.
E a expressão estar na berlinda (ser alvo de comentários)? Nada a ver com o coche. Berlinda aí veio do italiano berlina, zombaria.

Canela - Esticar a canela
Segundo a crendice popular, à meia-noite o defunto se estica. Na verdade, isso é só uma impressão, que parece truque de mágico: o que acontece de fato é que, depois de algum tempo, os pés do morto se distendem para dentro e para baixo. Claro, sem hora marcada. Meia-noite apareceu na crendice por ser uma hora cabalística.

Dia D
É como ficou conhecido o dia 6 de junho de 1944, data da invasão da Europa pelos aliados na Segunda Guerra Mundial. Mas, muito antes disso, a expressão já era empregada militarmente. Dia D designa o marco do início de alguma operação militar. O “D” é usado simplesmente por ser a letra inicial da palavra dia (day, em inglês). Já os franceses usam a expressão le jour J.

É o mesmo caso da expressão hora H. “Mês M” não existe, mas poderia ser aplicado àquele mês em que tudo deu errado.

Elefante branco
No antigo Sião (hoje Tailândia), quando o rei antipatizava com um cortesão, presenteava-o com um elefante branco, que era um animal sagrado. A vítima evidentemente não podia cometer a grosseria de recusar um mimo real. E, assim, ficava com a obrigação de cuidar do animal, cujo porte, apetite e longevidade arruínam qualquer um que não seja dono de circo. Pior, o elefante tinha de ser enfeitado e mantido com soberbo aspecto para não irritar o rei, que fazia visitas de surpresa para pessoalmente fiscalizar o tratamento dispensado ao seu presente. Dizem que, quando o cortesão era muito, muito chato, o rei brindava-o com gêmeos.

A expressão ficou com o sentido de presente incômodo e ganhou popularidade a partir do século XVIII, com a comédia francesa “L’Elephant du Roi du Siam”, de Ferdinand Lalou, transformada em opereta por Albert Henry Monnier e De Groot.

@
Os copistas medievais (ver “e comercial”), com o mesmo recurso de entrelaçamento de duas letras, criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina ad (“em casa de”). Após a imprensa, o símbolo continuou a ser empregado nos livros de contabilidade. P.ex., o registro contábil
10@£3 significava “10 unidades ao preço de 3 libras cada uma”. Nessa época, o símbolo @ já ficou conhecido, em inglês, como at (a ou em). No século 19, os espanhóis, desconhecendo o sentido atribuído pelos ingleses, acharam que o símbolo seria uma unidade de peso (a unidade de peso comom para os espanhóis era a arroba, cujo “a” inicial lembra a forma do símbolo). Assim, os espanhóis interpretavam “10@£3” como “10 arrobas custando 3 libras cada uma”. Então, o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para representar a arroba. Arroba veio do árabe ar-ruba (“a quarta parte): a arroba (15 kg) correspondia a ¼ de uma outra unidade de medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,k758 kg). As máquinas de escrever começaram a ser come rcializadas em 1874, nos EUA. O teclado tinha o símbolo comercial @. Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico (e-mail), Ray Tomlinson aproveitou o sentido do símbolo “@” (at), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Em diversos idiomas, o símbolo @ ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma: em italiano, chiocciola (caracol); em sueco, snabel (tromba de elefante); em alemão, Klammeraffe (rabo de macaco); em holandês, apestaart (rabo de macaco); em outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

COLABORAÇÃO
Consultoria Acadêmica

Blog de turma : imagens nossas, 2

Faça um comentário!

Para conhecer você melhor (Opcional) :

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (38.103.63.62) para se identificar

Nenhum comentário
LÍNGUA PORTUGUESA: palavras, expressões e origem