A algumas
palavras, expressões
e origem
Por Carlos Alberto
Guimarães.
de Língua Portuguesa na Medicina, em:
http://www.metodologia.org
A
(ELEMENTO)
Este elemento nem sempre tem valor negativo. Ex.: acalmar
resulta de “a” + “calma” +
“ar”. Esse “a” vem do latim e indica
idéia de aproximação, mudança de
estado, transformação. Acalmar significa
“tornar calmo o que não era”. O
“a’” que significa negação vem do
grego e se vê em palavras como analfabeto, analgésico,
amoral, afônico, etc. Outro exemplo: afear, que resulta de a-
+ feio + ar (tornar feio). Afiar resulta de a- + fio + -ar e
significa “dar fio a”, “tornar cortante”.
(Cipro Neto P. Ao pé da letra. O Globo, 16.2.03)
O prefixo “a-” (ou “na-”) pode indicar negação ou privação (acéfalo – amoral – ateu – anestesia). Nem sempre o prefixo “a-” é negativo. Exs.: acalmar (a + calmo + ar), em que a- expressa idéia de mudança de estado, isto é, acalmar = tornar calmo. Afear (a + feio + ar), isto é, tornar feio. O povo parece preferir a forma “enfear” equivalente. Na linguagem literária, parece predominar “afear” (Cipro Neto P. Nossa língua em letra e música. São Paulo: EP&A; 2002. p.19)
A
(PREPOSIÇÃO)
Existem estudos lingüísticos sobre
o declínio da preposição “a” no
português brasileiro, que tende a substitui-la, dependendo do
contexto, por “em” (cheguei na cidade) ou
“para” (disse para mim). Talvez o mesmo
desprestígio explique seu sumiço em expressões
como “daqui dez minutos” – embora ela
apareça bem preservad em locuções
equivalentes: ninguém troca “daqui a pouco” por
“daqui pouco”. Não seria o primeiro caso de
locução gramaticalmente capenga que vira
expressão idiomática e se estabelece. (Rodrigues S.
Língua Viva, JB, 15.12.02)
ABAIXAR vs.
BAIXAR
No sentido de diminuir, fazer descer, reduzir, são
sinônimos. Ex.: Baixar ou abaixar os preços. (Duarte,
SN, JB, 24.5.98, p.14)
ABAIXO vs. A
BAIXO
Abaixo (= embaixo, sob). Ex.: Sua classificação foi
abaixo da minha. A baixo (= para baixo, até embaixo). Exs.:
Eles puseram o apartamento a baixo. Ela me olhava de alto a baixo.
(Duarte SN. Língua Viva. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil
S.A., 1999)
ABAIXO-ASSINADO
vs. ABAIXO ASSINADO
Abaixo-assinado é o documento assinado por muitas pessoas
que reivindicam alguma coisa; o plural é abaixo-assinados.
Ex.: Os alunos entregaram o abaixoassinado ao diretor da
escola.
Abaixo assinado, indica a pessoa que assina o documento. Ex.:Sérgio Nogueira, abaixo assinado, vem solicitar a Vossa Senhoria que autorize... (Sérgio Nogueira Duarte - Língua Viva - JB, 30.8.98, p.16)
Emprega-se o hífen quando se trata do nome de um documento coleltivo, assinado por pessoas que reivindicam algo (Ex.: Os moradores entregaram ao governador um abaixo-assinado). O plural é abaixo-assinados. Escreve-se “abaixo assinado” quando se faz referência a cada uma das pessoas que assinam o documento (Ex. Fulano de Tal, abaixo assinado, reconhece que...) (Cipro Neto P. Ao pé da letra. JB. 20.6.04)
ABDOMENS vs.
ABDÔMENES
Abdomens (mais usada) ou abdômenes como plurais da palavra
abdômen (Niskier A. Na ponta da língua. O Dia,
5.11.00
À
BEÇA
Caldas Aulete afirma: “Grafia fixada pelo Vocabulário
da Academia Brasileira. Antes de 1943 escrevia-se à bessa,
de Bessa, suposto antropônimo de um perdulário
carioca”. Pelo jeito, o tal Bessa gastava tanto que virou
referência: “Gastar à (moda de) Bessa”.
É bom destacar a palavra “suposto”, presente na
explicação de Aulete, que se encarrega de terminar o
verbete assim: “Formação ignorada”.
Não há certeza da origem, portanto. (Cipro Neto P. Ao
pé da letra. O Globo, 14.5.00)
A expressão significa “em grande quantidade”. É atribuída aos muitos argumentos usados pelo jurista alagoano Gumercindo Bessa ao enfrentar Rui Barbosa em famosa disputa pela independência do então território do Acre, que seria incorporado ao estado do Amazonas. O primeiro a usar tal expressão foi Rodrigues Alves. Admirado com a eloqüência de um cidadão ao expor suas idéias, teria exclamado: O senhor tem argumentos à Bessa!. Com o tempo, o sobrenome famoso perdeu a inicial maiúscula e os dois “esses”foram substituídos por um “cê-cedilha”. (Duarte SN. Língua Viva. JB, 1.7.01)
ABERTURA
INAUGURAL
Combinação que deve ser evitada em textos que
mereçam linguagem mais cuidada.(Duarte SN. Língua
Viva. JB. 29.4.01)
Por
NONATO ALBUQUERQUE
do site Antena Paranóica
Snob
Chama-se SNOB a quem deseja aparentar uma maior
posição social. No século XVII, a Universidade
de Cambridge decidiu admitir alguns plebeus becados e para
distingui-los do resto de alunos anotavam na matrícula a
expressão "sine nobilitas" (sem nobreza, em latim).
Posteriormente foram abreviando o termo.
Slogan
É um termo inglês que, por sua vez, provém do
gálico e sua forma original é o "slaugh claim" (grito
de combate) das velhas clãs escocêsas.
Sandwich
John Montagu (1718-1792) quarto conde de Sandwich (Inglaterra) era
um jogador empedernido e passava muitas horas diante da mesa de
jogo. Um dia, na hora da refeição, estava
tão entretido com jogo que pediu ao seu serviçal
que lhe trouxesse "qualquer coisa para comer ali mesmo". De pronto,
o criado se apresentou com uma bandeja de alimentos. O conde, sem
abandonar seu posto, corou uma fatias "roast beef", as colocou
entre rabanadas de pão e comeu o emparedado sem interromper
o jogo. Tão orgulhoso se sentia lord Sandwich de sua
criação que não duvidou em mencioná-la
no seu seu testamento, como o melhor legado que deixava a seu
país.
OK
Durante a guerra civil nos Estados Unidos, quando regressavam as
tropas a seus quartéis sem ter nenhuma baixa, punham numa
grande lousa '0 Killed' (zero mortos). Daí provém a
expressão 'O.K.' para dizer que tudo está bem.
Gringo
Há várias versões. Uma delas diz que na guerra
entre México e Estados Unidos em 1847, os norte-americanos
vestiam um uniforme verde e os mexicanos lhes gritavam: "green go
home" (verdes vão embora).
@
Na Idade Média se usava como abreviatura da
preposição "ad" (em/na). Nos primeiros sistemas de
correio eletrônico @ foi utilizado por vários motivos:
porque era um sinal muito reconhecível, porque já se
usava na informática e porque estava nos conjuntos
básicos de caracteres. Assim, "fulano@acme.com" se lê
"Fulano em/na companhia acme". (Ver mais
explicação abaixo)
Por os pingos nos
íis
Quando no século XVI se adotaram os caracteres
góticos era fácil que dois "íis" se
confundivam com um "u". Para evitar isso, colocavam uns acentos
sobre elas e o costume se estendeu até o "i" simples.
S.O.S
Em 1912 (tres meses depois do afundamento do Titanic), as letras
"SOS" foram instituídas como a chamada internacional de
auxilio. A Organização Marítima Internacional
informou que as letras não são abreviatura da frase
"Save Our Souls" (Salvem Nossas Almas), nem têm outro
significado especial. Os "três pontos-três
linhas-três pontos" (· · · - - -
· · ·) "são fáceis de recordar e
de transmitir em Código Morse onde S=". . ." e O="- -
-".
Fuck
Na antiga Inglaterra as pessoas não podiam fazer sexo sem
contar com o consentimento do rei (a menos que se tratasse de um
membro da família real). Quando alguém queria ter um
filho devia solicitar uma permissão ao monarca, que lhes
entregava uma placa que devia ser colocada fora da casa, na porta
da rua, enquanto tinham relações. A placa dizia:
"Fornication Under Consent of the King" (F.U.C.K.). Essa é a
origem dessa expressão
inglesa.
Por REINALDO
PIMENTA
do livro A casa da mãe Joana. Rio de Janeiro: Campus;
2002.
Alhos e
bugalhos
Alho (do latim alliu) todo o mundo sabe o que é. Bugalho
é uma excrescência arredondada que aparece nas folhas
de certas árvores. Esbugalhar é arrancar os bugalhos,
que parecem pequenas esferas. Por analogia, ganhou o sentido de
abrir muito os olhos, como se eles fossem saltar das
órbitas. A assonância e a rima de alhos com bugalhos
motivou a expressão “misturar alhos com
bugalhos”, confundir coisas semelhantes mas
distintas.
Berlinda
Berlinda é um pequeno coche de quatro rodas. A palavra veio
do francês berline, do nome da cidade de Berlim, onde o
veículo entrou na moda no século XVII. Berline
deveria dar, em português, berlina, mas ficou berlinda por
influência de “linda”.
E a expressão estar na berlinda (ser alvo de
comentários)? Nada a ver com o coche. Berlinda aí
veio do italiano berlina, zombaria.
Canela - Esticar a
canela
Segundo a crendice popular, à meia-noite o defunto se
estica. Na verdade, isso é só uma impressão,
que parece truque de mágico: o que acontece de fato é
que, depois de algum tempo, os pés do morto se distendem
para dentro e para baixo. Claro, sem hora marcada. Meia-noite
apareceu na crendice por ser uma hora
cabalística.
Dia
D
É como ficou conhecido o dia 6 de junho de 1944, data da
invasão da Europa pelos aliados na Segunda Guerra Mundial.
Mas, muito antes disso, a expressão já era empregada
militarmente. Dia D designa o marco do início de alguma
operação militar. O “D” é usado
simplesmente por ser a letra inicial da palavra dia (day, em
inglês). Já os franceses usam a expressão le
jour J.
É o mesmo caso da expressão hora H. “Mês M” não existe, mas poderia ser aplicado àquele mês em que tudo deu errado.
Elefante
branco
No antigo Sião (hoje Tailândia), quando o rei
antipatizava com um cortesão, presenteava-o com um elefante
branco, que era um animal sagrado. A vítima evidentemente
não podia cometer a grosseria de recusar um mimo real. E,
assim, ficava com a obrigação de cuidar do animal,
cujo porte, apetite e longevidade arruínam qualquer um que
não seja dono de circo. Pior, o elefante tinha de ser
enfeitado e mantido com soberbo aspecto para não irritar o
rei, que fazia visitas de surpresa para pessoalmente fiscalizar o
tratamento dispensado ao seu presente. Dizem que, quando o
cortesão era muito, muito chato, o rei brindava-o com
gêmeos.
A expressão ficou com o sentido de presente incômodo e ganhou popularidade a partir do século XVIII, com a comédia francesa “L’Elephant du Roi du Siam”, de Ferdinand Lalou, transformada em opereta por Albert Henry Monnier e De Groot.
@
Os copistas medievais (ver “e comercial”), com o mesmo
recurso de entrelaçamento de duas letras, criaram o
símbolo @ para substituir a preposição latina
ad (“em casa de”). Após a imprensa, o
símbolo continuou a ser empregado nos livros de
contabilidade. P.ex., o registro contábil 10@£3 significava “10 unidades ao preço de 3
libras cada uma”. Nessa época, o símbolo @
já ficou conhecido, em inglês, como at (a ou em). No
século 19, os espanhóis, desconhecendo o sentido
atribuído pelos ingleses, acharam que o símbolo seria
uma unidade de peso (a unidade de peso comom para os
espanhóis era a arroba, cujo “a” inicial lembra
a forma do símbolo). Assim, os espanhóis
interpretavam “10@£3” como “10 arrobas custando 3 libras cada
uma”. Então, o símbolo @ passou a ser usado
pelos espanhóis para representar a arroba. Arroba veio do
árabe ar-ruba (“a quarta parte): a arroba (15 kg)
correspondia a ¼ de uma outra unidade de medida de origem
árabe (quintar), o quintal (58,k758 kg). As máquinas
de escrever começaram a ser come rcializadas em 1874, nos
EUA. O teclado tinha o símbolo comercial @. Em 1972, ao
desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico
(e-mail), Ray Tomlinson aproveitou o sentido do símbolo
“@” (at), disponível no teclado, e utilizou-o
entre o nome do usuário e o nome do provedor. Em diversos
idiomas, o símbolo @ ficou com o nome de alguma coisa
parecida com sua forma: em italiano, chiocciola (caracol); em
sueco, snabel (tromba de elefante); em alemão, Klammeraffe
(rabo de macaco); em holandês, apestaart (rabo de macaco); em
outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel,
em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários
países europeus.
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COLABORAÇÃO
Consultoria
Acadêmica

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