HÍFEN: quando devemos hifenizar as palavras compostas?  (LINGUA PORTUGUESA) escrito em domingo 06 abril 2008 07:14

acentuacao, adjetivo, ante, anti, arqui, enclítico, exceção, forma verbal, hifen, independencia fonética, locuções, mesoclítico, morfologica, palavras compostas, prefixo, pronome, pronúncia, semântica, sentido, supra, unidade de sentido, vocábulo, vogal

 Kay Sage.Hyphen, 1954
 

O USO DO HÍFEN

 

Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que:

- se mantém a noção da composição, isto é, os elementos das palavras compostas que mantêm a sua independência fonética;

- conservando cada um a sua própria acentuação;

- porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido.

Dentro dêsse princípio, deve-se empregar o hífen nos seguintes casos:

1.º Nas palavras compostas em que os elementos, com a sua acentuação própria, não conservam, considerados isoladamente, a sua significação, mas:

o conjunto constitui uma unidade semântica:

Ex: água-marinha, arco-íris, galinha-d’água, couve-flor, guarda-pó, péde- meia (mealheiro; pecúlio), pára-choque, porta-chapéus, etc.

OBSERVAÇÃO 1.ª
Incluem-se nesta norma os compostos em que figuram elementos fonèticamente reduzidos.

Ex: bel-prazer, és-sueste, mal-pecado, su-sueste, etc.

OBSERVAÇÃO 2.ª
O antigo artigo el, sem embargo de haver perdido o seu primitivo sentido e não ter vida à parte na língua, une-se por hífen ao substantivo rei, por ter este elemento evidência semântica.

OBSERVAÇÃO 3.ª
Quando se perde a noção do composto, quase sempre em razão de um dos elementos não ter vida própria na língua, não se escreve com hífen, mas aglutinadamente

Ex: abrolhos, bancarrota, fidalgo, vinagre, etc.

OBSERVAÇÃO 4.ª
Como as locuções não têm unidade de sentido
os seus elementos não devem ser unidos por hífen, seja qual for a categoria gramatical a que elas pertençam. Assim, escreve-se:

v.g., vós outros (locução pronominal),

a desoras (locução adverbial),

a fim de (locução prepositiva),

contanto que (locução conjuntiva),

porque essas combinações vocabulares

- não são verdadeiros compostos,

- não formam perfeitas unidades semânticas.

Quando porém as locuções se tornam unidades fonéticas, devem ser escritas numa só palavra:

acerca (adv.),
afinal,
apesar,
debaixo,
decerto,
defronte,
depressa,
devagar,
deveras,
resvés etc.

OBSERVAÇÃO 5.ª
As formas verbais com:

- pronomes enclíticos ou
-  mesoclíticos

e os vocábulos compostos:

- cujos elementos são ligados por hífen conservam seus acentos gráficos:

Ex: amá-lo-á,
amárreis-me,
amásseis-vos,
devê-lo-ía,
fá-la-emos,
pô-las-íamos,
possuí-las,
provêm-lhes,
retêm-nas;
água-de-colônia,
pão-de-ló,
pára-sóis,
pesa-papéis etc.

2.º Nas formas verbais com pronomes enclíticos ou mesoclíticos:

Ex: amá-lo (amas e lo),
amá-lo (amar e lo),
dê-se-lhe,
fálo-á,
oferecê-la-ia,
repô-lo-eis,
serenou-se-te,
traz-me,
vedou-te etc.

3.º Nos vocábulos formados pelos prefixos que representam formas adjetivas, com:

Ex: anglo,
greco,
histórico,
ínfero,
latino,
lusitano,
luso,
póstero,
súpero
etc:

anglo-brasileiro,
greco-romano,
históricogeográfico,
ínfero-anterior,
latino-americano,
lusitano-castelhano,
luso-brasileiro,
póstero-palatal,
súpero-posterior etc.

OBSERVAÇÃO
Ainda que esses elementos prefixais sejam reduções de adjetivos, não perdem a sua individualidade morfológica, e, por isso, devem unir-se por hífen, como sucede com:

Ex:  austro (=austríaco),
dólico (=dolicocéfalo),
euro (=europeu),
telégrafo (=telégrafico) etc.
austro-húngaro,
dólico-louro,
euro-africano,
telégrafo-postal etc.

4.º Nos vocábulos formados por sufixos que representam formas adjetivas como açu, guaçu e mirim, quando o exige a pronúncia e quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada gràficamente:

Ex:  andá-açu,
amoré-guaçu,
anajá-mirim,
capim-açú etc.

5.º Nos vocábulos formados pelos prefixos:

a) auto, contra, extra, infra, intra, neo, proto, pseudo, semi e ultra, quando se lhes seguem palavras começadas por vogal, h, r ou s:

Ex: auto-educação,
contra-almirante,
extra-oficial,
infrahepático,
intra-ocular,
neo-republicano,
proto-revolucionário,
pseudo-revelação,
semi-selvagem,
ultra-sensível etc.

OBSERVAÇÃO 
A única exceção a esta regra é a palavra extraordinário, que já está consagrada pelo uso.

b) ante, anti, arqui e sobre, quando seguidos de palavras iniciadas por h, r ou s:

Ex: ante-histórico,
anti-higiênico,
arqui-rabino,
sobre-saia etc.

c) supra, quando se lhe segue palavra encetada por vogal, r ou s:

Ex: supra-auxiliar,
supra-renal,
supra-sensível etc.

d) super, quando seguido de palavra principiada por h ou r:

Ex: super-homem,
super-requintado etc.

e)ab, ad, ob, sob e sub, quando seguidos de elementos iniciados por r:

Ex: ab-rogar,
ad-renal,
ob-reptício,
sob-roda,
sub-reino etc.

f) pan e mal, quando se lhes segue palavra começada por vogal ou h:

Ex: pan-asiático,
pan-helenismo,
mal-educado,
mal-humorado etc.

g) bem, quando a palavra que lhe segue tem vida autônoma na língua ou quando a pronúncia o requer:

Ex: bem-ditoso,
bem-aventurança etc.

h) sem, sota, soto, vice, vizo, ex (com o sentido de cessamento ou estado anterior) etc.:

Ex: sem-cerimônia,
sota-pilôto,
sota-ministro,
vice-reitor,
vizo-rei,
ex-diretor etc.

i) pós, pré, e pró, que têm acento próprio, por causa da evidência dos seus significados e da sua pronunciação, ao contrário dos seus homógrafos inacentuados, que, por diversificados foneticamente, se aglutinam com o segundo elemento:

Ex: pós-meridiano,
pré-escolar,
pró-britânico;

mas

pospor,
preanunciar,
procônsul etc.


Escultura de Paul Neagu, The Hyphen. 

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Todos os comentários desse artigo:
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  • mailtosandra

    Ter 14 Out 2008 00:23

    estudar e fundamental javascript:insertsmiley('smiley-hello.gif','');para ser te algo na vida