Formigas são
"traiçoeiras e
corruptas"
diz estudo
Terra/BBC Brasil, 13 de mar. de 2008.

A formiga vermelha está ameaçada de extinção no Reino Unido
Uma nova pesquisa sugere que as formigas são traiçoeiras, egoístas e corruptas, contrariando a imagem de insetos de convivência harmoniosa e com pré-disposição para colocar o bem da comunidade acima de preocupações pessoais.
Os pesquisadores Bill Hughes, da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, e Jacobus Boomsma, da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, descobriram que determinadas formigas conseguem burlar o sistema, garantindo que seus filhotes se tornem rainhas reprodutivas ao invés de operárias estéreis.
"A teoria aceita era de que as rainhas eram produzidas só por criação: certas larvas recebiam determinados alimentos para que se desenvolvessem de forma a se tornar rainhas e todas as larvas poderiam ter essa oportunidade", explicou Hughes.
"Mas nós realizamos uma identificação de DNA em cinco colônias de formigas-cortadoras e descobrimos que os filhotes de alguns pais têm maior probabilidade de se tornarem rainhas do que os outros. Estas formigas têm um gene ou genes 'da realeza', que lhes dá uma vantagem injusta e permite que tapeiem muitas de suas irmãs altruístas em sua chance de se tornarem rainhas".

Às escondidas
Mas o que intrigou os cientistas foi que essas linhagens genéticas
"reais" sempre foram raras em cada colônia. Hughes diz:
"A explicação mais provável tem que ser que as formigas estão tomando medidas deliberadamente para evitar serem detectadas. Se houver um excesso de formigas de uma linhagem genética tornando-se rainhas em uma única colônia, as outras formigas notarão isso e poderão tomar uma medida contra elas".
"Então nós achamos que os machos com estes genes 'reais' evoluíram para, de alguma forma, propagar seus filhotes por mais colônias e, assim, escapar detecção. A raridade das linhas reais é, na verdade, uma estratégia evolutiva para que os tapeadores escapem do destino de ser reprimidos pelas massas altruístas que exploram".
Umas
poucas vezes por ano colônias de formigas produzem machos e novas
rainhas que saem do ninho em busca de novos parceiros para
reprodução. Os machos morrem pouco depois do acasalamento e as
fêmeas fundam novas colônias.

Sem utopia
Os pesquisadores estão ansiosos para
estudar este processo, para determinar se sua hipótese é correta e
a estratégia de acasalamento dos machos com genes reais garante sua
raridade, para manter as vantagens ocultas de seus parceiros
operários.
Mas a descoberta dos cientistas prova que, embora colônias de insetos sociais freqüentemente sejam citadas como prova de que sociedades possam ser baseadas em igualdade e cooperação, elas não são tão utópicas quanto parecem.
"Quando estudamos insetos sociais como formigas e abelhas, com freqüência é o aspecto cooperativo que de sua sociedade que aparece primeiro", disse Hughes.
"Mas, quando você examina mais de perto, pode ver que há conflito e tapeação — e, obviamente, a sociedade humana também é um exemplo primordial disso. Acreditava-se que as formigas eram exceção, mas nossa análise genética mostrou que a sociedade delas também é abundante em corrupção — e corrupção real!".
A
pesquisa foi financiada pela Fundação Carlsberg e publicada na
Proceedings of the National Academy of Sciences.

Formigas
usariam resina
para desinfetar
formigueiro
Terra/BBC Brasil, 21 de jun. de 2007.
Cuidadosas, as formigas melhoram suas chances de sobrevivência coletando resina para desinfetar quimicamente os formigueiros, anunciaram nesta quinta-feira cientistas da Universidade de Lausanne, na Suíça. Formigas da madeira, a Formica paralugubris, observadas pelos cientistas, coletam bolas de resina sólida de conífera de até 7 mm a 8 mm de diâmetro e as usam para proteger suas casas contra patógenos de bactérias e cogumelos venenosos, afirmaram os cientistas.
"A presença de resina implementa fortemente a sobrevivência das formigas adultas e larvas expostas à bactérias Pseudomonas fluorescens e a sobrevivência de larvas expostas aos fungos entomopatogênicos Metarhizium anisopliae", afirmaram em um trecho de seu artigo publicado na revista Proceedings of the Royal Society.
"Estes resultados mostram que as formigas da madeira capitalizam as defesas químicas que evoluíram em plantas para se proteger coletivamente contra patógenos", acrescentaram. Em um comunicado posterior publicado pela Swiss National Science Foundation, os cientistas de Lausanne — Michel Chapuisat, Philippe Christe, Pasqualina Magliano e Anne Oppliger — disseram que a descoberta "mostra a capacidade formidável dos insetos sociais tomarem medidas de saúde pública dentro de uma colônia".
As formigas não são as únicas espécies a usar a resina desta forma. Muitas aves e alguns mamíferos também incorporam o material a seus ninhos, acrescentaram os cientistas.

Formigas
altruístas para
companheiras
Terra/BBC Brasil, 29 de maio de 2007, 16h36
Quando uma coluna formada por um exército de 200 mil formigas-de-correição soldados encontra um buraco em seu caminho, voluntárias se oferecem para servir de "ponte" para que suas companheiras possam passar por cima delas até que o trabalho do dia esteja completo, segundo um novo estudo.
Caso as formigas responsáveis para tapar o buraco sejam muito pequenas, outras continuarão tapando até que uma combinação perfeita entre os insetos e o comprimento do buraco seja encontrada.
O estudo mostra que a "rara e quantitativa evidência que extrema especialização" entre algumas formigas pode melhorar a performance da maioria, concluíram Scott Powell e Nigel Franks, biólogos na Universidade de Bristol, no Reino Unido.
Os pesquisadores observaram o comportamento da espécie Eciton burchellii — mais conhecida como formiga-de-correição — no Panamá e, então, criaram uma série de caminhos artificiais, cheios de buracos, para ver como os insetos se adaptariam.
Eles também mediram ganhos em produtividade, concluindo que o comportamento altruístico das formigas "resulta em um ganho evidente na busca diária por alimento para a colônia."
Se 7,5 mil formigas operárias em um caminho "típico" — uma coluna que pode ter vários metros de comprimento — se oferecerem para tapar buracos, o grupo consegue melhorar seu desempenho em 26%, de acordo com o estudo, que será publicado na edição de junho da publicação britânica Animal Behaviour.

Instituição ganha
R$ 207 mil para
salvar formigas
Da redação do Terra, 26 de janeiro
de 2007, 15h31

A Sociedade Zoológica de Londres recebeu hoje 75 mil euros, quase R$ 207 mil, para salvar a formiga vermelha, uma espécie que corre risco de extinção no Reino Unido. O inseto têm esse nome porque apresenta pêlos vermelhos na parte dorsal de seu corpo.
Segundo pesquisadores, a possibilidade de desaparecimento das formigas vermelhas deve-se à ausência de um habitat adequado para essa espécie. Para amenizar o problema, a Sociedade Zoológica de Londres planeja criar esses insetos em cativeiro e depois soltá-los na natureza. A entidade também pretende proteger as áreas onde já existem formigas desse tipo e criar outras novas.
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