CONSTANTINOPLA: O nascimento do Império Bizantino  (HISTORIA) escrito em segunda 03 março 2008 02:25

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Detalhe da obra A entrada dos cruzados em Constantinopla, de EUGENE DELACROIX,
1840, óleo sobre tela, 410 x 498, Museu do Louvre, Paris.

 

Nascimento


de Constantinopla [1]

 

Narcisse Virgilie Diaz de la Pena (França, 1807-1876),
Constantinopla, 1865-1875, 26 1/4 x 33 inches, óleo sobre tela,
Minneapolis Institute of Arts. 


O comércio do trigo procedente do sudeste europeu, na região da Trácia [2], implicava na travessia do Ponto Euxino, conhecido como Mar Negro [3], próximo ao estreito de Bósforo [4]. Acredita-se que, na margem ocidental do estreito, região privilegiada por esse itinerário, colonos oriundos de Mégara [5] fundaram, em meados do século VII a.C., a cidade de Bizâncio.

 


Peça de Constantinopla. Catedral de Saint-Marc, Venice. 


Por sua posição estratégica, Bizâncio teve grande importância na história da Grécia, servindo de ponto de partida para a construção da Oikoumene [6] de Alexandre o Grande (356 a 323 a.C.).

Os habitantes de Trácia investiam constantes ataques contra a cidade, quando Bizâncio entrou em acordo de auxílio mútuo com os conquistadores romanos. Mas a expansão territorial de Roma compreendeu incorporar a cidade de Bizâncio definitivamente ao Império, em 73 d.C.

 


Obra de John Singer Sargent. Rua de Constantinopla. Coleção Particular.


O então Imperador Vespasiano anexa Bizâncio à província da Bitinia e depois à Tracia, suprimindo, assim, seus privilégios. No século II, Septímio Severo destruiu as imponentes muralhas que protegiam a cidade e a colocou sob a administração de Perinto. Mais tarde o mesmo imperador reconstruiu suas fortificações, e o filho e sucessor Caracala restabeleceu-lhe a autonomia.

No século III, com a anarquia militar, Bizâncio foi invadida por Galieno, que deixou a porta aberta para a entrada dos povos godos. Perseguidos pelos hunos e aproveitando-se da situação vulnerável, os godos adentram as terras imperiais por Bizâncio, evidenciando a necessidade de se melhorar a defesa da região.

 

Esculturas de bronze de Constantinopla. Catedral de Saint-Marc, Venice. 


Licínio e Constantino, que governavam as terras imperiais, em 323 entraram em guerra entre si, da qual, em setembro do ano seguinte, Constantino saiu vitorioso, tornando-se senhor de todo o Império.

 

 
Obra de Jean Leon Gerome Mulher de Constantinopla, 1890.


Reconhecendo a importância estratégica da cidade de Bizâncio que, por sua localização — situada na confluência entre o Oriente e o Ocidente —, serviu-se de fortaleza para Licínio, Constantino dá início à ampliação de suas muralhas e, em 326 a transformou na “Nova Roma”, a capital das províncias orientais, isto é, do Império Bizantino. Bizâncio, então, passou a chamar-se Constantinopla.

 

Image:Benjamin-Constant-Entrance of Mohammed II into Constantinople.jpg 
Obra de Benjamin-Constant,Entrada de Mohammed II em Constantinopla

A reconstrução responsável pela promoção de Bizâncio a Constantinopla contou com inúmeras construções destinadas a fazer dela uma réplica de Roma. Isenta de impostos sobre propriedade (ius italicum), compreendeu sete colinas e quatorze regiões, e recebeu:

“Um hipódromo, banhos públicos (as termas de Zeuxipo), uma domus imperial, um fórum e uma basílica para as reuniões do Senado (Chron. Pasc. année 328).  Um pouco depois, em 332, iniciou-se a distribuição gratuita de trigo à plebe urbana, assim como ocorria em Roma [...] Para cumprir uma obra tão grandiosa em tão pouco tempo, Constantino promoveu uma espoliação sistemática dos templos pagãos provinciais, transportando para a nova capital inúmeras estátuas e demais monumentos”. (Gilvan Ventura da Silva, em <www.unicamp.br>


 

Império Bizantino


 

Depois de Constantino, o imperador Teodósio (378-395) restabeleceu a divisão Império Romano do Ocidente, com Roma como capital, e Império Romano do Oriente, mantendo Constantinopla como capital, o que viria a ser o Império Bizantino.

As invasões dos povos bárbaros se intensificaram e, no século V, o Império Ocidental havia se desmantelado, ao passo que o Império Oriental mantinha-se com o poder centralizado, indicando o nascimento do Império Bizantino, também conhecido como Reinado Bizantino.

 


As cruzadas chegando em Constantinopla. 


Considera-se que o último grande imperador romano foi Justiniano I que, no século VI, mantinha sob o seu domínio, o atual Marrocos, Cartago, o sul da França e da Itália, a Península Balcânica, Anatólia, Egito, o Oriente Próximo e a Península da Criméia, no Mar Negro.

Justiniano I foi um déspota que controlva, tanto a vida política, quando a religiosa em seu império, exercendo uma autoridade quase “divina”. Influenciou diretamente nas questões da igreja, instituiu o “cesaropapismo” e considerou heresia as manifestações contra a religião e o seu poder. Almejava reconstituir o Império do Ocidente com políticas expansionistas. Derrotou os vândalos,  os ostrogodos e os visigodos, recuperando respectivamente a África, a Península Itálica e a Espanha.

Do século VII ao X, o Império Bizantino sofreu diversos ataques dos povos germânicos, búlgaros e persas; foi progressivamente perdendo os seus territórios. Estendeu a Idade Antiga para o interior da Idade Média, delineando a história da Europa com a sua regressão territorial.

 

Obra de EUGENE DELACROIX, Entrada dos cruzados em Constantinopla,
em 12 de abril de 1204
. Museu do Louvre, Paris 


No reinado de Basílio II, houve um fortalecimento com a derrota dos búlgaros, mas novas invasões ocorreram, destacando-se os turcos seldjúcidas no oriente médio a partir de 1071.

 


Obra de Jacopo Palma il Giovane (1544 - 1628) A tomada de Constantinopla. Óleo sobre tela. 


As invasões dos turcos Otomanos, à partir do século XIV, foram definitivas, ocupando Galiopoli, em 1354, Adrianópolis, em 1362, sitiando sem sucesso Constantinopla, em 1422, dominando a Tessalônia, em 1430 e, por fim, tomando Constantinopla sob o comando do Sultão Maomé II.

 


Benjamin Constant, A entrada de Maomé II em Constantinopla. Coleção Particular.


Segunda Cruzada cegando em Constantinopla em 1147.

Notas


[1] Constantinopla (atual Istambul) é a maior cidade da Turquia. Situa-se no estreito do Bósforo que separa a Europa da Ásia.
Em grego o seu nome ainda é Constantinopla, (Κωνσταντινούπολις). O nome em turco Istanbul tem origem na expressão grega εις την Πόλη, ou is tin Bóli, que significa "na cidade" ou "à cidade”.
[2] Trácia é uma região histórica do sudeste da Europa, que abrangia as margens do Danúbio, o Ponto Euxino, o Mar de Mármara, o Mar Egeu e o rio Nestos. Hoje é uma região da Grécia, que se estende pela Turquia e Bulgária
[3] Os turcos antigos discriminavam os pontos cardinais com nomes de cores, Negro referia-se ao Norte; Azul, a Oeste; Branco, ao Sul; e Verde, ao Leste. Em turco, a palavra mar se escreve deniz e negro é kara, Karadeniz é, então, a palavra turca que designa Mar Negro, ou seja, o mar que fica ao norte da Turquia. O nome Ponto Euxino tem origem grega.
[4] Bósforo é um estreito que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e marca o limite dos continentes asiático e europeu naTurquia.
[5] Mégara foi cidade-estado da Grécia antiga, muito próspera no século VII a.C
[6] Basicamente, ecumene, ou oikoumene, refere-se a toda terra habitada. O princípio grego da ecumene, ou mundo habitado, pode ser entendido como o oposto do princípio da pólis, ou cidade. O conceito alexandrino de ecumene porpõe uma vasta extensão dos limites geográficos do mundo, resultante das conquistas do imperador Alexandre (356 a 323 a.C.), onde são derrubadas as barreiras entre o mundo grego e o bárbaro. A idéia reflete a doutrina estóica em que todos os homens são irmãos que não se distinguem por sua naturalidade de uma cidade ou país, e sim, de um todo, de um universo que é o ecumene.

Bibliografia

SILVA, Gilvan Ventura da. O nascimento de uma cidade: Constantinopla e sua herança pagã e cristã. Disponível em: <http://www.unicamp.br/nee/arqueologia/arquivos/historia_antiga/constantinopla.html>.

HISTÓRIA NET. O Império Bizantino. Disponível em: <http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=78 >.

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

Leia também:

ROMA: Baixo Império de 235 a 476

CONSTANTINOPLA

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