FIDEL CASTRO: as más e as boas línguas  (HIST. CONTEMPORANEA) escrito em terça 26 fevereiro 2008 02:18

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Paulo Caruso 

 

Acompanhando o resumo anterior a respeito de Cuba,
segue um artigo do jornalista Mauro Santayana*
a respeito do premier Fidel Castro e, 
de brinde, a ótima charge
de Paulo Caruso.

A DIALÉTICA
DA UTOPIA

 

Do JB online, em 21/02/2008 às 02:01

Por Mauro Santayana

Fidel Castro era um jovem comum, que participava do movimento estudantil cubano e estivera em Bogotá, onde participou de manifestações contra a OEA. Não era comunista. Com alguma liderança entre seus companheiros, candidatou-se a deputado, nas eleições parlamentares convocadas para 1952, por um partido de centro-direita. Antes da data das eleições, Fulgêncio Batista derrubou o governo de Carlos Prio Socarrás e reinstituiu a ditadura — que ele mesmo exercera entre 1933 e 1944.

Ao espírito rebelde de Castro somou-se a frustração política pessoal. As duas razões o levaram ao assalto ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba. As tropas de Batista liquidaram o grupo insurgente, e Fidel foi preso, junto com muitos dos que o acompanhariam durante os 55 anos seguintes.

Os comunistas cubanos iniciaram campanha popular de anistia em favor dos rebeldes. Em liberdade, eles partiram para o exílio no México, onde encontraram, no argentino Guevara, o fermento ideológico que lhes faltava, com a grande utopia do homem novo. Guevara era intelectual, o que o diferenciava dos exilados cubanos, quase todos jovens advogados. Não se movia pelas razões pessoais de Fidel, mas por inspirações mais poderosas, posto que fundadas na solidariedade em si mesma, na revolução social por si mesma. Sua viagem pela América Latina, magistralmente reconstruída por Walter Salles Jr., dera-lhe o lastro internacionalista que o levaria à morte.

O grupo se articulou no México e obteve ajuda internacional - mais substancial entre simpatizantes norte-americanos - para a derrubada de Batista. A ilha era segunda e mais afrouxada Miami, com seus cassinos, seus bordéis de luxo e seus cabarés para o desfrute dos turistas americanos, todos controlados por gângsteres de Chicago e Nova York. Nas primeiras horas de 1959, o ditador Fulgêncio Batista, com os guerrilheiros em seus calcanhares, saiu com a família, de riquíssima festa de réveillon, diretamente para o aeroporto, rumo à República Dominicana.

Ao assumir o governo, os grandes problemas começaram para os vencedores. Cuba não tinha classe operária relevante, na qual pudessem apoiar-se. O movimento não era coeso. Para combater Batista, Fidel se aliara ao Diretório Estudantil Revolucionário, nitidamente de direita, e ao Partido Socialista Popular, comunista. A depuração, tanto à direita quanto à esquerda, fortaleceu o grupo, mas debilitou a Revolução. Nesse momento, já acossado pelos americanos, Fidel decide nacionalizar as refinarias de petróleo da Esso, Texaco e Shell. O governo norte-americano respondeu com o bloqueio, e Fidel foi compelido a buscar aliança com a União Soviética.

Os Estados Unidos teriam, com grande alegria, apoiado Fidel Castro, se ele tivesse sido simples delegado do poder imperial, como Batista — ou igual a Gerardo Machado, eleito em 1924 e reeleito, em 1928, deposto em 1933, pela Revolta dos Sargentos, comandada pelo próprio Batista. Era já do hábito de Washington livrar-se de um ditador quando ele se tornava incômodo ou muito caro. Com o bloqueio, iniciou-se o jogo de pressões norte-americanas, de sabotagem dos contra-revolucionários, com base em Miami — e de resistência dos cubanos - que teve seu auge na invasão malograda da Baía dos Porcos.

Centenas de leitores do New York Times comentaram ontem a notícia de que Fidel deixara o poder em Cuba. Impressiona o número dos que o defendem e elogiam. Os que saúdam sua retirada, em sua maioria, têm nomes hispânicos, o que os identifica como exilados pela Revolução. Um dos leitores americanos resumiu bem o problema: durante 57 anos, os Estados Unidos patrocinaram e incentivaram governos corruptos e assassinos em Cuba. Quem fez bem e quem fez mal ao povo cubano?

O leitor do Times, no curto texto de sua mensagem, não vai além dessa observação. O fato é que, desde Estrada Palma, eleito em 1902, com o país ocupado pelos marines, e Fulgêncio Batista, derrubado por Fidel em 1959, a ilha foi permanente antro de corrupção. Nenhum dos governantes, eleitos ou ditatoriais, governou sem enriquecer-se e enriquecer seus áulicos naquele longo período. Não obstante as costumeiras acusações vazias, ninguém provou, até hoje, o enriquecimento de Castro e de seus companheiros. São 57 anos de podridão ditatorial e 49 anos de igualitarismo autoritário. Se os Estados Unidos não houvessem promovido a corrupção na ilha, durante a primeira metade do século, e não a houvessem sitiado com o bloqueio econômico e ameaça militar, talvez a democracia representativa tivesse sido possível.

O autoritarismo de Castro é instrumento de defesa contra o Império, que se apoderou da ilha com a fácil vitória contra os espanhóis em 1898.

*Mauro Santayana (1932), é colunista da Agência de Notícias "Carta Maior", comentarista de TV e colaborador de diversos jornais nacionais, como "free lancer". 

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FIM

 

 

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