Havana Sketches: beautiful photograph by Alexey Titarenko
CUBA
Colonização,
República
e Revolução,
Bolívar,
Che e Fidel

Alexey Titarenko, From March 21 through April 24, 2007,
Nailya Alexander Gallery in New York City will present an all-new
series called
“Alexey Titarenko: Havana Sketches” made in Cuba during
2003 and 2006.
Texto de Ana C. Dantas e Pedro de Sousa
2004 Em 14 de abril ® O dissidente Julio Antonio Valdés Guevara é o primeiro a conseguir a liberdade.
No total, 14 desses prisioneiros foram libertados depois de muita pressão diplomática espanhola.
De 21 a 23 de maio ® Ocorre, em Havana, a III Conferência "La Nación y la Emigración"
Em 24 de maio ® O governo cubano anuncia a alta dos preços dos combustíveis, de até 22%, e a reabertura das casas de câmbio de moedas estrangeiras.
Em 1 de julho ® Começam a vigorar as restrições, impostas pelos EUA, de viagens dos exilados para Cuba, de uma por ano, para uma a cada três anos, e apenas para familiares de primeiro grau e que não sejam militantes comunistas. Fica também proibida a emissão de pacotes que contenham roupas ou artigos de higiene pessoal.
Em 23 de julho ® É elevado a sete, o número de pessoas do chamado “Grupo dos 75”, colocadas em liberdade. Trata-se da única mulher do grupo, que foi posta em liberdade por motivos de saúde.
Em 26 de agosto ® Cuba rompe relações diplomáticas com o Panamá por ter Mireya Moscoso, presidente do país, libertado quatro anticastristas, entre eles Luis Posada Carriles, condenados por planejar atentado contra Fidel, em 2000.
Em 8 de outubro ® Cuba cancela a circulação do dólar, e sua conversão pelo peso cubano só é válida na ilha.
Em 20 de outubro ® Fidel tropeça após discursar em Santa Clara. Ele havia acabado de falar por uma hora quando ocorreu a queda. O líder cubano fraturou o joelho esquerdo e teve uma fissura no braço direito. O incidente ocorreu no mausoléu em que estão enterrados os restos mortais do revolucionário Ernesto Che Guevara, a 276 quilômetros de Havana.

Em 29 de outubro ® Cuba enfrenta grave crise de energia elétrica e toma medidas como apagões programados.
Em novembro ® Cuba liberta mais seis dissidentes políticos, incluindo o escritor Raul Rivero, em um movimento visto como tentativa de ganhar apoio da União Européia.
2005 Em 3 de janeiro ® Cuba começa a normalizar as relações com países europeus e a UE.
Em 31 de janeiro ® A UE, por iniciativa espanhola, e após vários meses de contatos, suspende temporariamente as sanções diplomáticas decretadas em 2003.
Em fevereiro ® Castro troca acusações com o presidente americano George W. Bush.
De 20 a 21 de maio ® é realizado em Havana, Congresso Democrata Cubano, que, pela primeira vez, permite a participação da dissidência.
2006 Em 31 de junho ® Fidel delega provisoriamente a Presidência a seu irmão Raúl, por causa de uma crise intestinal que lhe obriga a passar por uma intervenção cirúrgica.

Raúl Castro, Ilustração para a Revista Time de
Brian Latell
Raúl Castro diz que o Partido Comunista permanecerá no controle de Cuba em caso de mudança de líder.
Em agosto ® Fidel Castro completa 80 anos, mas as celebrações são adiadas para dezembro para que ele possa se recuperar.
Em dezembro ® Pela primeira vez, Fidel não comparece a uma parada militar em comemoração ao aniversário da Revolução Cubana e nem aos festejos de seu aniversário.
2007 Em 17 de dezembro ® Fidel divulga comunicado em que deixa em aberto a possibilidade de deixar o governo.
2008 Em janeiro ® Fidel Castro é reeleito ao parlamento, mas deixa em aberto a possibilidade de se manter como presidente.
2008 Em 19 de fevereiro ® Fidel Castro, que há um ano e meio não aparece em público, comunica à população em mensagem escrita, que não voltará a assumir o cargo de presidente de Cuba, despedindo-se do poder após quase meio século, com 81 anos de idade.
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O papel
do Brasil
na crise dos
mísses soviéticos
em Cuba
No decorrer da
crise inteira,
Fidel concordou com Kennedy num
único ponto: ele também queria o envolvimento dos
brasileiros
nas negociações, evitando
que suas relações internacionais
ficassem subordinadas apenas
aos interesses soviéticos.
Os trechos a
seguir foram extraídos da
Edição Especial da Veja de outubro de 1962,
A ponte entre Washington, Brasília
e Havana ajudou
a desarmar a crise atômica. Desta vez, Jango Goulart
não se enrolou,
nem defendeu Fidel — só Brizola se agarrou
à bomba

A visita de abril [1962]: Jango Goulart é recebido na Casa
Branca.
A conversa foi dura, mas houve empatia entre os dois
Sentado na cama da suíte presidencial, ainda de pijama, John Fitzgerald Kennedy lia o Washington Post e o New York Times quando seu assessor especial para Assuntos de Segurança Nacional, McGeorge Bundy, entrou no quarto. Pela primeira vez, Kennedy ouvia que a União Soviética instalava mísseis nucleares em Cuba.
Exatamente ao mesmo tempo, no Brasil, diplomatas dos Estados Unidos acertavam os últimos detalhes do roteiro da visita de Kennedy a João Belchior Marques Goulart, marcada para novembro.
O aguardado desembarque do americano no país trazia a esperança de um importantíssimo ajuste de sintonia entre os presidentes, afastados nos últimos meses por uma série de perigosos descompassos.
Era a manhã de terça-feira 16. Dez dias depois, Kennedy escrevia a Jango para avisar que a visita teria de ser adiada — ainda por causa dos reflexos da crise dos mísseis, seria impossível se ausentar de Washington nas datas previstas (dia 12 em Brasília, dia 13 em São Paulo e dia 14 em Natal).
Ainda assim, os presidentes pareciam mais próximos do que nunca. Afinal, o envolvimento brasileiro nas negociações que cercaram o delicadíssimo episódio ajudou a dissipar algumas incertezas e desconfortos entre Washington e Brasília. Tirando os desvarios de alguns tresloucados que insistem em tentar manipular o presidente, o Brasil aproveitou a crise para se posicionar claramente entre as nações civilizadas e democráticas, sem as ambigüidades costumeiras do governo Jango.
O
elemento decisivo para convencer o presidente brasileiro foi uma
carta assinada por Kennedy e entregue no dia 23 pelo embaixador dos
EUA no país, Lincoln Gordon. A mensagem não deixava
dúvidas da gravidade da
situação.
Depois de quase duas horas reunido com Gordon, Jango deixou o gabinete visivelmente abalado. De acordo com auxiliares próximos, estava com o rosto pálido. Reunido com seus principais ministros, o presidente confessou ter ficado impressionado com as informações trazidas pelo embaixador americano sobre as armas soviéticas.
Depois de várias horas de discussões, decidiu-se que a posição oficial do governo seria de cautela, moderação e expectativa. Não haveria desta vez gestos amistosos na direção dos cubanos e soviéticos — o Brasil não tomaria providência alguma para tentar defender a ilha.
A
declaração de Jango não deixava margem para
manipulações: "O Brasil ficará do lado dos
Estados Unidos caso o problema cubano seja levado às
últimas conseqüências".
No dia seguinte, Goulart aproveitou a reunião dos ministros militares por ocasião da Semana da Asa, no Ministério da Aeronáutica, para conferenciar com eles. O ministro da Guerra, general Amaury Kruel, disse que as Forças Armadas estavam "unidas e coesas" em torno da posição adotada pelo governo.
"Estamos prontos para cumprir as decisões da última conferência ministerial de Punta del Este, especialmente no caso previsto de uma nação estrangeira oferecer armas ofensivas a outra nação do continente."
Os titulares das pastas militares garantiram a Jango que "as Forças Armadas têm um comandante-em-chefe a quem obedecem e cujas diretrizes seguem". O ministro da Marinha, almirante Pedro Paulo de Araújo Suzano, reiterou: "Cumpriremos as ordens do presidente da República. É ele quem decide a política externa do Brasil."

No centro, Jango Goulart., o Presidente do Brasil.
Militares prometem obedecer a política externa de Jango
Choque político
Mais tarde, o embaixador Lincoln Gordon procurou Goulart para intermediar uma conversa telefônica com Kennedy, que transmitiu detalhes da situação. O recado do americano ao brasileiro era lúgubre: "Já não posso fazer mais nada. As próximas 48 horas serão decisivas e da mais extrema importância". Jango chamou o primeiro-ministro Hermes Lima para discutir outro assunto da conversa com Kennedy: o papel do Brasil como interlocutor com Fidel Castro. Ao embaixador brasileiro em Havana, Luís Bastián Pinto, seria confiada a missão de garantir que o revolucionário cubano ouvisse a mensagem de Washington — a instalação dos mísseis tinha de parar. Em tempos de acirrado embate ideológico, a interlocução logo esquentou o choque político no país. Alguns relatos — negados pelos Estados Unidos — davam conta de que Goulart enviara mensagem a Kennedy pedindo garantias de que os americanos não invadiriam Cuba.
Com o acordo para desarmar a bomba-relógio cubana já costurado, Kennedy escreveu a Jango mais uma vez, lamentando o adiamento da visita ao Brasil (agora prevista para junho de 1963) e dizendo estar "ansioso para reatar e aprofundar as relações pessoais" com o colega. "Aproveito essa ocasião para congratular-me com o povo brasileiro pelas suas recentes eleições, que tenho acompanhado com grande interesse", escreveu o americano. "O processo pacífico e disciplinado foi, para mim, uma demonstração de força e vitalidade do governo democrático em seu país." Goulart chamou Gordon para um brinde à vitória das democracias na crise.
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