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CUBA
Colonização,
República
e Revolução,
Bolívar,
Che e Fidel
Texto de Ana C. Dantas e Pedro
de Sousa

República Socialista
1959-?

Principais características:
Fase marcada pelo alinhamento de Cuba à URSS.
Esse alinhamento se deve mais ao
conflito
geopolítico da Guerra Fria, entre os EUA e a URSS
do que a uma ideologia de Fidel Castro
Reforma Agrária: indenização aos antigos proprietários
Nacionalização das empresas instaladas em Cuba
EUA: Bloqueio Econômico
Suspensão das importações
Negação de créditos
Cuba: recebe armas e suprimentos da URSS
CIA treina exilados cubanos
pró-batistas e pró-EUA
para a Invasão a Baía dos Porcos
A tentativa de golpe de estado da
CIA em Cuba é detida
por Fidel Castro e provoca maior aproximação de Cuba
com a URSS

In 1933 a group of army officers, including army sergeant Fulgencio
Batista,
overthrew President Gerado Machado. Batista became president in
1940,
running a corrupt police state. Thousand of cuban died from
torture by the batistas government police.
1959 1º de janeiro de ® O ditador Fulgencio Batista cede o poder a uma Junta Militar e abandona Cuba, fugindo para a República Dominicana.
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® É declarada a vitória da Revolução Cubana.

— Batista em Fuga —, diz a manchete do jornal
Em 2 de janeiro ® As tropas de Che Guevara e Camilo Cienfuegos chegam em Havana

Em 5 de janeiro ® Manuel Urrutia é nomeado Presidente de Cuba.
Em 8 de janeiro ® após viajar vitorioso por Cuba, Fidel entra em Havana e é nomeado Comandante-em-Chefe das Forças Armadas.
Vilma Espín (em pé) aparece junto aos revolucionários Manuel Piero,
Fidel e Raul Castro em Havana. (Foto: Reuters)
Forma-se um governo de colaboração com os políticos liberais que antes eram perseguidos por Batista, entre eles: Manuel Urrutia, nomeado presidente provisório e José Miró Cardona, nomeado primeiro ministro e Fidel, o comandante.
Che Guevara participa do novo governo, ocupando cargos como Ministério de Indústria e Comércio e, mais tarde, Presidente do Banco Central.
A constituição de 1940 é suspensa e substituída pela Lei Fundamental.

Che Guevara, Raul Castro, e Fidel Castro
Em 16 de fevereiro ® Fidel assume o cargo de primeiro ministro em lugar de José Miró Cardona.
Em maio ® é anunciada a Reforma Agrária:
a) a maioria dos latifundiários é norte-americana.
b) é fixada uma indenização aos proprietários antigos
c) é criado o Instituto Nacional de Reforma Agrária, encarregado de melhorar a agricultura e redistribuir as terras confiscadas.
Em 17 de maio ® é assinada a Lei de Reforma Agrária, pela qual os fazendeiros perdem seus latifúndios
Em 17de julho ® Osvaldo Dorticós Torrado substitui Urrutia na presidência.
Em agosto ® A CIA, Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, presidido por David Dwight Eisenhower, dá início a um plano para tirar Fidel Castro do poder, que culminou no fracassado ataque da Baía dos Porcos, entre 17-19/04/61
1960 Começa o programa de nacionalização de empresas estrangeiras:
As empresas eram, na maioria, americanas como as refinarias Esso e Shell
Os EUA iniciam embargo econômico parcial
Em março ® Cuba e URSS firmam acordo comercial
Em junho ® Cuba inicia o processo de rompimento das relações comerciais com os EUA, que se amplia com a proibição de exportações americanas à ilha no mês de outubro.
Em 7 de maio ® Cuba e URSS estabelecem relações diplomáticas e iniciam a colaboração militar e econômica que se estende até 1991.
Fidel pronuncia pela primeira vez a frase Pátria ou Morte.
Em 2 de setembro ® Apelo de Fidel Castro, por meio da “Declaração de Havana”, às forças populares latino-americanas a se engajarem contra o imperialismo estadunidense
Em 13 de setembro ® Nacionalização de bancos norte-americanos e diversas empresas, entre elas 105 açucareiras.
Em 28 de setembro ® são criados os CDR, Comitês de Defesa da Revolução, os olhos e ouvidos do governo para inibir as ações contra-revolucionárias nos bairros cubanos
Em outubro ® Os Estados Unidos decretam um embargo às exportações cubanas
Che Guevara participa ativamente do processo de construção do socialismo em Cuba, defendendo a idéia dos mutirões populares, e do trabalho voluntário como forma de resolver rapidamente os principais problemas de Cuba. Participa de mutirões de construção de casas populares, de escolas, de colheita de cana, entre outros.

Che Guevara sendo condecorado por Jânio
Quadros,
com a Ordem do Cruzeiro do Sul.
A posição adotada pelo Brasil foi, sem
dúvida,
o maior fator para que Cuba fosse tratada
na Conferência de Punta Del Este como país
americano.
1961 Em 1º de janeiro ® Com a taxa de analfabetismo muito eleva, inicia-se a intensa campanha de alfabetização.
Em 3 de janeiro ® Os EUA rompem relações diplomáticas com Cuba.
Em 16 de abril ® Fidel proclama o caráter socialista da Revolução, e estreita laços com a União Soviética.
Em 17 de abril ® A CIA, Agência Central de Inteligência dos EUA presidido por Dwight Eisenhower, põe em prática o plano para derrubar o governo recém-formado. A prática militar consiste na invasão dos pântanos da praia de Girón, conhecida como Baía dos Porcos, ao sul de Cuba. A praia é invadida por de cerca de 1,4 mil exilados cubanos anticastristas, pró-batistas e pró-EUA.
Em 19 de abril ® A operação dos EUA contra Fidel Castro é derrotada. Segundo o governo cubano, 176 pessoas morreram nos combates, mais de 300 ficaram feridas na invasão da Baía dos Porcos.
Em julho® O MR-26, Movimento Revolucionário 26 de julho, se funde ao Partido Socialista Popular e ao Diretório 13 de Março, criando as ORI, Organizações Revolucionárias Integradas.
Em 12 de dezembro ® Fidel Castro se proclama marxista-leninista.
1962 Em 31 de janeiro ® A OEA, Organização dos Estados Americanos, decide, em Punta del Este, pela expulsão de Cuba dos seus quadros.
Em 3 de fevereiro ® II Declaração de Havana: Cuba reafirma o caráter socialista e internacional da Revolução e seu estreitamento de laços com URSS.
É formado o partido único, o PURSC, Partido Unido de la Revolución Socialista, originado do alinhamento entre PSP, organizações populares e MR-26;
Em 4 de fevereiro ® Raúl Castro vai a União Soviética, esta se compromete a defender a ilha em caso de um novo ataque.
Em 7 de fevereiro ® Os EUA, presidido por John F. Kennedy, impõem um embargo comercial total contra Cuba.
Nos meses seguintes ® Fidel Castro aceita a instalação dos mísseis soviéticos em Cuba.
Navios soviéticos em direção a Cuba
Chegam à ilha mais de 40.000 militares e especialistas russos.
Em agosto ® Aviões norte-americanos detectam a instalação dos mísseis nucleares soviéticos em Cuba.
Em 28 de setembro ® Os EUA flagram navios soviéticos com carga suspeita a caminho da ilha.
Em 14 de outubro ® Avião U-2 americano fotografa bases para mísseis nucleares de alcance médio "R-12", em San Cristobal, província de Pinar del Río, em Cuba.
Em plena Guerra Fria, presença de ogivas nucleares soviéticas em Cuba provoca uma crise entre Moscou e Washington. Muitos temem por uma Terceira Guerra Mundial.
~~~~~~~
A Crise dos
Mísseis Cubanos
em outubro de 1962
O texto a seguir
é um trecho extraído da
Edição Especial da Veja de outubro de 1962,
Treze dias de angústias: Surpresas,
aflições, sustos e reviravoltas:
a impressionante seqüência de acontecimentos
que marcou as negociações para
o fim da queda-de-braço
entre Washington e Moscou
A revista narra a impressão americana da crise

O embate no Conselho de Segurança da ONU: os
americanos
colocam os soviéticos na parede com provas
irrefutáveis
Terça-feira, 16 de outubro, 8h45, Washington
O assessor de Segurança Nacional dos EUA, McGeorge Bundy, entrega ao presidente John Kennedy as conclusões de uma missão de reconhecimento aéreo no oeste de Cuba.
A inteligência americana não tem dúvidas: os soviéticos levaram mísseis nucleares à ilha. Um avião U-2 flagrara o transporte das cargas militares dois dias antes.
Às 9 horas, Kennedy convoca o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional, ou "Ex-Comm", formado por 14 integrantes do primeiro escalão do governo e coordenado por seu irmão, Robert.
Em poucos instantes, três linhas de ação são colocadas à mesa: bloqueio naval da ilha, ataques aéreos às bases de mísseis ou invasão em larga escala de Cuba.

Detalhes perturbadores: um U-2 americano deu um rasante e flagrou
base soviética
Quarta, 17 de outubro
Kennedy cumpre sua agenda de compromissos públicos. Para evitar uma onda de pânico, mantém a descoberta em segredo. Fora da Casa Branca, demonstra bom humor e até faz piadas.
A portas fechadas, porém, só pensa na grave crise que surge no horizonte. O Estado Maior das Forças Armadas defende com veemência a opção pela invasão. Mas o secretário de Defesa, Robert McNamara, insiste no bloqueio naval, estratégia que impediria a chegada de novos mísseis.
À noite, outro vôo de U-2 flagra novos mísseis soviéticos em Cuba – desta vez, são SS-5 de longo alcance. As armas são capazes de atingir praticamente qualquer ponto no território americano.

Identificação do mísseis. Fonte:
www.cia.gov..
Sexta, 19 de outubro
Kennedy faz campanha eleitoral no Meio-Oeste dos EUA e deixa o irmão a cargo das reuniões do Ex-Comm.
Robert é instruído a preparar planos completos tanto para um bloqueio naval como para um ataque aéreo.
Kennedy também encomenda dois discursos ao assessor Theodore Sorensen: um para anunciar o bloqueio e outro para o caso de bombardeio. O presidente ainda não estava decidido, mas já se inclinava pelo bloqueio
Sábado, 20 de outubro
O presidente é chamado pelo irmão a retornar a Washington. Ele resiste à idéia, mas Robert o convence de que é preciso tomar uma decisão final.
O porta-voz de Kennedy, Pierre Salinger, diz que ele precisa voltar à Casa Branca "porque está com um resfriado".
Às 13h30, o Ex-Comm volta a se reunir. Foram cinco horas de discussões. A hipótese de bloqueio naval ganhava ainda mais força, mas não havia consenso.
Domingo, 21 de outubro
Na nova reunião do comitê, Kennedy decide fechar a questão. Pergunta ao general Walter Sweeney, do Comando Aéreo Estratégico, quantas baixas seriam provocadas por um ataque e como ele poderia garantir a destruição de todos os mísseis.
O militar responde que entre 10.000 e 20.000 pessoas morrerriam — e ainda assim não seria possível assegurar 100% de sucesso na eliminação do arsenal soviético. O único caminho razoável era mesmo o bloqueio.
Pelas leis internacionais, a medida é um ato de guerra. Por sugestão do subsecretário de Estado, George Ball, Kennedy decide usar o termo "quarentena", eufemismo para tentar evitar críticas na comunidade internacional.
Depois da reunião, a imprensa procura Kennedy querendo saber qual é exatamente a situação em Cuba — a essa altura, os repórteres já sabiam que havia armas ofensivas na ilha.
O presidente pede a eles que não revelem nenhuma informação confidencial. Kennedy telefona pessoalmente aos jornais Washington Post e The New York Times para cobrar um tom menos alarmista dos diários na cobertura do assunto.

Kennedy discursa na Casa Branca: dezessete minutos de
apreensão
Segunda, 22 de outubro
A crise dos mísseis torna-se pública. Em discurso transmitido em rede nacional de rádio e televisão, Kennedy anuncia a presença das armas nucleares em Cuba e lança a idéia do bloqueio naval. Durante dezessete minutos, a população fica congelada diante de seus aparelhos.
Nas horas que precederam o pronunciamento, os americanos colocaram suas forças militares em prontidão. Enquanto Kennedy discursava, 300 embarcações da Marinha tomavam o Atlântico e 20 aviões da Aeronáutica decolavam com bombas nucleares, prontos para uma possível guerra.
Em Moscou, Nikita Khrushchev recebia uma cópia antecipada do discurso. Ficou furioso [...] fosse bloqueio ou fosse "quarentena", para ele era ato de guerra. Khrushchev ordenou que as embarcações na rota de Cuba não parassem.
Terça, 23 de outubro
A pedido de Washington, a Organização dos Estados Americanos aprova uma resolução que apóia a "quarentena" e pede a remoção dos mísseis.
Uma nova missão de reconhecimento traz a Washington imagens impressionantes dos mísseis — numa delas, os soviéticos parecem testar as armas para um possível lançamento.
Os navios americanos se posicionam na linha da quarentena. Têm ordens para parar à força qualquer embarcação que tente cruzá-la.
Quarta, 24 de outubro
O bloqueio entra em vigor. A tensão aumenta quando as embarcações soviéticas não mudam a rota para Cuba.
Os americanos já esperam pelo pior quando, de repente, a esquadra vermelha dá meia-volta. "Eles piscaram primeiro", diz o secretário de Estado Dean Rusk a McGeorge Bundy.
Mas a construção das bases de mísseis em Cuba continua. Ao mesmo tempo, os militares americanos — sem conhecimento de Kennedy — elevam seu grau de preparação para guerra, agora em Defcon 2. É o mais alto grau de alerta já registrado nos EUA.
Quinta, 25 de outubro
O embaixador americano na ONU, Adlai Stevenson, apresenta ao Conselho de Segurança as provas da existência dos mísseis em Cuba.
Pressionado pela contundente exposição de Stevenson, o embaixador soviético, Valerian Zorin, fica sem palavras. Fidel Castro autoriza sua defesa antiaérea a abrir fogo contra qualquer piloto americano avistado sobre a ilha.

Só papel no 'Marcula': o navio soviético foi o
único parado pelo bloqueio
Sexta, 26 de outubro
Pela primeira vez desde o início da quarentena, um navio soviético é parado e inspecionado pelos americanos. Dentro do Marcula, porém, havia apenas um carregamento de papel.
A CIA diz a Kennedy que ainda não há sinais de interrupção na montagem dos mísseis. Quando o presidente americano começa a acreditar que a quarentena não será suficiente para intimidar os inimigos, chega uma inesperada carta do primeiro ministro da Russia Nikita Khrushchev.
[...]

Ao final, o líder soviético Nikita Khrushchev e Fidel
Castro
removem os mísseis e evitam a guerra nuclear.
Fonte: BBC.com.uk
~~~~~~~
Crise dos Mísseis Cubanos de 1962 demarcou de forma [...] mais gritante os limites do conflito direto em uma era nuclear.Os soviéticos procuraram introduzir secretamente mísseis de médio alcance em Cuba, o que representou uma clara ameaça ao continente americano.
Embora os Estados Unidos nessa época ainda dispusessem de uma superioridade esmagadora em armas nucleares, uma guerra total representava ameaça de danos inaceitáveis.
O presidente Kennedy concluiu, portanto, um acordo secreto cujos termos só foram conhecidos muitos anos depois.
Em troca da retirada dos mísseis nucleares soviéticos de Cuba, os Estados Unidos concordaram em não avançar contra o regime comunista de Fidel Castro na ilha e também em retirar, após um período considerado satisfatório, os mísseis americanos “obsoletos” posicionados na Turquia.
Michael J. Friedman, A Guerra Fria: Teste do Poder Americano e Prova de Ideais, em: http://usinfo.state.gov/journals/itps/0406/ijpp/friedman.htm
~~~~~~~
As armas
COMPARAÇÃO
TOTAL DE OGIVAS NUCLEARES PRONTAS PARA
USO
1958
1959
1960
1691 1962
EUA
5.700
7.006
7.000
6.874
7.211
URSS
260
360
405
471
522
TOTAL DE OGIVAS
NUCLEARES ESTOCADAS
1958
1959
1960
1691
1962
EUA
9.822 15.468
20.434 24.111
20.297
URSS 869
1.060
1.605 2.471
3.322
TOTAL
DE MÍSSEIS COM CAPACIDADE
NUCLEAR
1958
1959
1960
1691 1962
EUA
0
6 12
57
203
URSS 0
0
2
10
36
TOTAL DE
BOMBARDEIROS PARA LANÇAR OGIVAS
NUCLEARES
1958
1959
1960
1691
1962
EUA 1.
620
1.545 1.515
1.395
1306
URSS 85
105
121
133 138
TOTAL DE
SUBMARINOS PARA LANÇAR AS OGIVAS
NUCLEARES
1958
1959
1960
1691
1962
EUA
0 0
2
5
9
URSS
2
11
10
19
24
ALCANCE
DOS MÍSSEIS
AMERICANOS
Scud
-Miami-alcance: 650 km
SS-3 -New
Orleans - Savannah -alcance: 1.160
km
SS-4 -San
Antonio - Dallas - Atlanta -alcance: 1.890
km
SS-5 -L.
Angeles-Chicago-N. Iorque-Washington -alcance: 4.050 km
~~~~~~~

Cuba depois da revolução







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