
Jacques Nicolas Bellin, Mapa de Cuba, 67 x 94
cm, 1762.
CUBA
Colonização,
República
e Revolução,
Bolívar,
Che e Fidel.
Texto de Ana C. Dantas e Pedro de
Sousa
Por volta de 1250 d.C. chegam a Cuba os Índios Tainos, e lá vivem conforme seus costumes até o final do século XV. Em 1492 tem início o Período Colonial cubano.
Período Colonial
1492 - 1898
Principal economia:
- Engenho
-
Tabaco
-Tráfico Negreiro
1492 Colombo avista Cuba
1508 Sebastián de Ocampo circunnavega Cuba
1512 Diego Velásquez de Cuéllar (1465-1524), conquistador espanhol, desembarca em Baracoa. [Cuéllar governou Cuba de 1511 até sua morte].
1514 Estabelecem-se as primeiras sete povoações
1515 Santiago de Cuba se torna capital da colônia
1519 Dia 10 de fevereiro ® Hernán Cortés (1485 - 1547) parte de Havana para o México, conquistando seu território a favor da coroa espanhola.
1519 Havana se estabelece no local atual
1522 Primeiros escravos africanos são trazidos para Cuba
1542 É abolido o sistema de encomenda
1555 Piratas franceses saqueiam Havana
1556 A Capitania Geral espanhola muda-se para Havana
1564 A primeira Frota dos Tesouros parte de Havana
1589 Havana e Santiago de Cuba são fortificadas
1607 Havana é declarada capital de Cuba
1628 O almirante holandês Piet Heyn, captura da frota do tesouro mexicana. O corsário holandês, com a elevada quantidade de saques que praticou, foi um dos principais fatores que levaram à independência da Holanda e ao declínio do Império Espanhol; era adversário implacável do catolicismo e, em especial, da Espanha, por ter cumprido pena de três anos de trabalho forçado em navios espanhóis.
1674 Início da construção das muralhas da cidade de Havana
1700 O tabaco torna-se o principal produto de exportação
1728 Fundada a Universidade de Havana
1762 Havana é capturada pelos Britânicos
1763 Os Britânicos trocam Cuba pela Flórida
1765 Liberalizado comércio com Espanha
1790 Importação em massa de escravos africanos
1800 O açúcar torna-se a principal exportação
1818 Permitido o comércio com todos os países

Vista do morro de Havana, Cuba.
Ernesto Armitano, América, Barroco y Arquitectura, Caracas,
1972.
Alvará de abertura dos portos
Fim do coloninalismo
1818
- Cuba continua sendo
colônia política,
administrativa e religiosa da Espanha
e se abre ao comércio dos EUA
- É o marco da inserção dos EUA em Cuba
- É a passagem do Antigo
Sistema Colonial (Espanha),
para o neo colonialismo (EUA)
- Principal comércio: tabaco e açúcar
- O comércio é desigual, o crescimento é desigual
- EUA têm domínio comercial e econômico
1820 Tráfico de escravos abolido (de forma ineficaz)
1825 Maior parte de América Latina independente, graças a Simón Bolívar
1837 Construída a primeira linha férrea
1848 EUA tentam comprar Cuba à Espanha
1850 Narciso Lopez eleva a bandeira cubana
1854 EUA tentam de novo comprar Cuba
1865 Termina a importação de escravos africanos
1868 Primeira Guerra da Independência ® até 1878
1879 Escravos são transformados em "aprendizes"
1886 Termina o sistema de "aprendizes"
Segunda guerra
da independência
1895-1898
-Independência Política: Cuba x Espanha
Vitória de Cuba que expulsa os
religiosos,
políticos e a administração espanhola;
-Independência Econômica:
Cuba x EUA
Derrota de Cuba, continua o
comércio desigual com os EUA
que venderam as armas para a luta contra a Espanha
- Herói: José Martí
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Guerra
Hispano-Americana
1898
Texto do EducaTerra
Voltaire Schilling

O ataque americano as colinas de San
Jacinto
A rebelião de
1895,
instigada em Cuba pelo
patriota José Martí contra o domínio colonial espanhol,
teve a adesão imediata da opinião pública
norte-americana por entenderem-na
como uma guerra justa, favorecendo
aqueles políticos e jornalistas que há muito
pregavam a necessidade dos Estados Unidos
anexarem a bela ilha caribenha,
terra do açúcar e do tabaco, aos interesses
norte-americanos. Tudo isso fez com
que os Estados Unidos se envolvessem
na sua primeira guerra fora do
território continental:
A guerra de 1898 contra o Império Espanhol.
José Martí e a libertação de Cuba
"Foi uma esplêndida
guerrinha"
disse John Hay a seu amigo Teddy
Roosevelt
Embarque norte-americano em Tampa, Flórida, 1898
As ilhas de Cuba e de Porto Rico, situadas no Caribe, eram os últimos vestígios do império espanhol no continente americano. Findava o século XIX e a rica e estratégica ilha de Cuba ainda não havia conseguido obter sua independência.
Mas em 1895, graças ao esforço de um dos mais notáveis libertadores latino-americanos, José Martí, e sua conclamação à luta feita pelo grito de Baire, iniciara-se a batalha final. Denominado "El Apostol", Martí, a verdadeira alma do movimento por uma república cubana, era um hábil jornalista, incansável orador, fundador e organizador do Partido Revolucionário Cubano, arma política da emancipação da ilha.
Apesar dele ter sido mortalmente ferido logo no início do levante antiespanhol, a rebelião dos mambises, como os rebeldes nacionalistas se chamavam, teve prosseguimento por meio de uma tenaz luta guerrilheira.
Após a morte de Martí, a chefia militar dividiu-se entre os generais Gómez e Maceo, em cujas filas lutavam negros e brancos, armados por expedições piratas saídas dos Estados Unidos e que a marinha espanhola não conseguia interceptar.
Nesta guerra, tornaram-se célebres os métodos repressivos aplicados pelo general Valeriano Wyler, que não hesitou em criar campos de concentração para isolar a guerrilha do seu apoio social.
A inútil tentativa espanhola
Quando a guerra contra os rebeldes cubanos já entrava em seu segundo ano, o governo do ministro espanhol Sagasta destituiu o general Wyler e deu a Cuba um governo autônomo, o que desgastou a facção dos unionistas, que não desejavam a separação com a Espanha. A confusão reinante no país serviu como pretexto para que o presidente dos Estados Unidos, McKinley, enviasse para Havana o encouraçado Maine para "proteger as vidas e propriedades americanas", fazendo com que o envolvimento do seu país no conflito fosse cada vez mais intenso.
A cobiça americana pela ilha de Cuba
A idéia de que a ilha de Cuba, "a pérola do Caribe", era uma espécie de prolongamento do litoral norte-americano, um quase quintal dos interesses nacionais, já fazia parte do jingoísmo americano pelo menos há mais de meio século. Senão desde os tempo em que Thomas Jefferson, por volta de 1803, tentou comprar a ilha do governador espanhol local.
O New York Sun, em 1847, afirmava ser a ilha não só "o jardim do mundo" como "a chave do Golfo". Para os Knights of the Golden Circle (Os Cavaleiros do Círculo Dourado), uma associação secreta sulista, organizada em 1854, a ilha era apenas uma peça no sonho deles de construir um império caribenho que abarcaria além naturalmente dos estados sulistas dos Estados Unidos, a anexação da maior parte do território do México, o Caribe, a América Central, incluindo até a Venezuela e a Colômbia.
Tratava-se de uma vastíssima extensão de terras, dominada por grandes proprietários voltados todos à exploração de um reino escravocrata, dedicado à produção do tabaco, açúcar, arroz e café.
E, no transcorrer do século XIX, muitos membros da oligarquia cubana viam nos Estados Unidos um sólido protetor da manutenção da escravidão e da monocultura açucareira, onde estavam investidas suas fortunas. Assim, se a Espanha tentasse abolir a ordem vigente, ameaçavam solicitar a anexação da ilha por parte dos Estados Unidos. Foi com tristeza que assistiram à derrota dos confederados na guerra civil, pois com eles naufragava a possibilidade da perpetuação da escravidão em Cuba.
A corajosa luta dos revolucionários cubanos para obterem sua independência colheu imediata simpatia junto à opinião pública norte-americana. No entanto, esta simpatia terminou sendo canalizada por grupos jingoístas liderados principalmente por Theodore Roosevelt e pelo dono de uma cadeia de jornais da imprensa marrom W. R. Hearst. Estes viram na rebelião a possibilidade dos Estados Unidos controlarem não apenas a ilha de Cuba, mas todo o Caribe.
Certamente pesara na adoção da política intervencionista o aumento dos interesses norte-americanos em Cuba, onde cerca de 50 milhões de dólares estavam investidos no açúcar e em indústrias extrativas, sendo que o comércio, já em 1893, ultrapassava a marca de 100 milhões de dólares, fazendo com que os mais variados negócios e interesses de navegação dependessem dele. Era a grande oportunidade. O governo McKinley rapidamente avançou para posições mais belicosas.
Lembrem-se do Maine!

O navio americano USS Maine,
destruído em 1898. Foto: The Discovery
Channel
USS Maine
embarcou rumo a Cuba em 28 de janeiro para proteger
os interesses dos EUA durante a revolta da ilha contra a
Espanha.
A tripulação do Maine era
formada por 354 homens,
266 dos quais (2 oficiais e 264 marinheiros) encontraram
a morte quando o navio explodiu às 21h 40 min do dia
15/02/1898.
A unidade foi recuperada no começo de 1912,
rebocada para o mar alto e afundada
nos estreitos da Florida. No dia da Comemoração de 1915,
o seu mastro maior foi colocado, como monumento,
no Cemitério Nacional de Arlington, na
Virginia.
Em setembro de 1897, o presidente norte-americano havia oferecido
seus bons ofícios para pacificar a ilha. No entanto, a explosão do
Maine, que estava ancorado na baía de Havana, em 15 de fevereiro de
1898, tornou a situação inconciliável.
Como sempre ocorre nessas ocasiões, a tragédia que engolfou o encouraçado serviu como faísca para uma explosão belicista por parte da opinião pública norte-americana. As 260 vítimas da catástrofe foram servidas numa grande travessa para o jantar dos jingoístas de Washington. Era preciso vingá-las!
Mesmo com a oposição do presidente McKinley, o confronto passou a ser inevitável, fazendo com que este terminasse por enviar a mensagem de guerra ao Congresso. O ato provocou grande regozijo nacional, pois a campanha contra a Espanha era vista como uma generosa dádiva do "império benéfico" para com o sofredor povo cubano.
Como resultado deste estado de espírito, foi aprovada a emenda Teller, pela qual os Estados Unidos renunciavam a "qualquer intenção ou disposição de exercer soberania, jurisdição ou controle sobre a dita ilha".
Atendendo ao apelo para a convocação militar, duzentos mil voluntários se apresentaram, dos quais apenas 18 mil foram realmente empregados. A campanha foi curta e vitoriosa, durando ao todo menos de oito meses. Desembarcadas nas ilhas, as forças norte-americanas passaram rapidamente à ofensiva, derrotando as esquálidas forças ibéricas em Las Grasimas, El Caney e San Juan, onde Roosevelt chefiou seus "Bravos Cavalheiros" numa carga que lhe abriu as portas da Casa Branca.
A derrota espanhola e a paz
A esquadra americana, por sua vez, pôs a pique o que restava da força naval espanhola na Baía de Santiago em 19 de maio de 1898. A fuga do almirante Cervena a nado encerrava com um melancólico epitáfio, o domínio espanhol na região, domínio que se estendera por mais de quatrocentos anos desde a chegada da esquadra de Colombo em 1492.
Pouco mais de cem dias após a declaração de guerra, o Presidente McKinley ditava a paz com a Espanha, em 30 de julho. Posteriormente, pelo Tratado de Paris, a Espanha renunciava a Cuba, Porto Rico e Filipinas. O velho império espanhol cedia seu lugar ao novo imperialismo.
Cuba e Porto Rico, recolonizados
Quanto a Cuba em si, terminaria por confirmar os temores de Martí, que sustentava que um país que tem sua base econômica num só cultivo se vende a si mesmo como escravo.
Situação concreta, ressaltada em 1901 pela Emenda Platt à Constituição cubana, pela qual se concedia aos Estados Unidos o direito de intervir nos assuntos internos da nova república, negando à ilha, bem como à vizinha ilha de Porto Rico, a condição jurídica de nação soberana.
Para não pairar dúvidas sobre a situação que Cuba se encontrava depois da Guerra Hispano-americana, as autoridades militares ianques nem se deram ao trabalho de convidar os chefes dos guerrilheiros cubanos que haviam lutado pela independência, ombro a ombro com eles, para a cerimônia da rendição dos oficiais espanhóis, em Havana.
O destino final desta "revolução frustrada" de Martí se fez pela revolução fidelista sessenta anos depois, tendo como objetivo a redenção da soberania econômica e política de Cuba.
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