
Cuban leader Fidel Castro on Jan. 15, Photo
by REUTERS / Luiz Inacio Lula da Silva /
CubaVision TV/Handout (CUBA)
FIDEL
Mensaje
del Comandante
en Jefe
Por Rita de Sousa
No dia 19 de fevereiro de 2008, ano 50 da Revolução, uma terça-feira ensolarada e chuvosa em São Paulo, Brasil, o mundo desperta para uma notícia um tanto quanto esperada.
“Mensaje del Comandante en Jefe
A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré — repito — no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe.”
Assim começa a chamada da página principal do jornal eletrônico Granma, de Cuba, reproduzido quase que ao simultâneo para todas as línguas. Comentada, repercutida, divulgada, até festejada, dela pode-se concluir que Fidel Castro, Presidente de Cuba, ou, melhor dizendo, Comandante em Chefe recém eleito, renunciou ao cargo que quase completou 50 anos.
Ao que se sabe, Fidel foi afastado do cargo há 19 meses, 1 ano e seis meses, período em que seu irmão Raul Castro o substituiu.
Acho interessante as manchetes de outros jornais na Internet alardearem a tal “renúncia”, inclusive fazendo planos para a ilha que um dia foi a “casa da mãe Joana” do imperialismo estadunidense. Eu li a mensagem do Comandante em Chefe Fidel, o barbudo, que aos 81 anos se recupera de uma doença sob a tutela dos seus bem formados médicos. E, na notícia que eu li, direto da fonte primária, no original em espanhol, não encontrei nenhum sinônimo de renúncia. Ah bem! Ele não aceita nem aspira o cargo. Ok. Ele foi eleito e não quer ocupar o cargo. Para os diabos!!!!
Nesta mensagem, em que ele cita a coerência de Niemeyer, ele fala do “seu estado crítico de saúde” e que, devido ao repouso forçado, teve oportunidade de meditar muito após “alcançar novamente o domínio da [sua] mente”. Mais a frente, ele declara que trairia sua consciência se aceitasse uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total que não tem condições físicas de oferecer. Algo simples, notícia velha, datada de 19 meses. Todo mundo sabia disso. Ninguém esperava mais ver o barbudo, trajes verdes, em seus longos discursos que chegaram a durar oito horas inteiras há pouco mais de cinco anos. Qual é a novidade?
No que me diz respeito, pude perceber que Raul continua lá, interinamente, como previsto na Constituição cubana, rodeado de compatriotas revolucionários admiradores de Fidel. Por ora, não vejo mudanças no horizonte, como anseiam alguns. Afinal, Fidel não morreu, não se mudou para as ilhas do Caribe a gozar a aposentadoria, não perdeu sua voz e não deixou de ser Fidel, como diz o presidente brasileiro Lula, continua a ser o “mito vivo”. Ou, como ele próprio garante: “Não me despeço de vocês. Desejo só combater como um soldado das idéias. Seguirei escrevendo sob o título ‘Reflexões do companheiro Fidel’. Será uma arma a mais do arsenal com a qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso”.
Fontes: http://www.granma.cu/; http://www.granma.cu/espanol/2008/febrero/mar19/mensaje.html
; http://terratv.terra.com.br/templates/channelContents.aspx?channel=2481&contentid=191885
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