Iracema
ENREDO — Por tópicos
1 A partida (Martim, Japi e Moacir)
"onde vai a afouta jangada, que
deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande
vela?"
2 O encontro
(Martim e Iracema)
"Rumos suspeito quebra a doce
harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não
deslumbra; sua vista perturba-se.
Diante dela e todo a contemplá-la,
está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito
da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar,
nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e
tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo. Foi rápido, como o olhar, o
gesto de Iracema. A flecha partiu. Gotas de sangue borbulham na
face do desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu
sobre a cruz da espada; mas sorriu. O moço guerreiro aprendeu na
religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor.
Sofreu mais d'alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e
no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e correu
para o guerreiro, sentida da mágoa que causara. A mão que rápida
ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava.
Depois Iracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao
desconhecido, guardando consigo a ponta farpada. O Guerreiro
falou:
— Quebras comigo a flecha da paz?"
3 Martim,
hóspede de Araquém
- Importante: tema da hospedagem;
- regras
rigorosas;
- respeito absoluto a
elas.
4 Relação
amorosa
- Vestal - religiosidade;
- "Estrangeiro, Iracema não pode ser tua serva. É ela que guarda o segredo de jurema e o mistério do sonho. Sua mão fabrica para o Pajé a bebida de Tupã."
- Apaixona-se por Martim;
- Envolve e seduz o guerreiro branco.
5 Ciúme de
Irapuã
- Apaixonado por
Iracema;
- Ódio por
Martim;
- Desejo de
vingança;
- Obrigado a respeitar a
hospitalidade de Araquém.
"— Nunca Iracema daria seu
seio, que o espírito de Tupã habita só, ao guerreiro mais vil dos
guerreiros tabajaras! Torpe é o morcego porque foge da luz e bebe o
sangue da vítima adormecida!...
— Filha de Araquém, não
assanha o jaguar! O nome de Irapuã voa mais longe que o goaná do
lago, quando sente a chuva além das serras. Que o guerreiro branco
venha, e o seio de Iracema se abra para o
vencedor.
— O guerreiro branco é hóspede
de Araquém. A paz o trouxe aos campos do Ipu, a paz o guarda. Quem
ofender o estrangeiro ofende o Pajé."
6
Confrontos
a) Martim X Irapuã
- Aldeia tabajara: ambiente de revolta;
- Martim foge, ajudado por
Caubi;
- Irapuã persegue e intercepta o
fugitivo;
- Caubi
intercede.
b) Tabajaras X
Pitiguaras
- Irapuã retira-se
7 Guerra
- Tapuitingas + Irapuâ X
pitiguaras;
- Jacaúna chama Poti e
Martim;
- Martim parte para a
guerra.
8 Abandono de
Iracema
"[...] Poti
refletiu:
— As lágrimas da mulher
amolecem o coração do guerreiro, como o orvalho da manhã amolece a
terra.
— Meu irmão é grande sabedor.
O esposo deve partir sem ver Iracema.
O cristão avançou. Poti mandou-lhe
que apressasse: da alijava de setas que Iracema emplumara de penas
vermelhas e pretas e suspendera aos ombros do esposo, tirou
uma.
O chefe potiguara vibrou o arco; a
seta rápida atravessou um goiamum que discorria pelas margens do
lago; só parou onde a pluma não a deixou mais
entrar.
Fincou o guerreiro no chão a flecha,
com a presa atravessada, e tornou para Coatiabo.
— Podes partir. Iracema
seguirá teu rasto; chegando aqui, verá tua seta, e obedecerá à tua
vontade. Martim sorriu; e quebrando um ramo do maracujá, a flor da
lembrança, [...]
— Ele manda que Iracema ande
pra trás, como o goiamum, e guarde sua lembrança, como o maracujá
guarda sua flor todo o tempo até morrer.
A filha dos tabajaras retraiu os
passos lentamente, sem volver o corpo, nem tirar os olhos da seta
de seu esposo; depois tornou à cabana. Ali sentada à soleira, com a
fronte nos joelhos esperou, até que o sono acalentou a dor de seu
peito."
9 Volta de
Martim
- Nascimento de
Moacir
- Sofrimento e morte de
Iracema
- Martim enterra
Iracema
"— Recebe o filho de teu
sangue. Era tempo; meus seios ingratos já não tinham alimento para
dar-lhe! Pousando a criança nos braços paternos; a desventurada mãe
desfaleceu [...] O esposo viu então como a dor tinha consumido seu
belo corpo; mas a formosura ainda morava nela
[...]
Enterra o corpo de tua esposa ao pé
do coqueiro que tu amavas. Quando o vento do mar soprar nas folhas,
Iracema pensará que é a tua voz que fala entre seus
cabelos.
O doce lábio umedeceu para sempre; o
último lampejo despediu-se dos olhos baços.
Poti amparou o irmão na grande dor.
Martim sentiu quanto um amigo verdadeiro é preciosos na
desventura
[...]
O camucim que recebeu o corpo de
Iracema, embebido de resinas odoríferas, foi enterrado ao pé do
coqueiro, à borda do rio. Martim quebrou um ramo de murta, a folha
da tristeza, e deitou-o no jazido de sua esposa. A jandaia pousada
no olho da palmeira repetia tristemente: -
Iracema!"
10 Canto da
Jandaia e nascimento do Ceará
"Desde então os guerreiros
potiguaras que passavam perto da cabana abandonada e ouviam ressoar
a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de
tristeza, do coqueiro onde cantava a jandaia. E foi assim que um
dia veio a chamar-se Ceará o rio onde crescia o coqueiro, e os
campos onde serpeja o rio."
11 Quatro anos
depois...
- Martim volta com o filho e um
padre;
- Encontro com
Poti;
- Conversão de Poti: batizado
católico;
- Martim, Camarão e Albuquerque
partem para Mearim: expulsão do branco tapuia.
"Poti foi o primeiro que ajoelhou
aos pés do sagrado lenho; não sofria ele que nada mais o separasse
de seu irmão branco. Deviam ter ambos um só deus, como tinham um só
coração.
Ele recebeu com batismo o nome do
santo, cujo era o dia; e o do rei, a quem ia servir, e sobre is
dois o seu, na língua dos novos irmãos. Sua fama cresceu e ainda
hoje é o orgulho da terra, onde ele primeiro viu a luz.
[...]
Jacaúna veio habitar nos campos da
Porangaba pra estar perto de seu amigo branco; Camarão erguera a
taba de seus guerreiros nas margens da Macejana.
Era sempre com emoção que o esposo
de Iracema revia as plagas onde fora tão feliz, e as verdes folhas
a cuja sombra dormia a formosa tabajara.
Muitas vezes ia sentar-se naquelas
doces areias, para cismar e acalentar no peito a agra
saudade.
A janela cantava ainda no olho do
coqueiro; mas não repetia já o mavioso nome de
Iracema.
Tudo passa sobre a
terra."
Fonte: Aula em
vídeo da Unicamp
BREVE RESUMO
Texto de
Gizelda Nogueira para o Centro Universitário Barão de
Mauá
Dedicatória:
“À Terra Natal - um
filho ausente”.
No prólogo da primeira edição, o
autor afirma:
“O livro é cearense. Foi
imaginado aí, na limpidez desse céu de cristalino azul, e depois
vazado no coração cheio de recordações vivazes de uma imaginação
virgem. Escrevi-o para ser lido lá, na varanda da casa rústica ou
na fresca sombra do pomar, ao doce embalo da rede, entre os
murmúrios do vento que crepita na areia ou farfalha nas palmas dos
coqueiros”.
Verdes mares bravios da minha terra
natal, onde canta a jandaia nas frontes da carnaúba
[...].
Verdes mares, que brilhais como
líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas
praias ensombradas de coqueiros [...]
Onde vai a afouta jangada, que deixa
rápida a costa cearense, aberta ao fluxo terral a grande vela?
[...]Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando
veloce, mar em fora.
Um jovem guerreiro cuja tez branca
não cora o sangue americano; uma criança e um rafeiro que viram a
luz no berço da floresta, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma
terra selvagem [...].
O capítulo I apresenta a história
que vai ser contada, mostrando seu caráter nacionalista e
patriótico. É a proposição, onde o autor, numa linguagem
excessivamente lírica introduz as personagens, e induz o leitor à
construção da natureza, do índio e do enredo que os envolve com o
elemento europeu.
A partir do segundo capítulo, a história toma corpo, quando Iracema, índia
Tabajara, inadvertidamente, fere
Martim, amigo e protegido dos pitiguaras.
Iracema apaixona-se pelo guerreiro
branco e o conduz à tribo, onde Martim defronta-se com Irapuã,
chefe que o desafia para um duelo, interrompido por Poti (amigo de
Martim), que lidera os pitiguaras num grito de
guerra.
Uma noite, Martim pede à Iracema o
vinho de Tupã, já que não está conseguindo resistir aos encantos da
virgem. O vinho, que provoca alucinações, permitiria que ele, em
sua imaginação, possuísse a jovem índia como se fosse realidade.
Iracema lhe dá a bebida e, enquanto ele imagina estar sonhando,
Iracema “torna-se sua esposa”.
O valor alegórico dessa passagem no
faz perceber que ao “possuir” Iracema, Martim está
inconsciente. Esse gesto provocará a destruição da virgem, assim
como a invasão do Brasil pelos portugueses provocará a destruição
da floresta virgem americana. No entanto, assim como Martim não
tinha qualquer intenção de provocar a morte de sua amada — o
faz por paixão — os destruidores da natureza brasileira o
fizeram de forma inconsciente e inconseqüente.
Martim e Iracema escondem-se nas
entranhas da terra e amam-se, não obstante o compromisso da virgem
vestal (por saber o segredo de jurema - a força da tribo
Tabajara).
Os primitivos habitantes das
Américas foram grandes detentores do conhecimento das plantas
psicoativas empregadas na elaboração de suas bebidas rituais, tal
como o vinho da jurema, à base da planta conhecida por jurema
(Mimosahostilis Benth), hoje sacralizada nos sistemas de crença
afro-brasileiros.
Martim é ameaçado pelo enciumado
chefe guerreiro Irapuã, que quer invadir a cabana de Araquém e
matá-lo. Apesar da advertência de Araquém de que Tupã puniria quem
machucasse seu hóspede, os guerreiros de Irapuã cercam a cabana,
que é protegida por Caubi.
É hora de o guerreiro branco partir
ao encontro do amigo, Poti.
A tribo é, então, levada por Iracema
até o bosque de jurema, onde os guerreiros adormecidos sonham com
vitórias futuras, enquanto ela propicia a fuga de Martim e Poti.
Ela não revela a Martim que havia se tornado sua esposa, enquanto o
iniciava nos mistérios de jurema.
Irapuã persegue os fugitivos,
travando-se um combate entre os tabajaras e os pitiguaras,
liderados por Jacaúna. Iracema pede a Martim que não mate Caubi,
seu irmão, e salva-lhe a vida duas vezes. Por fim os tabajaras,
considerando-se vencidos, fogem e deixam Iracema triste e
envergonhada.
Os três - Martim, Poti e Iracema -
chegam ao território pitiguara, e seguem em visita ao avô de Poti,
Batuirité, que denomina Martim de gavião branco e profetiza que os
índios serão destruídos pelo homem branco.
Batuirité estava sentado sobre uma
das lapas da cascata; o sol ardente caia sobre sua cabeça, nua de
cabelos e cheia de rugas como o jenipapo. Assim dorme o jaburu na
beira do lago.
- Poti é chegado à cabana do grande
Maranguab, pai de jatobá, e trouxe seu irmão branco para ver o
maior guerreiro das nações.
O velho soabriu as pesadas
pálpebras, e passou do neto ao estrangeiro um olhar baço. Depois o
peito arquejou e os lábios murmuraram:
- Tupã quis que esses olhos vissem
antes de se apagarem, o gavião branco junto da
narceja.
Iracema engravida. Ela e Poti pintam
o corpo de Martim, que passa a ser chamado de Coatiabo, o guerreiro
pintado. Este, entretanto, passa por crises de grande melancolia,
motivadas por saudades da pátria. A força do amigo e o carinho da
mulher amada não lhe bastam mais. Ele sente uma atração
irresistível pelo horizonte sem fim que se lhe descortina pelo
mar.
Poti, então, recebe um mensageiro de
Jacaúna, trazendo a notícia de que os franceses haviam se aliado
aos tabajaras e de que haveria guerra. Ele e Martim partem para a
luta e Iracema fica no litoral, acompanhada de um galho de
maracujá, a planta da lembrança, que lhe fora deixada por
Martim.
Entristecida pela solidão recebe a
visita da jandaia, uma ave que havia sido sua companheira, fora
abandonada, e que volta a lhe fazer companhia.
- Iracema! Iracema!
Ergueu ela os olhos e viu entre as
folhas da palmeira sua linda jandaia, que batia asas, e arrufava as
penas com o prazer de vê-la.
A lembrança da pátria, apagada pelo
amor, ressurgissem seu pensamento. Viu os formosos campos do Ipu,
as encostas da serra onde nascera, a cabana de Araquém, e teve
saudades; mas naquele instante, ainda não se arrependeu de os ter
abandonado.
Solitária e saudosa, Iracema tem
dificuldade para amamentar o filho e quase não come. Desfalece de
tristeza. Martim fica longe de Iracema durante oito luas (oito
meses) e, quando volta, encontra Iracema à beira da morte. Ela
entrega o filho a Martim, deita-se na rede e morre, consumida pela
dor. Poti e Martim enterram-na ao pé do coqueiro, à beira do rio.
Segundo Poti: “quando o vento do mar soprar nas folhas,
Iracema pensará que é tua voz que fala entre seus
cabelos.”
O lugar onde viveram e o rio em que
nascera o coqueiro vieram a ser chamados, um dia, pelo nome de
Ceará.
Martim partiu das praias do Ceará
levando o filho. Alencar comenta: “O primeiro cearense, ainda
no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de
uma raça?”
O guerreiro branco volta alguns anos
depois, acompanhado de outros brancos, inclusive um sacerdote
“para plantar a cruz na terra
selvagem”.
Era sempre com emoção que o esposo
de Iracema revia as plagas onde fora tão feliz, e as verdes folhas
a cuja sombra dormia a formosa tabajara.
Muitas vezes ia sentar-se naquelas
doces areias, para cismar e acalentar no peito a agra
saudade.
A jandaia cantava ainda no olho do
coqueiro; mas não repetia já o mavioso nome de
Iracema.
Tudo passa sobre a
terra.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Câmara Cascudo, um nordestino
sempre reverenciado pela expressão aguda de sentir os fenômenos
culturais da região, referiu-se deste modo ao comentar a
identificação nacional com a obra e os personagens de Alencar:
´[...] muito dessa irresistível atração foi o vocabulário de
Alencar, o brilho, a musicalidade verbal. A imagem inebriante e
soberba para o seu tempo, as graças capitosas da minúcia, da
precisão, da habilidade idiomática e mesmo sua sintaxe, as
concessões ao sabor local, os neologismos, brasileirismos, enfim a
liberdade ousada, aberta, corajosa, ostensiva, em empregar uma
técnica que era eminentemente sua e que apaixonou o Brasil
inteiro.
"Iracema é, sobretudo, um livro de
imagens; José de Alencar organiza uma memória
imagética’’, defende o diretor do Museu do Ceará,
historiador Régis Lopes. Sob essa tese, está sendo preparada a
exposição Edições de Iracema, reunindo cerca de 50 publicações do
romance - abertura agendada para o próximo dia 18, com a palestra
‘’Iracema em Cordel’’ (ministrada pelo
professor e pesquisador Gilmar de Carvalho) e o relançamento do
livro-cordel Iracema a Virgem dos Lábios de Mel (de João Martins,
original da primeira metade do século XX). A maior parte do acervo
da exposição é do setor de obras raras da Biblioteca Pública
Governador Menezes Pimentel. Foco nas imagens, ilustrações dos anos
20 a 90. ‘’Escolhemos o objeto livro para mostrar como
Iracema é um livro múltiplo. A forma pela qual se ilustra o romance
nos mostra uma Iracema mais romântica, mais moderna, com traços
econômicos, uma Iracema que parece que vem de Hollywood
[...]”, aponta Lopes.
Em anexo, continua o historiador,
‘’o pensamento sobre a História do Ceará. Precisamos
reestudar Iracema - que não é, somente, o índio idealizado; é muito
mais. Alencar queria criar um mito fundador para a nação, um
passado para o Brasil através de um índio heróico. Precisamos de
uma imaginação nacional, essa é a grande questão. E ele fez essa
imaginação a partir de uma imaginação cearense’’. Para
Régis Lopes, José de Alencar quis estabelecer, pela maternidade
indígena, uma relação de pertencimento entre brasileiros e Brasil.
‘’Iracema, hoje, é uma leitura que faz a gente pensar
sobre a memória. Qual é a memória que vamos ter em relação ao nosso
passado?’, conclui, com a pergunta que não quer
calar.
Regis Lopes
– Diretor do Museu do Ceará/2005/ Jornal da
poesia.
CURIOSIDADES
O maracujá é uma planta tipicamente
brasileira, muito apreciada pelo sabor de seus frutos e pelo
perfume de suas flores.
Estas flores, conhecidas como
“Flores da Paixão”, foram antigamente muito apreciadas
e celebradas como “as graças dos prados, brincos da natureza
e devoção da piedade cristã”. Maracujá, na língua tupi, quer
dizer “alimento dentro da cuia”. É mesmo na cuia, isto
é, na própria casca, que o maracujá recebe total apreciação de
norte a sul do país.
EXERCÍCIOS
1- Qual é o sentido simbólico
guardado pelo enredo?
2- A narrativa se fundamenta em
pesquisas históricas ou em lendas da tradição oral? Como o autor
define o romance?
3- Como o conflito da trama é
exposto?
4- Em “Iracema” só não
se pode dizer que
a) também é conhecida por
“Lenda do Ceará”.
b) a história se passa no Vale do Paraíba, às margens do Rio
Paquequer.
c) é conhecido como “Poema Americano”.
d) o filho de Iracema é Moacir, em tupi - símbolo da dor.
e) Martim, um aventureiro português, é responsável pelo fato de a
heroína abandonar sua tribo.
5- Qual é a função da Natureza no
texto?
6- (USP) O índio, em alguns romances
de José de Alencar, como Iracema e Ubirajara, é
a) retratado com objetividade, numa
perspectiva rigorosa e científica.
b) idealizado sobre o pano de fundo da natureza, da qual é o herói
épico.
c) pretexto episódico para descrição da natureza.
d) visto com o desprezo do branco preconceituoso, que o considera
inferior.
e) representado como um primitivo feroz e de maus
instintos.
7- (Fuvest) “O primeiro
cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí uma
predestinação de uma raça?” Eis aí uma reflexão sob a forma
de pergunta que o autor, ......, faz a si mesmo com toda
propriedade, e por motivos que podemos interpretar como pessoais,
ao finalizar o romance ........ . Assinale a alternativa que
completa os espaços.
a) José Lins do Rego - Menino do
Engenho.
b) José de Alencar - Iracema.
c) Graciliano Ramos - São Bernardo.
d) Aluísio Azevedo - O Mulato.
e) Graciliano Ramos - Vidas Secas.
8- (Mack-SP) Sobre Iracema, é
incorreto afirmar que
a) o relacionamento entre Martim e
Iracema seria uma alegoria das relações entre metrópole e
colônia.
b) Iracema é descrita de uma forma idealizante, comparada com
elementos da natureza, característica própria do Romantismo.
c) o personagem Martim é lendário; nunca existiu, tratando-se,
portanto, de uma figura fictícia.
d) Moacir, que em tupi quer dizer “filho da dor”, é
levado por Martim para a Europa.
e) o romance é narrado em terceira pessoa, com narrador
onisciente.
9- (UFMG) Todas as passagens de
Iracema, de José de Alencar, estão corretamente explicadas,
exceto:
A filha de Araquém escondeu no
coração a sua ventura.
a) Ficou tímida e quieta como a ave
que pressente a borrasca no horizonte.
= Iracema entrega-se a Martim.
b) Iracema preparou as tintas. O chefe, embebendo as ramas da
pluma, traçou pelo corpo os riscos vermelhos e pretos, que ornavam
a grande nação pitiguara.
= O chefe pinta Martim, preparando-o para o combate com os
tabajaras.
c) Iracema, sentindo que se lhe rompia o seio, buscou a margem do
rio, onde crescia o coqueiro.
= Iracema prepara-se para dar à luz a Moacir.
d) O guerreiro branco é hóspede de Araquém. A paz o trouxe aos
campos de Ipu, a paz o guarda.
Quem ofende o estrangeiro ofende o Pajé.
= Iracema protege Martim da fúria de Irapuã.
e) Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem
os olhos, que o sol não deslumbra, sua vista perturba-se.
= Martim aparece pela primeira vez a Iracema, que saía do
banho.
10- A narrativa se estrutura em
“flash back”. Onde o texto nos permite essa
percepção?
GABARITO
1- Significado fundamental da lenda
sobre o amor de Iracema e Martim: representação do processo de
conquista e colonização do Brasil (o desejo, a sedução, o amor
declarado, a morte de Iracema – do Brasil primitivo – ,
a sobrevivência de Martim – o elemento branco – e do
filho – o brasileiro miscigenado).
2- “Iracema” está
fundamentada tanto na história do Brasil, quanto no relato oral.
Segundo seu autor, é uma lenda: “Quem não pode ilustrar a
terra natal, canta as suas lendas” (em carta ao Dr.
Jaguaribe, sobre “Iracema”).
Martim Soares Moreno e Filipe
Camarão são vultos da história do Brasil. Ambos lutaram contra a
invasão holandesa. Martim é considerado, realmente, o fundador do
Ceará e Poti recebeu a comenda de Cristo e o cargo de capitão-mor
dos índios pelos seus méritos. Alencar prefere acreditar no relato
oral quando se refere à tribo tabajara cruel e sanguinária que
habitava o interior, quando a história diz ser uma tribo
litorânea.
3- O dilema de Martim: oscila entre
a fidelidade a seu amigo pitiguara (Poti) e seu amor por Iracema
(tabajara). Iracema não poderia ser desvirginada, pois era uma
espécie de sacerdotisa.
Irapuã, cacique da tribo inimiga, desejava Iracema e funciona como
obstáculo à realização de Martim.
4- b
5- A Natureza, no texto, funciona
como personagem. É essencial na idealização dos
personagens.
Ela serve para pintar Iracema, a
virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que as
asas da graúna, mais longos do que seu talhe de palmeira. O favo da
jati não era doce como o seu sorriso, nem a baunilha recendia no
bosque como o seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema
selvagem...
Também é essencial na caracterização
da terra: Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a
jandaia nas frondes da carnaúba. Verdes mares que brilhais como
líquida esmeralda, afaga impetuosa, as brancas areias, a lua
argentando os campos.
6- b
7- b
8- c
9- b
10- O texto se abre pelo fim. Iracema, no 1º capítulo, já está morta, e Martim, Moacir e o cachorrinho Japi vão embora na jangada. O 32º capítulo narra a morte de Iracema e o 33º conta o retorno de Martim e a fundação do Ceará(?)
FIM
.................
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