Iracema, de Antonio Parreiras, 1909.
IRACEMA
A Lenda do Ceará
1865
a) Controvérsia sobre o título
Na revista da ABL, em 1929, surgiu a idéia de um anagrama:
Iracema = anagrama de América
Problema:
A questão da linguagem é inquestionável, mas não é possível comprovar a intenção
Subtítulo: "Lenda do Ceará"
Fundação do Ceará
"[...] uma história, que me contaram nas lindas várzeas onde nasci, à calada da noite [...]"
Sabor de lenda:
"Além, de muito além daquela serra que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema."
Problema:
Há mesmo uma lenda?
Advertência em Ubirajara:
"Este livro é irmão de Iracema. Chamei-lhe de lenda como ao outro"
b) Estrutura da obra:
A história compõe-se de XXXIII capítulos curtos, onde imagens e comparações superpostas sugerem o nascimento de um texto densamente poético. O enredo, porém, só começa a ser desenvolvido a partir do segundo capítulo, pois o capítulo I é apenas a apresentação do tema, um prólogo onde se vê um verdadeiro hino de nacionalismo, pois a natureza e o índio são idealizados.
Subtitulado “A Lenda do Ceará“, o livro, impregnado de lirismo, mistura ficção e realidade.
Em sua escritura, incrustam-se dois gêneros: o épico — por ser uma narrativa histórica — e o lírico —, uma vez que abriga subjetividade, o que faz com que sua linguagem toque, freqüentemente, o poético. Ressaltem-se, ainda, outros elementos, tais como: o ritmo, a musicalidade, a cadência. A musicalidade é a característica mais marcante de seu discurso literário.
Sabe-se que a
maior influência sentida na concepção de Iracema foi Átala,
magnífica obra romântica francesa de Chateaubriand.
c) Caracterização
psicológica:
amor acima de tudo;
transgressão das regras;
amorX autoridade paterna;
amor e morte;
Possível modelo:
Teresa, de Amor e Perdição de Camilo Castelo Branco (1862)
d) Contradição
Plano físico: traços indígenas
Plano psicológico: modelo das heroínas européias
e) A idealização do
índio
Caracterização física
"Iracema, a virgem dos lábios de mel [...]. O favo da jati não era tão doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado."
"Quem cria, vê sempre uma Lindóia na criatura, embora as índias sejam pançudas e remelentas."
(Trecho de Amar, verbo intransitivo - idílio de Mário de Andrade) [1]
f) Foco
narrativo
A obra foi escrita em terceira pessoa, e leva a crer que temos um narrador-observador, porém o ufanismo faz com que, em alguns momentos, o narrador apareça em primeira pessoa e deixe transparecer sua admiração e seu envolvimento. O narrador participa da história:
“Uma história que me contaram nas lindas vargens onde nasci”.
A intromissão do narrador no texto faz com que ele deixe de ser um mero observador, e permite que transmita juízo de valores.
"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta jandaia nas frondes da carnaúba"
g) A linguagem
1 - prosa poética
Capítulo 1
"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;
Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros;
Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas. [...]"
"Ver-des-ma-res-bra-vios (6)
De-mi-nha-ter-ra-na-tal (7)
On-de-can-taa-jan-da-ia (6)
Nas-fron-des-da-car-na-úba (7)
Ver-des-ma-res-que-bri-lha-is (7)
Co-mo-lí-qui-da-es-me-ral-da (7)
Aos-ra-ios-do-sol-nas-cen-te (7)
Per-lon-gan-do-as-al-vas-pra-ias (7)
En-som-bra-das-de-co-quei-ros (7)
2 - Adjetivação e comparações
"Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que o seu talhe de palmeira.
O favo da Jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado."
3 - A língua tupi
"O conhecimento da língua in dígena é o melhor critério para a ancionalidade da literatura. Ele nos dá não só o verdadeiro estilo, como as imagens poéticas do selvagem, os modos de seu pensamento, as tend~encias de seu espítito, e até as menores particularidades de sua vida. è nessa fonte qye se deve beber o poeta brasileiro."
h) Tempo
O ano em que a ação se desenvolve é 1603, século XVII, época da colonização do Brasil, mais especificamente, no texto, da colonização do Ceará.

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