IRACEMA: Análise II - O autor  (LITERATURA) escrito em domingo 21 outubro 2007 17:35

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JOSÉ MARTINIANO DE ALENCAR

(de 1829, Mecejana, Ceará, a 1877 Rio de Janeiro)

 

APRESENTAÇÃO:

Alencar é, sem dúvida, um autor de importância fundamental na literatura brasileira. Suas obras influenciaram muito para que fosse definida a formação literária nacional, sendo seu estilo um espelho para futuros escritores. 

Situado num momento em que o espírito brasileiro se concentrava na consolidação de sua autonomia — tanto no plano político, como no intelectual — época pós-Independência — seu papel consistiu em polarizar na sua personalidade as diversas correntes que se vinham desenvolvendo na alma do povo e fazer com que elas se concentrassem numa síntese de pensamento e arte tipicamente brasileiras.

Tornou-se, assim, um grande difusor da história literária brasileira. Nele chegam as forças vitais e dele se irradiam em fórmulas novas, verdadeiras sementes que fecundam a inteligência nacional, na ficção, nas idéias críticas, na atitude do autor em relação ao ambiente brasileiro. Situada a sua obra no tempo, encarada em qualidade e volume, as deficiências cedem lugar ao aspecto positivo de realização.

Ele tem sido julgado e analisado pela crítica em um debate que ainda não se encerrou, mas inegavelmente criou uma contribuição lingüística relevante ao acervo cultural do país. Rompeu com a acanhada forma de sintaxe lusitana, escreveu numa linguagem simples e de grande força poética, incentivando a brasilidade nas letras nacionais.


Teatro José de Alencar

 O AUTOR 

Nascido em 1º de maio de 1829, em Mecejana, Ceará, filho do padre José Martiniano de Alencar (deputado pela província do Ceará) ele foi o fruto de uma união ilícita e particular do padre com a prima Ana Josefina de Alencar. Quando criança e adolescente, era tratado em família por Cazuza, mais tarde, adulto, ficou conhecido nacionalmente como José de Alencar, um dos maiores escritores românticos do Brasil.

Seu pai assumiu o cargo de senador do Rio de Janeiro em 1830, o que obrigou a família a se mudar para lá. Mas quatro anos depois a família voltou ao estado natal, pois Martiniano foi nomeado governador do Ceará. Alguns anos mais tarde a família voltou ao Rio de Janeiro, desta vez para ficar. O pai assumiu novamente seu cargo de senador e o menino começou a freqüentar a Escola e Instrução Elementar.

Filho de político, jovem, Alencar assistia a tudo isso de perto. Assistia e, certamente, tomava gosto pela política, atividade em que chegou a ocupar o posto de ministro da Justiça. Mas isso ocorreria bem mais tarde.

Fria, triste, garoenta, apresentando uma vida social que dependia quase exclusivamente do mundo estudantil, graças à existência de sua já famosa faculdade de Direito: assim era São Paulo em 1844, quando nela desembarcou o cearense José Martiniano de Alencar, para morar com o primo e mais dois colegas numa república de estudantes da Rua São Bento.

Na escola de Direito discutia-se tudo: Política, Arte, Filosofia, Direito e, sobretudo, Literatura. Era o tempo do Romantismo, novo estilo artístico importado da França. Esse estilo apresentava, em linhas gerais, as seguintes características: exaltação da Natureza, patriotismo, idealização do amor e da mulher, subjetivismo, predomínio da imaginação sobre a razão.

Mas o Romantismo não era apenas um estilo artístico: acabou tornando-se um estilo de vida. Seus seguidores, como os acadêmicos de Direito, exibiam um comportamento bem típico: vida boêmia, regada a muita bebida e farras. As farras, segundo eles, para animar a vida na tediosa cidade; a bebida, para serem tocados pelo sopro da inspiração.

Introvertido, quase tímido, o jovem Alencar mantinha-se alheio a esses hábitos, metido em estudos e leituras. Lia principalmente os grandes romancistas franceses da época. O jovem cearense jamais se adaptaria às rodas boêmias tão assiduamente freqüentadas por outro companheiro que também ficaria famoso: Álvares de Azevedo.

Terminado o período preparatório, Alencar matriculou-se na Faculdade de Direito em 1846. Tinha 17 anos incompletos e já ostentava a cerrada barba que nunca mais raparia. Com ela, a seriedade de seu semblante ficava ainda mais acentuada.

O senador Alencar, muito doente, voltava para o Ceará em 1847, deixando o resto da família no Rio. Alencar viajou para o Estado de origem, a fim de assistir o pai. O reencontro com a terra natal faria ressurgir as recordações de infância e fixaria na memória do escritor a paisagem da qual ele jamais conseguiria se desvincular inteiramente. É esse o cenário que aparece retratado em um de seus romances mais importantes: Iracema.

 

  [...] Acabava de passar dois meses em minha terra natal. Tinha-me repassado das primeiras e tão fagueiras recordações da infância, ali nos mesmos sitios queridos onde nascera. [...] desenhavam-se a cada instante, na tela das reminiscências, as paisagens de meu pátrio Ceará. [...]Surgiram na época os primeiros sintomas da tuberculose que infernizaria a vida do escritor durante trinta anos. No seu livro Como e por que sou romancista, Alencar registrou: “[...] a moléstia tocara-me com a sua mão descarnada [...]. 

Aos 25 anos, Alencar apaixonou-se pela jovem Chiquinha Nogueira da Gama, herdeira de uma das grandes fortunas da época. Mas o interesse da moça era outro: um rapaz carioca também muito rico. Desprezado, custou muito ao altivo Alencar recuperar-se do orgulho ferido.

Somente aos 35 anos ele iria experimentar, na vida real, a plenitude amorosa que tão bem soube inventar para o final de muitos de seus romances. Desta vez, paixão correspondida, namoro e casamento rápidos.

A moça era Georgiana Cochrane, filha de um rico inglês. Conheceram-se no bairro da Tijuca, para onde o escritor se retirara a fim de se recuperar de uma das crises de tuberculose. Casaram-se em 20 de junho de 1864. Muitos críticos vêem no romance Sonhos d’ouro, de 1872, algumas passagens que consideram inspiradas na felicidade conjugal que Alencar parece ter experimentado ao lado de Georgiana.

Nessa altura, o filho do ex-senador Alencar já se achava metido — e muito — na vida política do Império. Apesar de ter herdado do pai o gosto pela política, Alencar não era dotado da astúcia e da flexibilidade que tinham feito a fama do velho Alencar. Seus companheiro da Câmara enfatizam sobretudo a recusa quase sistemática de Alencar em comparecer a solenidades oficiais e a maneira pouco polida com que tratava o imperador. A inflexibilidade no jogo político fazia prever a série de decepções que de fato ocorreriam.

Eleito deputado e depois nomeado ministro da Justiça, Alencar conseguiu irritar tanto o imperador que este, um dia, teria explodido: ‘’É um teimoso esse filho de padre’’. Só quem conhecia a polidez de D. Pedro seria capaz de avaliar como o imperador estava furioso para referir-se assim ao ministro José de Alencar.

Em 1876, Alencar leiloou tudo o que tinha e foi com Georgiana e os seis filhos para a Europa, em busca de tratamento para sua saúde precária. Tinha programado uma estada de dois anos. Durante oito meses visitou a Inglaterra, a França e Portugal. Seu estado de saúde se agravou e, muito mais cedo do que esperava, voltou ao Brasil.

Morreu no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877. Ao saber de sua morte, o imperador D. Pedro II teria se manifestado assim: “Era um homenzinho teimoso’’. Mais sábias seriam as palavras de Machado de Assis, ao escrever seis anos depois: “[...] José de Alencar escreveu as páginas que todos lemos, e que há de ler a geração futura. O futuro não se engana".

BIBLIOGRAFIA
Polígrafo, o próprio autor assim dividiu seus escritos:

POESIA: 
Os filhos de Tupã

TEATRO: 
A noite de São João,
Verso e Reverso,
O Demônio familiar,
As asas de um anjo,
Mãe,
O Jesuíta.

ROMANCES:  
Históricos:
As Minas de Prata,
A Guerra dos Mascates,
Alfarrábios (compreendendo - O Garatuja, O ermitão da glória, e Alma de Lázaro).
Regionalistas:
O gaúcho,
O tronco do Ipê,
Til O Sertanejo.
Urbanos:
Cinco minutos,
Diva,
Lucíola,
A viuvinha,
A pata da gazela,
Sonhos d’ouro,
Encarnação
Senhora.
Indianistas:
O Guarani,
Iracema,
Ubirajara. 
.

 Principais obras

1856 - Cinco minutos

1857 - O Guarani e A viuvinha

1862 - Lucíola

1864 - Diva

1868 - Iracema

1871 - O tronco do ipê

1872 - Sonhos d"Ouro e Til

1874 - Ubirajara

1875 - Senhora e O sertanejo

 

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Todos os comentários desse artigo:
IRACEMA: Análise II - O autor

  • mailto Waléria

    Sex 17 Out 2008 00:48

    Adorei o blog !!! É legal ver que a internet não é só para "brincar" serve também para enriquecer os nossos conhecimentos!!! Estou estudante do curso de Letras (UFCG) tenho um blog, mas o meu é para publicar os aritgos que escrevo para o Jornal de Crítica literária da Universidade, se quiserem podem dar uma "passadinha" por lá!!! Espero que gostem ... Valeu =)