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Nasce na Póvoa do
Varzim, no dia 25 de Novembro. Filho natural do juiz José
Maria de Almeida Teixeira de Queirós, então delegado
do procurador régio em Ponte de Lima, e de Carolina Augusta
Pereira de Eça, residente em Viana do Castelo —
foi entregue aos cuidados de uma ama em Vila do Conde, em cuja
igreja matriz foi batizado a 1 de dezembro.
Adepto setembrista [1], o pai terá vivido, por
então — tempos da «Revolução
da Maria da Fonte» e da guerra civil Patuleia com que
culminou o cabralismo —, alguma instabilidade que apenas
terminou à beira da «Regeneração»
e do fontismo, vindo a casar finalmente em 1853 com Carolina
Augusta, de quem teve mais quatro filhos, Alberto Carlos, Carlos
Alberto, Henriqueta e Aurora.
Infância e adolescência do pequeno José Maria na
região do Minho e na Costa Nova. Em Vila do Conde, permanece
com a ama mulata Ana Joaquina Leal de Barros até uma idade
indefinida, sabendo-se que esta faleceu em 1851. Por essa altura,
passa a viver com os avós paternos em Verdemilho, perto de
Aveiro, até 1855. Enviado então para o Porto, onde os
pais residiam, ingressa no colégio de Nossa Srª da
Lapa, - dirigido por Joaquim da Costa Ramalho, pai de Ramalho
Ortigão, e onde este último leccionava francês
—, aí completando os estudos secundários em
1861.
Período universitário, em Coimbra, cursando Direito.
Toma parte mais ou menos activa na formação de uma
plêiade de jovens intelectuais, designada mais tarde por
«geração de 70». Quase bacharel,
conhecem-se-lhe os primeiros escritos, entre crónicas
jornalísticas que manda publicar e uma juvenil dramaturgia,
cruzados com a actividade académica e intensa
experiência geracional. Decorre então essa
«grande escola de revolução» que foi o
primeiro olhar para as grandes transformações do
mundo contemporâneo: antes de mais, a
libertação dos servos russos, decretada por Alexandre
II em Setembro de 1861; o início da
insurreição da Polónia contra o império
russo, arrastada até 1863; a aventura de Garibaldi no
Risorgimento e a «marcha dos mil» que inicia a
unificação italiana; a libertação dos
escravos americanos em Setembro de 1862, envolvida pelo movimento
secessionista e pela guerra civil que se estende a 1865.
Com o início da carreira diplomática que o remete
definitivamente para o estrangeiro, vive sobretudo um tempo
«inglês» a partir de uma fixação
consular em Newcastle. O escritor atravessa o período de
filiação na escola realista e naturalista, marcada
pela influência dos paradigmas literários franceses,
antes de mais Flaubert, seguido de Balzac e Zola: o romancista de
grande fôlego inaugura a escrita do real. Nesta
década, o mundo atravessa profundas
transformações, do expansionismo e
exploração intercontinental às descobertas de
novas tecnologias e velhas civilizações
clássicas... «E agora volvamos os olhos para Portugal
- em Portugal, nessa época, não vejo, que se passe
coisa alguma» (Conde d'Abranhos).
A actividade consular em Bristol, com que terminou o tempo
inglês, preenche todo este período. A abertura a
outros mundos possíveis, em que o olhar da «nudez
forte da verdade» cedeu o passo ao «manto
diáfano da fantasia», não é
completamente estranha à acomodação do mundo
burguês numa Europa aparentemente estabilizada sob dois
baluartes: a república francesa ainda iconizada pela figura
de Gambetta e, sobretudo, o império britânico que, na
era Gladstone e no jubileu cinquentenário da rainha
Victória, deu aso a essa máxima queirosiana de
«o mundo ingleza-se»... e foi também
então que, sob o farol da estátua da liberdade e as
primeiras grandes vagas de emigrantes, começou a
ascensão americana. Mas, a montante da eterna questão
do oriente europeu, tomam forma moderna os movimentos socialistas e
anarquistas que proliferam por todo o ocidente.
Período marcado pela actividade consular em Paris, essa
«capital dos povos», foi o tempo de um eterno retorno:
como «petit bourgeois retiré» que adere a um
grupo de «vencidos da vida», o olhar deslocou-se
crescentemente para uma «consciência
adorável» dos tempos juvenis e para um idílio
do «serão» pátrio, a que não
faltou uma detenção quase «cenobita»
sobre ficcionadas «vidas de santos», num tempo
finissecular que não escapa a infusões
nacionalistas.
Edita o conto «O defunto» (Gazeta de Notícias).
Durante uma das mais longas estadas no país, durante seis
meses, em que aluga casa na Quinta dos Castanhais, em Sintra, chega
a encomendar a Bordalo Pinheiro uma ilustração de
capa para O Serão, revista malograda que projecta com
Alberto de Oliveira. Porém, organiza com José
Sarmento e Henrique Marques o Almanaque Enciclopédico para
1896, saído no final do ano e para o qual escreve o
prefácio «Almanaques».
Com Um Génio que era um Santo colabora no In Memoriam de
Antero de Quental. No ciclo Bilhetes de Paris, com que
mantém nova colaboração na Gazeta de
Notícias, destaca sob a designação de
«Festas russas» (22 e 27 Nov., 1 Dez.) as
relações que, com o advento do czar Nicolau II, se
estabeleceram entre a França republicana e a Rússia
imperial. Ainda no final do ano, publica o conto «Adão
e Eva no Paraíso» como prefácio ao Almanaque
Enciclopédico para 1897.
Escrevendo a crónica «A Revista» para abertura
da Revista Moderna (15 Maio), periódico editado em Paris sob
a sua orientação onde ainda publica os contos
«A Perfeição» (15 Nov.) e
«José Matias» (25 Jun.); aí também
saem impressos (Nov.) os primeiros capítulos de A Ilustre
Casa de Ramires.
Publica na Revista Moderna o conto «O Suave
Milagre».
Acometido de grave doença, já em fase terminal,
procura especialistas e mudança de ares, primeiro na Riviera
francesa, em Biarritz (Fev.); depois, passa aos Alpes
suiços, especialmente Lucerna (Ag.). Regressando à
pressa a Paris, aqui vem a falecer em 16 de Agosto, na casa de
Neuilly; a 17 de Setembro, os restos mortais abrem o funeral em
Lisboa.
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