IRACEMA: breve análise e exercícios  (LITERATURA) escrito em quarta 22 agosto 2007 20:35

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Iracema

José de Alencar

ROMANTISMO

RESUMO 2

 

O foco narrativo é em 3ª. pessoa e o narrador é onisciente. O narrador participa da historia: "Uma historia que me contaram nas lindas vargem onde nasci".

01. O romance, na definição de Machado de Assis, é uma "poema em prosa", é um poema épico-lirico (para Machado de Assis, é um poema essencialmente lírico).

1.1. Elementos épicos

O texto é épico por ser narrativo. José de Alencar narra os feitos heróicos dos portugueses na figura de Martim. Iracema, também, é transformada em heroína. O vinho de Tupã que permite a posse de Iracema (presença do "maravilhoso"). Além disso, temos, também, a presença dos deuses indígenas representando as forças da natureza.

1.2. Elementos líricos

O amor de Iracema por Martim: Iracema é a heroína típica do romantismo, que padece de saudades do amante, que partiu, e da pátria que deixou. Ela se enquadra dentro de uma corrente luso-brasileira cujo inicio data das cantigas medievais. 

02. A narrativa se fundamenta em pesquisas históricas ou em lendas da tradição oral? Como o autor define o romance? Comparar ficção propriamente dita e as "notas".

Conclui-se que "Iracema" se fundamenta tanto na história do Brasil quanto no relato oral. Segundo seu autor, é uma lenda: "Quem não pode ilustrar a terra natal, canta as suas lendas" (em carta ao Dr. Jaguaribe, sobre "Iracema"). "Este livro é irmão de Iracema. Chamo-lhe de lenda como ao outro" (Ubirajara).

Martim Soares Moreno e Filipe Camarão são vultos da história do Brasil. Ambos lutaram contra a invasão holandesa. Martim é considerado, realmente, o fundador do Cear  e Poti recebeu a comenda de Cristo e o cargo de capitão-mor dos índios pelos seus méritos. Alencar prefere acreditar no relato oral quando se refere … tribo tabajara cruel e sanguinária que habitava o interior, quando a história diz ser uma tribo litorânea.

03. A narrativa se estrutura em "flash back". Comprove ( reveja o 1o. e o 32o. capítulos).

O texto se abre pelo fim. Iracema, no 1o. capitulo, está  morta, e Martim, Moacir e o cachorrinho Japi vão embora na jangada. O 32o. capitulo narra a morte de Iracema e o 33o. conta o retorno de Martim para fundar o Ceará.

04. Analise do enredo.

4.1. Ponto de partida.

* Fato

* Sentido Simbólico

Fato: é o encontro de Iracema e Martim.

Sentido Simbólico: o encontro do colonizador com o colonizado, ou seja, a relação português X terra brasileira.

4.2. Elementos da trama - os elementos geradores do conflito.

O dilema de Martim: oscila entre a fidelidade a seu amigo pitigura (Poti) e seu amor por Iracema (tabajara).

Iracema não poderia ser desvirginada, pois era uma espécie de sacerdotisa.

Irapuã, cacique da tribo, desejava Iracema e funciona como obstáculo … realização de Martim.

4.3. Desfecho

* Ambigüidade: primitivismo nacionalista X transplantação cultural.

* Visão preconceituosa do narrador - capitulo final - referência a Deus.

* Comparar batismo indígena de Martim (capitulo 24) ao batismo católico de Poti (capitulo 33).

Martim volta … terra selvagem para fundar a Mairi (refúgio) dos Cristãos (Ceará). Com ele, vem o sacerdote da sua região. Poti ajoelha-se ao pé da cruz para receber o mesmo Deus de Martim. Além de perder a sua religião, perde também a sua cultura e o seu próprio nome.

Segundo Alencar, finalmente "germinou a palavra do Deus verdadeiro na terra selvagem". Para ele, a cultura do branco e o Deus do branco são colocados como superiores aos dos indígenas.

A cerimônia do batismo de Martim é episódica e superficial, não havendo nenhuma transformação básica em Martim, o que não ocorre com Poti.

05. As tribos indígenas, suas alianças e conflitos.

As tribos são os Tabajaras (habitantes do interior) e os Pitiguaras (habitantes do litoral).

06. Elementos romântico. Sentido da Natureza (paisagens, animais).

6.1. Na idealização dos personagens.

Capitulo 2: a Natureza que serve para pintar Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que as asas da graúna, mais longos do que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como o seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como o seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem...

6.2. Na idealização da terra

Capitulo 1: Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba. Verdes mares que brilhais como liquida esmeralda, afaga impetuosa, as brancas areias, a lua argentando os campos ( para idealizar a terra, usa a própria Natureza).

07. Associe personagens aos sentimentos e/ou qualidades.

1. Andira ( 3 ) amor, abnegação, dedicação, sacrifício pelo amado

2. Araquém ( 2 ) sabedoria e pendência da velhice

3. Iracema ( 5 ) amizade

4. Irapuã ( 6 ) afeto familiar fraterno

5. Poti ( 1 ) impetuosidade do jovem

6. Caubi ( 4 ) ciúme, oposição

08. Valores simbólicos.

8.1. A palavra Iracema é um anagrama de AMERICA. Comente.

Seria o símbolo secreto do romance de Alencar, que é o poema épico definidor de nossas origens históricas, étnicas (miscigenação, formação do povo brasileiro) e, sociologicamente, segundo Afrânio Peixoto.

Iracema é o símbolo da terra brasileira virgem e exótica (Iracema morre assim como os índios - mostra a docilidade dos índios).

Como Iracema se entrega a Martim e é destruída, a terra brasileira, por permissão dos índios (que sofrerão uma aculturação), passara a ser de posse portuguesa.

8.2. Iracema: objeto proibido do desejo: posse do objeto = transgressão.

Comente:

* Postura de Martim

* O licor de Jurema

* Postura de Iracema

Há proibição de se tocar o corpo de Iracema. O gesto transgressor seria punido com a morte. Martim só procura Iracema sobre os efeitos da droga. Martim não tem o corpo de Iracema em seus braços, tem apenas a sua imagem. A virgindade de Iracema é justificada pela sua situação dentro da taba, onde ocupa o lugar de sacerdotisa de Tupã. Qualquer atitude dela para unir-se a Martim transgride os valores tabajaras. Mas o amor se revela mais forte e a postura de Iracema é, desde o inicio, de desobediência.

O licor de Jurema é a droga que servir como intermediário, isto é, que servir para derrubar as barreiras entre os dois, remetendo a relação para o nível do inconsciente.

8.3. Valor simbólico do personagem Moacir.

Moacir simboliza o 1o. brasileiro nascido da miscigenação índio X português. Duas vezes filho da dor de Iracema: dela nascido e, também, dela nutrido. Tal mescla de vida e morte, de dor e de alegria, acha-se tematizada pelo leite branco, ainda rubro do sangue de que se formou.

9.0 Identifique características da linguagem de Alencar em "Iracema".

Alencar tenta concretizar a proposta do Romantismo de construir uma linguagem brasileira. Tenta, então, escrever um romance usando termos indígenas, o que revela uma linguagem autenticamente nacional.

Obs.: a busca de uma linguagem brasileira era reflexo de uma lusofobia que invadiu o Brasil na época do Romantismo.

10. Identifique exemplos da Linguagem não verbal (rever capítulos II, X, XI, XXVI)

Quebrar a flecha da paz no encontro de Martim e Iracema.

 A flecha atravessando o gaiamum (Iracema deveria permanecer na cabana esperando a volta de Martim, não deveria seguir em frente).

O ramo do maracujá: a flor da lembrança. Iracema deveria guardar, com a flor, a lembrança de Martim até morrer.

11. Compare o indianismo de Alencar ao indianismo de Osvaldo de Andrade

I. Relações colonizador X nativo

II. Valor simbólico do índio: nacionalismo X primitivismo

I. Para Alencar, desta relação que se processou por permissão do índio, provocou o surgimento do povo brasileiro. Para Osvaldo de Andrade, a relação foi de antropofagia e aculturação: o português aproveitou-se da fragilidade do índio para a dominação.

II. O índio, para Alencar, era a possibilidade de despertar, no povo brasileiro recém-independente, o amor pela pátria (nacionalismo ufanista). Para Osvaldo de Andrade, é a forma de criticar o absurdo da dominação portuguesa, a aculturação e a destruição de um povo (nacionalismo critico).


EXERCÍCIOS


1 – (UNICAMP/1987) O relacionamento amoroso de Iracema e Martim pode significar mais do que aparenta; pode ser visto, do início ao fim, como representativo do processo de conquista e de colonização do Brasil. Como o romance Iracema representa esse processo?

 Resposta: Iracema, que Alencar subtitulava como uma “Lenda do Ceará”, tem como fulcro a formação da nacionalidade, por meio da aproximação entre a civilização (representada pelo colonizador português) e a natureza (representada por Iracema – anagrama de América – que simboliza o elemento nativo, travestido no “Bom Selvagem” de Rousseau, e revestido de sugestões líricas do Atala de Chateaubriand). Moacir (= parido da dor), filho de Martim e Iracema é na utopia alencariana da formação da nacionalidade, simultaneamente, o primeiro homem americano, resultado do amálgama da natureza e da civilização. A morte da “Virgem dos lábios de mel”, nesse contexto, representa a morte e/ou a dominação da natureza e do elemento nativo, para dar lugar ao novo homem da América, que Alencar idealizava como o mestiço.

 2 – (FUVEST/1990 – 2º. Vestibular) Em Iracema, Alencar procura aproveitar na linguagem elementos da cultura indígena para melhor exprimir a idéia de um mundo primitivo. Um desses elementos é o modo de medir a passagem do tempo. Como faz o romancista para marcar a passagem do tempo?

 Resposta: A passagem do tempo no livro Iracema é medida por fatores ligados a astros (Sol, Lua), deixando-se o calendário gregoriano de lado. Assim, o indicador cronológico é o nascer do sol, o surgir da lua e outros elementos naturais, como ocorre em várias passagens:

O sol, transmontando, já começava a declinar para o ocidente, quando o irmão de Iracema tornou da grande taba.

Três sóis havia que Martim e Iracema estavam nas terras dos pitiguaras, senhores das margens do Camocim e Acaracu.

O cajueiro floresceu quatro vezes depois que Martim partiu das praias do Ceará, levando no frágil barco o filho e o cão fiel.

Essa demarcação cronológica acentua o tom mítico dos fatos narrados, superando a mensuração do tempo material.

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