SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - QUESTÕES: DA FUVEST 1992  (LITERATURA) escrito em domingo 12 agosto 2007 13:52

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Olha, pessoal, o resumo e a análise de Dom Casmurro postados neste blog não dispensam a leitura do livro, apenas reforçam o raciocínio sobre ele, sobre o autor e sobre o período literário. Não deixe de ler esse livro que, além de envolvente, é inteligente e gostoso de ler. Dê, a si mesmo, essa oportunidade, pois se trata de uma das nossas melhores obras.

Parte 8

9. QUESTÕES:- FUVEST - 92

 

LXXII
UMA REFORMA DRAMÁTICA

 Nem eu, nem tu, nem ela, nem qualquer outra pessoa desta história poderia responder mais, tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Eles chegam a seu tempo, até que o pano cai, apagam-se as luzes, e os espectadores vão dormir. Nesse gênero há por ventura alguma cousa que reformar, e eu própria, como ensaio, que as peças começassem pelo fim. Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados à ação lenta e decrescente do ciúme, e o último ficaria só com as cenas inicia da ameaça dos turcos, as explicações de Otelo e Desdêmona, e o bom conselho do fino Iago: “Mete dinheiro na bolsa. ”Desta maneira, o espectador, por um lado, acharia no teatro a charada habitual que os periódicos lhe dão, porque os últimos atos explicariam o desfecho do primeiro, espécie de conceito, e, por outro lado, ia para a cama com uma boa impressão de ternura e de amor:

 

CXXXV
OTELO

 Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, — um simples lenço! — e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis; alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas. Tais eram as idéias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia. Nos intervalos não me levantava da cadeira; não queria expor-me a encontrar algum conhecido. As senhoras ficavam quase todas nos camarotes, enquanto os homens iam fumar. Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas não teria amado alguém que jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a peça. O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público. (Machado de Assis, Dom Casmurro).
1. O narrador afirma, no capítulo CXXXV, que “não vira nem lera nunca Otelo” e que estimou a coincidência, ao chegar ao teatro.

  • a) A que coincidência está se referindo?
  • b) Ele já tornara a peça assunto do capítulo LXXII e, apenas agora, tem ocasião de vê-la. Do ponto de vista da estrutura do romance, isso implicaria alguma contradição?

Justificar, se for o caso.
2.

  • a) “Um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo.” E para fazer de Bentinho o Dom Casmurro o que foi suficiente?
  • b) Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis, algumas vezes nem lençóis há , e valem só as camisas.” Por que o narrador contrapõe lençóis e camisas, do seu tempo, a lenços, do tempo da tragédia.?

3.

  • a) Como bom espectador, o narrador sabia que Desdêmona era inocente. Porque ele não se compadece da morte dela?
  • b) “Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.”
  • O que revela o modo como o narrador vê a reação do público?

4. Quando o narrador propõe a reforma dramática no capítulo LXXII, ele compara o destino aos dramaturgos.

  • a) O que seria de uma tragédia, caso o dramaturgo lhe invertesse a trama?
  • b) Na verdade, o que Bentinho buscaria reformar?

Textos para os exercícios de 5 a 8

Texto A

No momento em que eu terminava o meu movimento de rotação, concluía Lobo Neves o seu movimento de translação. Morria com o pé na escada ministerial. Correu, ao mesmo durante algumas semanas, que ele ia ser ministro; e que pois o boato me encheu de muita irritação e inveja, não é impossível que a notícia da morte me deixasse alguma tranqüilidade, alívio, e um ou dois minutos de prazer. Prazer é muito, mas é verdade; juro aos séculos que é a pura verdade.

Fui ao enterro. Na sala mortuária achei Virgília, ao pé do féretro a soluçar. Quando levantou a cabeça, vi que chorava deveras. Ao sair o enterro, abraçou-se ao caixão, aflita; vieram tirá-la e levá-la para dentro. Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras. Eu fui ao cemitério; e, para dizer tudo, não tinha muita vontade de falar; levava uma pedra na garganta ou na consciência. No cemitério, principalmente quando deixei cair a pá de cal sobre o caixão, no fundo da cova, o baque surdo da cal deu-me um um estremecimento passageiro, é certo, mas desagradável; e depois a tarde tinha o peso e a cor do chumbo; o cemitério, as roupas pretas...

Texto B

Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira-lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas.

As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a tinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.
5. Quanto à trama narrativa que envolve os dois trechos, podemos afirmar que:

  • a) as lágrimas de Virgília e de Capitu são provocadas pelo mesmo motivo familiar.
  • b) Virgília e Capitu se encontram em idêntica condição de viuvez.
  • c) os dois trechos são mórbidos porque o desespero de Capitu é igual ao de Virgília.
  • d) os narradores têm a mesma relação conjugal em ambas as narrativas.
  • e) o choro de Virgília causa certeza, o de Capitu, uma suspeita.

6. No confronto ainda dos dois trechos, podemos afirmar que a criação da atmosfera emotiva diante do morto é:

  • a) mais dramática no trecho A e a narrativa é mais diluída.
  • b) menos intensa no trecho B onde a narrativa é mais densa.
  • c) igual em ambos os trechos, visto que as emoções humanas são iguais.
  • d) moderada no trecho A e intensificada no trecho B.
  • e) igualmente insignificante porque o autor dos trechos é o mesmo.

7. O narrador do trecho B é:

  • a) Dom Casmurro e se marca pelo ponto de vista de terceira pessoa.
  • b) Brás Cubas e se caracteriza pela onisciência.
  • c) o mesmo do trecho A e controla a impressão do leitor sobre o todo da obra.
  • d) Bentinho e se marca pelo ponto de vista de primeira pessoa.
  • e) Machado de Assis e delineia seu mundo com a pena da galhofa e a tinta da melancolia.

8. A referência aos olhos de Capitu, “grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã”, permite afirmar que eram:

  • a) olhos de primavera.
  • b) olhos de espanto.
  • c) olhos de desespero.
  • d) olhos de contemplação.
  • e) olhos de ressaca.

9. (ITA) — As afirmações abaixo referem-se à obra Dom Casmurro. Apenas uma delas é incorreta. Assinale-a:

  • a) Quanto ao foco narrativo, o “eu” do narrador se identifica com a personagem central do romance, transformando-se numa espécie de diário íntimo da personagem Bentinho.
  • b) Bentinho constitui a personagem que primordialmente realiza a função emotiva ou expressiva, pois o foco narrativo vem de Bentinho e dele derivam os sentimentos, as idéias e as sensações com relação às personagens que com ele entram diretamente em contato: Capitu, Dona Glória, José Dias, Escobar, Ezequiel.
  • c) Machado de Assis, deslocando o foco narrativo para o narradorprotagonista, adota uma atitude que, aparentemente, retira do autor do romance a responsabilidade pelo que está sendo relatado. Ele como que se isenta da culpa do que ali vai sendo narrado, pois é a personagem Bentinho quem fala diretamente ao leitor.
  • d) A ação é essencialmente psicológica e limita-se ao processo da conquista realizada por Capitu e à conseqüente queda e destruição interior de Bentinho.
  • e) A ação desenvolve-se em torno das tentativas de uma explicação do adultério cometido por Capitu, e esta dúvida é dirimida ao leitor no final do romance.

10. (PUCCAMP) Identifique o trecho em que o narrador de Dom Casmurro introduz o romance e considera seu sentido profundo.

  • a) “Horas inteiras eu fico a pintar o retrato dessa mão angélica, com as cores que tiro da imaginação, e vejo-a assim, ainda tomando conta de mim, dando-me banhos e me vestindo. A minha memória ainda guarda detalhes bem vivos que o tempo não conseguiu destruir.”
  • b) “O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. É o que vais entender, lendo.”
  • c) “Faz dois anos que Madalena morreu, dois anos difíceis. E quando os amigos deixaram de vir discutir política, isto se tornou insuportável. Foi aí que me surgiu a idéia esquisita de, com o auxílio de pessoas mais entendidas que eu, compor esta história.”
  • d) “Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que não sou propriamente um autor defundo, mas um defunto autor; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.”
  • e) “Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado.”

11. (UNIV.FED. DO PARÁ) — Os enredos dos romances Dom Casmurro e Senhora, do ponto de vista do leitor, remetem a:

  • a) ratificação do papel submisso da mulher no século XIX, através das protagonistas.
  • b) crítica da escravidão.
  • c) uma visão da mulher que, conscientemente, quer ser agente do seu destino — é o caso de Capitu, em Dom Casmurro, e Aurélia, em Senhora.
  • d) supervalorização do sentimento amoroso das protagonistas.
  • e) construção de caricaturas femininas do século XIX, por isso Capitu, em Dom Casmurro, e Aurélia, em Senhora, aparecem transformadas e deformadas.
RESOLUÇÕES:
1.
  • a) O narrador refere-se à coincidência entre as suas preocupações interiores, o ciúme que se agravava em seu espírito e o tema da tragédia de Shakespeare, exatamente o ciúme que levou Otelo a matar Desdemona.
  • b) Não há contradição. Há dois tempos que se entrelaçam no romance: o presente, tempo da escritura da Obra, e o passado, tempo da ação vivida pelos personagens. Assim, o capítulo LXXII é uma digressão que o narrador faz, no momento mesmo da escritura de suas memórias, acerca da hipotética reforma da estrutura dramática. Já o capítulo CXXXV, é a narrativa pretérita das reações do narrador diante da peça de Shakespeare.

2.

  • a) Entre outros indícios e suspeitas, a semelhança física entre seu filho Ezequiel e Escobar, suposto amante de Capitu.
  • b) O narrador ironiza a liberalidade dos costumes de seus contemporâneos, que para acatarem a evidência de um adultério, necessitam mais do que um simples lenço, são necessárias provas mais contundentes, como as peças íntimas dos amantes.

3.

  • a) Porque identificado como drama do marido que se supõe traído, projeta em Desdemona a imagem de Capitu, por quem se considera traído também.
  • b) O narrador revela a facciosidade de seu ponto de vista, pois interpreta os aplausos da platéia à encenação teatral, e ao desempenho dos atores, como aplausos à atitude do marido, que exerce sua vingança assassinando a esposa infiel.

4.

  • a) Fazendo com que a tragédia tivesse invertido o seu curso habitual, seria possível convertê-la num folhetim romanesco, de complicação sentimental, com o inevitável happy end. É a hipótese aventada na digressão do narrador.
  • b) Se a arte imita a vida, especula o narrador a possibilidade de inverter o curso da vida reformando a estrutura de uma de suas representações artísticas: o teatro. Já conhecedor de sua tragédia amorosa, especula sobre a possibilidade de revertê-la.

5. E6. D 7. D 8. E
9. E 10. B 11. C

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CONTINUA

SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - Análise e questionário  
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 2 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 3 
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SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - QUESTÕES: DA FUVEST 1992 
RESUMO - DOM CASMURRO 
DOM CASMURRO: O Otelo de Machado de Assis
O ALIENISTA DE MACHADO DE ASSIS: análise
MACHADO DE ASSIS: romancista, contista, cronista, poeta e muito 
 

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