SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 2  (LITERATURA) escrito em domingo 12 agosto 2007 18:09

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Olha, pessoal, o resumo e a análise de Dom Casmurro postados neste blog não dispensam a leitura do livro, apenas reforçam o raciocínio sobre ele, sobre o autor e sobre o período literário. Não deixe de ler esse livro que, além de envolvente, é inteligente e gostoso de ler. Dê, a si mesmo, essa oportunidade, pois se trata de uma das nossas melhores obras. 
 
Parte 2
 
1. JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS Rio de Janeiro, 1839-1908

 

Nasceu no morro do Livramento, filho de um pintor mulato e de uma lavadeira açoriana. Órfão de ambos muito cedo, foi criado pela madrasta, Maria Inês. Já na infância apareceram sintomas de sua frágil compleição nervosa, a epilepsia e a gaguez, que o acometeriam a espaços durante toda a vida e lhe dariam um feitio de ser reservado e tímido. Aprendidas as primeiras letras numa escola pública, recebeu aulas de francês e de latim de um padre amigo, Silveira Sarmento; mas foi como autodidata que construiu sua vasta cultura literária, que incluía autores menos lidos no seu tempo, como Swift, Sterne e Leopardi. Aos 16 anos, entrou na Imprensa Nacional como tipógrafo aprendiz; aos 18, na editora de Paula Brito, para cuja revistinha, A Marmota, compôs seus primeiros versos. Pouco depois, é admitido na redação do Correio Mercantil. Trava conhecimento com alguns escritores românticos: Casimiro de Abreu, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida, Pedro Luís e Quintino Bocaiúva. Este o introduz, em 1860, no Diário do Rio de Janeiro, para o qual resenhará os debates do Senado, usando de linguagem sarcástica em função de um ardente liberalismo. Na década de 1860, escreve quase todas as suas comédias e os versos ainda românticos das Crisálidas (1864). Aos 30 anos de idade, casa-se com uma senhora portuguesa de boa cultura, Carolina Xavier de Novais, sua companheira afetuosa até a morte e que lhe iria inspirar a bela figura de Dona Caro do Memorial de Aires (1908). Já amparado por uma carreira burocrática, primeiro no Diário Oficial (1867-73) e, a partir de 1874, na Secretaria da Agricultura, o escritor pôde entregar-se livremente à sua vocação de ficcionista. De 1870 a 1880, aparecem Contos Fluminenses (1872), Ressurreição (1872), Histórias da Meia-Noite (1873), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), contos e romances inexatamente chamados da “fase romântica”, quando melhor se diriam “de compromisso” ou “convencionais”. Com alguns poemas que enfeixaria nas Ocidentais (1882), e sobretudo a partir das Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), o escritor atinge a plena maturidade do seu realismo de sondagem moral, que as obras seguintes iriam confirmar: Histórias sem Data (1884), Quincas Borba (1891), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1899), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Relíquias da Casa Velha (1906).

Considerado, nos fins do século, o maior romancista brasileiro, foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, animou a excelente Revista Brasileira, promoveu os poetas parnasianos e estreitou relações com os melhores intelectuais de seu tempo, de Veríssimo a Nabuco, de Taunay a Graça Aranha. Não obstante essa ativa sociabilidade no mundo literário, ficaram proverbiais a fria compostura pessoal e o absenteísmo político que manteve nos anos derradeiros - a atitude paralela à análise corrosiva a que vinha submetendo o homem em sociedade desde as Memórias Póstumas. O último romance, mais “diplomático”, Memorial de Aires (1908), foi escrito após a morte de Carolina, a que pouco sobreviveu. Machado de Assis morreu vitimado por uma úlcera cancerosa, aos sessenta e nove anos de idade. Na Academia, coube a Rui Barbosa fazer-lhe o elogio fúnebre.

Os biógrafos de Machado de Assis tendem a exagerar seus sofrimentos e estigmas, enfatizando as causas eventuais de seu tormento físico, psicológico e social: a cor escura, a origem humilde, a orfandade na primeira infância, a compleição franzina, a doença nervosa (epilepsia?), a carreira difícil nos primeiros anos, a esterilidade (?), as humilhações, o complexo de rejeição etc. Tudo isso serviu de pretexto a uma série de “interpretações” mirabolantes e de “projeções” psicológicas na obra do autor, fruto do psicologismo que invadiu a crítica literária dos anos 30 e 40, ou da tendência romântica de se atribuir aos grandes escritores uma quota pesada e ostensiva de sofrimento e de drama, pois a vida normal parece incompatível com o gênio artístico. Essa “dramatização” dos “estigmas” de Machado tem gerado muita bobagem, pomposamente revestida de (pseudo) cientificidade, que algumas obras didáticas ainda produzem.

Na verdade, os seus sofrimentos não parecem ter excedido aos de toda gente, nem sua vida foi particularmente árdua. No Império liberal, muitos homens de cor foram guindados ao Ministério, ou receberam títulos de nobreza, ou conheceram notável ascensão social.

Machado ascendeu com facilidade na vida pública: tipógrafo, repórter, funcionário modesto, alto funcionário, bem casado com uma senhora branca, culta, amiga discreta, afetuosa, íntima de gente ilustre e bem nascida e, já aos cinqüenta anos, considerado o maior escritor do País, objeto de uma reverência e admiração que nenhum escritor brasileiro conheceu em vida, antes e depois dele. Quando se cogitou na fundação da Academia Brasileira de Letras (1897), Machado foi escolhido seu mentor e presidente, posto que exerceu até morrer. Presidente perpétuo da Casa de Machado de Assis e seu único imortal (sem aspas), converteu-se numa espécie de patriarca das Letras.

Contudo, à glória nacional, quase hipertrofiada, correspondeu uma desalentadora obscuridade internacional. Como a glória literária depende bastante da irradiação política do país, ao que se acresce que, das línguas do Ocidente, a nossa é a menos conhecida, tanto Machado de Assis quanto Eça de Queirós, dois escritores de porte internacional, ficaram quase totalmente desconhecidos fora do âmbito da lusofonia ou da especialização acadêmica.

Sob o burguês comedido, “britânico”, que viveu convencionalmente ajustado às manifestações exteriores, respeitando para ser respeitado; debaixo das boas maneiras, do humor elegante e dos laivos acadêmicos e arcaizantes, funcionava um escritor poderoso e atormentado, que se aplicava discreta, mas agudamente, em desmascarar, investigar, descobrir o mundo da alma, rir da sociedade e expor alguns dos componentes mais esquisitos da personalidade.

Ao aluno que pretender ir além do que se exige no vestibular, introduzir-se no universo machadiano, recomendamos dois trabalhos que servem de excelente porta de entrada: Machado de Assis - Antologia e Estudos, Alfredo Bosi e outros, São Paulo, Ática, 1982, e o “Esquema de Machado de Assis”, in: Vários Escritos, Antônio Cândido, São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1977. Neste capítulo, transcrevemos ou refundimos os autores citados, bibliografia “quase” oficial nos exames para o curso superior em São Paulo.

 

2. OBRA

 

• Romance

  • Ressurreição, 1872
  • A Mão e a Luva, 1874
  • Helena, 1876
  • Iaiá Garcia, 1878
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881
  • Quincas Borba, 1891
  • Dom Casmurro, 1899
  • Esaú e Jacó, 1904
  • Memorial de Aires, 1908

• Conto

  • Contos Fluminenses, 1872
  • Histórias da Meia-Noite, 1873
  • Papéis Avulsos (livro que inclui “O alienista”), 1882
  • Histórias sem Data, 1884 Várias Histórias, 1896
  • Páginas Recolhidas, 1899
  • Relíquias da Casa Velha, 1906
Teatro
  • A Queda que as Mulheres Têm pelos Tolos, 1861
  • Desencantos, 1861
  • O Caminho da Porta, 1863
  • O Protocolo, 1864
  • Quase Ministro, 1864
  • Os Deuses de Casaca, 1866
  • Tu, Só Tu, Puro Amor, 1880
  • Não Consultes Médico, 1896

•  Poesia

  • Crisálidas, 1864
  • Falenas, 1870
  • Americanas, 1875
  • Ocidentais, 1882
  • Crônicas
  • Críticas Teatrais
  • Críticas Literárias

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CONTINUA

SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - Análise e questionário  
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RESUMO - DOM CASMURRO 
DOM CASMURRO: O Otelo de Machado de Assis
O ALIENISTA DE MACHADO DE ASSIS: análise
MACHADO DE ASSIS: romancista, contista, cronista, poeta e muito 
 

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Todos os comentários desse artigo:
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 2

  • mailtoAmanda

    Qua 20 Ago 2008 02:20

    o texto Dom Casmurro é muito massa
    nos deixa intrigado para saber se ouve ou ele estava mesmo enganado e ela sempre foi um
    é bom pq nos deixa intrigado com muitas perguntas ..
    mas realmente ela o chifrou ou não?

  • mailtoGEORGE DE JESUS SANTOS

    Sáb 02 Ago 2008 19:36

    GOSTEI,ADOREI É ÓTIMO

  • mailtodayane

    Qui 27 Mar 2008 12:33

    o texto é muito legal adorei a vida de machado de assis.Estou fazendo um trabalho sobre ele e vi a historia achei super interessante

  • mailtoThay

    Qui 18 Out 2007 01:55

    Bom queridos estou prescisando de algumas perguntas sobre o livro
    se vcs puderem me ajudar