SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - Análise e questionário  (LITERATURA) escrito em domingo 12 agosto 2007 12:09

analise, bentinho, capitu, casamento, ciúmes, consultoria academica, critica, desconfiança, desdêmona, difamação, dom casmurro, família decadente, literatura, machado de assis, matacavalos, memórias, otelo, realismo enganoso, shakespeare, suspeita amorosa

Blog de pre-vestibular :SÓ PARA AJUDAR O PESSOAL DO PRÉ-VESTIBULAR, SOBRE MACHADO DE ASSIS E  DOM CASMURRO - Análise e questionário

 

Olha, pessoal, o resumo e a análise de Dom Casmurro postados neste blog não dispensam a leitura do livro, apenas reforçam o raciocínio sobre ele, sobre o autor e sobre o período literário. Não deixe de ler esse livro que, além de envolvente, é inteligente e gostoso de ler. Dê, a si mesmo, essa oportunidade, pois se trata de uma das nossas melhores obras. 

 

DOM CASMURRO

MACHADO DE ASSIS

Análise da obra, seleção de textos e questionário

FERNANDO TEIXEIRA DE ANDRADE




APRESENTAÇÃO
 

Escrito para sair diretamente em livro, o que ocorreu em 1900 embora com data do ano anterior, o terceiro romance da “trilogia” realista de Machado de Assis sugere três leituras sucessivas: a primeira, romanesca é a história da formação e decomposição de um amor, do idílio da adolescência, passando pelo casamento, até a morte da companheira e do filho duvidoso; a segunda, próxima do romance psicanalítico e policial, é o libelo acusatório do marido-advogado à cata de prenúncios e evidências do adultério, tido por ele como indubitável; e a terceira, mais instigante, deve ser realizada à contracorrente, pela inversão do rumo da desconfiança, transformando em réu o próprio narrador, em acusado o acusador. Este, na ânsia de convencer a si mesmo e ao leitor da culpa da mulher, monta uma rede intrincada de armadilhas para defender a reputação de um-cidadão-acima-de-qualquer-suspeita que, estando com a palavra, tenta seduzir o “fino leitor” e a “castíssima leitora”, ganhar-lhes a simpatia.

É preciso ler com o pé atrás as memórias desse cavalheiro bem falante, distinto, sentimental, meio desajeitado nas questões práticas, mergulhado nas recordações da infância, venerador de sua mãe e obcecado pela primeira namorada. Nas entrelinhas, nas passagens opacas, nos atos falhos, nos raciocínios truncados, nas minudências aparentemente irrelevantes, ficam inúmeras pistas de um depoimento não apenas do narrador, mas também sobre o narrador. Aí, em lugar do memorialista emocionado e sincero, do cidadão exemplar, surgem os sintomas do ressentimento, do recalque, da “paranóia”, da imaginação delirante de um homem inseguro, dominado por duas mulheres — a mãe e a amada —, um homem que se reconhece menos homem do que Capitu era mulher.

O enigma é Bentinho, não Capitu, e as linhas tortuosas de suas memórias e de seu caráter compõem uma charada de difícil decifração. Mas há várias pistas: a metáfora dos “olhos de ressaca”, dos “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”; o paralelo com o drama shakespeariano de Otelo e Desdêmona; a aproximação com a ópera do velho tenor Marcolini (o duo, o trio e o quatuor); as “semelhanças esquisitas”; as relações “suspeitas” com Escobar no seminário; a lucidez de Capitu e o obscurantismo de Bentinho; a imaginação delirante e perversa do ex-seminarista; o preceito bíblico de Jesus, filho de Sirach, que bem poderia servir de epígrafe: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, como quer o narrador, também o memorialista casmurro, esquisitão, quase homicida e suicida, já estava dentro do menino mimado, filhinho-da-mamãe, inseguro e possessivo.

A pista mais recente foi levantada por John Gledson, em O Realismo Enganoso de Machado de Assis - Uma interpretação Divergente de Dom Casmurro. Retomando a questão do ponto de vista suspeitíssimo do narrador, o crítico identifica, sob a agitação sentimental do primeiro plano, a presença de interesses sociais relacionados à organização e à crise da ordem patriarcal. Para o universo carrança, bolorento e recalcado de Dona Glória, com seus viúvos, agregados e escravos, a energia e a liberdade de opinião da mocinha moderna e pobre, atrevida e irreverente, lúcida e atuante, tornam-se intoleráveis. Os ciúmes do menino rico, de família decadente, do bacharel típico do Segundo Reinado, condensam uma problemática social ampla, por trás daquele novo Otelo que difama e destrói a amada.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

LEIA TAMBÉM

SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - Análise e questionário  
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 2 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 3 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 4 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 5 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 6 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO 7 
SOBRE MACHADO DE ASSIS E DOM CASMURRO - QUESTÕES: DA FUVEST 1992 
RESUMO - DOM CASMURRO 
DOM CASMURRO: O Otelo de Machado de Assis
O ALIENISTA DE MACHADO DE ASSIS: análise
MACHADO DE ASSIS: romancista, contista, cronista, poeta e muito 
 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Conheça
Consultoria Acadêmica

Blog de turma : imagens nossas, 1

Compartilhar

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (54.243.23.129) para se identificar     


1 comentário(s)

  • pre-vestibular Sex 25 Mar 2011 19:37
    Concordo com você, Roberto,o que temos no livro é um julgamento parcial. Também tive a sensação de que o julgamento de Betinho a respeito da esposa é um comodista e tendencioso. Eu acho até que é isso o que intriga tanto as pessoas, no sentido de que imagina-se, será que ele está manipulando as nossas impressões? É estranho mesmo se agente pensar assim.


Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para pre-vestibular

Precisa estar conectado para adicionar pre-vestibular para os seus amigos

 
Criar um blog