Elas partiram para outros
assuntos,
Mas no meu canto estarão sem juntas.
Música de MILTON
NASCIMENTO
Rebelião
de abelhas operárias

From Bridgend County Borough Council
Abaixo a monarquia apícola!
Texto original:
Terra, "Polícia do Canadá procura abelhas fugitivas",
Sexta, 27 de julho de 2007, 08h56.
http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI1790202-EI1141,00.html

A famosa Polícia Montada do Canadá recebeu uma missão pouco comum: encontrar um enxame que fugiu após um golpe de Estado em sua colméia, fiéis à rainha deposta, informou nesta quinta-feira o próprio órgão.
"Um apicultor veio nos procurar para dizer que tinha perdido metade de suas abelhas, entre 30 e 40 mil", revelou Cheryl Decker, porta-voz da Gendarmeria Real do Canadá (GRC) em Shelburne, província da Nova Escócia. "Disse que o enxame tinha sido visto pela última vez próximo a uma lanchonete" de Shelburne e "nos pediu ajuda para capturá-lo", acrescentou Decker.
O apicultor, Rodney Dillinger, explicou que a colmeia está provavelmente "estressada" e que as operárias se rebelaram contra a rainha, deixando que outra assumisse o controle. Após o "golpe", metade da colmeia fugiu com a rainha deposta "em busca de uma nova residência", disse Dillinger.
"Este fenômeno é comum e não são perigosas, mas as abelhas têm um aspecto ruim para as pessoas que não estão acostumadas e é possível que sejam atacadas". Ao que parece, o enxame fugitivo já foi confundido com um urso em uma árvore e com uma nuvem negra.

Ilustração de Lisa Haney
Palavra de especialista
Por Alzira Helena Teixeira Barbosa*
Divertido pôr a polícia nisso, porque isso é assim mesmo. Quando uma colméia cresce muito sem condições para sobrevivência no espaço do ninho, o jeito é se subdividir. Então as abelhas operárias forjam outra rainha. A rainha provém de um ovo igual ao de todas as operárias e por decisão delas é que foi transformada em rainha. Para isso, elas primeiro aumentam o tamanho do alvéolo em que foi depositado o ovo, já que a rainha é muito maior do que as operárias e não iria caber no alvéolo comum depois de nascida.
Depois que o ovo destinado a rainha se transforma em larva, esta é alimentada pelas operárias só com geléia real. As larvas das operárias são alimentadas apenas por três dias com geléia real, a da rainha, não só enquanto larva, mas por toda a vida. É o consumo diário de geléia real (qualquer interrupção adeus rainha), que vai gerar e depois manter a rainha viva.

Não são toleradas duas rainhas na mesma colméia. Quando isso acontece uma delas é destruída, exceto quando a segunda rainha tenha sido fabricada prevendo-se a subdivisão da colméia. Então, uma grande parte das operárias parte com a rainha antiga para criar uma outra família, e a rainha nova fica com a outra parte das abelhas e vai aumentando a antiga família (nova para ela que é recém nascida). Antes disso, para poder pôr ovos fertilizados, ela saiu para o vôo nupcial. Partiu atrás dela um monte de zangões e, como sempre, só o mais forte foi bem sucedido. Nenhum sobreviverá. Sempre que é necessária uma nova rainha, toda essa epopéia se repete.
As abelhas costumam fabricar mais de uma rainha para prevenir o risco de um acidente durante o vôo nupcial que a impeça de voltar para a colméia (se a colméia ficar sem rainha, acaba). Os pássaros, por exemplo, são um grande perigo. Daí é que, se duas ou mais rainhas voltarem sãs e salvas para a colméia, vão ser todas sacrificadas (por sufocação), exceto uma. Esse pedaço é triste, não é?
A rainha coroada que assumir o trono, nunca mais verá a luz do dia, o sol, as flores, os riachos, tudo aquilo de que as operárias irão desfrutar a vida toda (exceto nesse caso de uma eventual divisão da colméia, que não é muito freqüente). Em compensação (e acho que não compensa tanto) ela vai ter a devoção, os cuidados, o carinho das operárias. Vai ser agradada, reverenciada, alimentada. Só não vai ter liberdade de voltar a ver o mundo fora da colméia.
*Alzira Helena é a Super Avó do blogueiro e produtora, apaixonada!, de mel.
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