PLEONASMO ou TAUTOLOGIA: NNF - Nóis Na Fita  (LINGUA PORTUGUESA) escrito em domingo 07 junho 2009 02:18

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HILÁRIO!

MUITO BOM!

é para não esquecer mais...

PLEONASMO E TAUTOLOGIA

Por Ana A.S.César

1) Pleonasmo - [Do gr. pleonasmós, ‘superabundância’, pelo lat. tard. pleonasmu.] 

1.E. Ling. Redundância de termos que em certos casos têm emprego legítimo, para conferir à expressão mais vigor, ou clareza. Ex.: Vi com estes olhos que a terra há de comer.

2) Trata-se de termo genérico, que tanto pode adornar a linguagem, como torná-la feia e sem encanto. No primeiro caso, em que se busca dar força à expressão, chama-se pleonasmo de estilo. Ex.: "Vi com meus próprios olhos". No segundo caso, caracteriza vício da linguagem e chama-se pleonasmo vicioso, porquanto, longe de enfeitar o estilo, apenas repete desnecessariamente idéia já referida. Ex.: "Subir para cima".

3) Expressões com pleonasmo de estilo trata-se de construção irrepreensível, porque "o pleonasmo deixa de considerar-se vício para classificar-se como figura desde que, sem tornar deselegante a frase, contribua para dar maior relevo à idéia".1

4) Quanto à Tautologia (de tautos, em grego, que exprime a idéia de mesmo, de idêntico), trata-se de outra denominação que recebe o pleonasmo vicioso e se caracteriza pela seguida repetição, por meio de palavras diferentes, de um pensamento anteriormente enunciado, baseando-se "no desconhecimento da verdadeira significação dos termos empregados, provocando redundância ou condenável demasia verbal".2

5) Além dos lapsos mais comuns nesse campo (subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro, sair para fora, menino homem...) e verificáveis até com perfunctório cuidado, há outros de identificação mais difícil, mas que, de igual modo, devem ser evitados, ainda que à custa de maior atenção: breve alocução (alocução já significa um discurso breve), monopólio exclusivo (está ínsita em monopólio a idéia de exclusividade), principal protagonista (protagonista já é o personagem principal), manusear com as mãos (manusear já tem por radical, em latim, a idéia de atuar com as mãos), preparar de antemão (por força do prefixo latino pre, preparar já tem em si a idéia de anterioridade), prosseguir adiante (não há como prosseguir para trás, já que o prefixo latino pro tem o significado de movimento para a frente), prever antes (por força do prefixo latino pré, significando anterioridade, prever depois não é prever), prevenir antecipadamente (o prefixo latino pre já traz em si a idéia de anterioridade), repetir de novo (em razão do prefixo latino re, repetir já significa atuar de novo), boato falso (boato já significa um relato sem correspondência com a verdade).

Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir: 

 elo de ligação 

 encarar de frente 

 acabamento final 

 multidão de pessoas 

 certeza absoluta 

 amanhecer o dia 

 quantia exata 

 criação nova 

 nos dias 8, 9 e 10, inclusive 

 retornar de novo 

 juntamente com 

 empréstimo temporário 

 expressamente proibido 

 surpresa inesperada 

 em duas metades iguais 

 escolha opcional 

 sintomas indicativos 

 planejar antecipadamente 

 há anos atrás 

 abertura inaugural 

 vereador da cidade 

 continua a permanecer 

 outra alternativa 

 a última versão definitiva 

 detalhes minuciosos 

 possivelmente poderá ocorrer 

 a razão é porque 

 comparecer em pessoa 

 anexo junto à carta 

 gritar bem alto 

 de sua livre escolha 

 propriedade característica 

 superávit positivo 

 demasiadamente excessivo 

 todos foram unânimes 

 a seu critério pessoal 

 conviver junto 

 exceder em muito

 fato real 

 


Note que todas essas repetições são dispensáveis.

Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada?  É óbvio que não. 

Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Verifique se não está caindo nesta armadilha.

6) Nem sempre é fácil identificar tautologias, quer por desconhecimento do real significado das palavras, quer porque há expressões que estão enraizadas no uso e são de difícil expurgo: abertura inaugural, acabamento final, detalhes minuciosos, metades iguais, empréstimo temporário, encarar de frente, planejar antecipadamente, superávit positivo, vereador da cidade.

Fonte: http://stoa.usp.br/anacesar/weblog/44709.html

Pleonasmo: 

"vício" ou estilo?

Por Thaís Nicoleti de Camargo

Não é raro ouvirmos que alguém "subiu lá em cima" ou "saiu lá fora". Certamente, reconhecemos tais formas como viciosas, e, muitas vezes, elas se transformam em motivo de riso. No nível culto da língua, são inadmissíveis. Que pensar de alguém que tenha sofrido uma "hemorragia de sangue" ou participado de um "plebiscito popular"? A esse tipo de construção chamamos pleonasmo, palavra grega que significa superabundância.

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer que houve um "consenso geral"? Ora, consenso é a opinião geral. É o mesmo problema que ocorre com a "opinião individual de cada um" e com a "unanimidade de todos". "Encarar cara a cara", "repetir de novo", "enfrentar de frente" são tão redundantes quanto o "erário público" e o "vereador municipal".

Se esses pleonasmos beiram o ridículo, outros há no idioma perfeitamente aceitáveis. São comuns, em bons escritores, construções com duplo objeto, de grande poder expressivo. Em uma frase como: "A carta, não a recebi", o objeto direto é anteposto (a carta) e repetido depois como pronome oblíquo ("a"). A este chamamos objeto direto pleonástico. A frase ficou muito mais enfática que: "Não recebi a carta". 

Quem já não ouviu falar que alguém "viveu uma vida de cão" ou "dormiu o sono dos justos"? Nessas frases, ocorre o que se conhece, gramaticalmente, como objeto direto interno. Um verbo intransitivo adquire transitividade e tem o seu objeto direto representado por um núcleo semanticamente ligado a ele, acrescido de um qualificativo. O uso do adjetivo ou da locução adjetiva torna único aquilo que pareceria óbvio. 

Há outras construções pleonásticas também aceitas, como é o caso da dupla negativa, em frases do tipo: "Não disse nada" ou "Não havia nenhuma pessoa lá". Mais elegantes, entretanto, soam as formas: "Nada disse" ou "Não havia pessoa alguma lá". Note que o pronome indefinido "algum", posposto ao substantivo, assume valor negativo.

Como você pode perceber, nem sempre o pleonasmo é um vício de linguagem. Vezes há em que é um poderoso recurso de estilo. No belo "Soneto da Fidelidade", diz Vinicius de Morais: "De tudo, ao meu amor serei atento/ Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto/ (...) E em seu louvor hei de espalhar meu canto/ E rir meu riso e derramar meu pranto (...)".

Em Manuel Bandeira, no "Poema Só para Jaime Ovalle", lemos: "Chovia uma triste chuva de resignação". O limite entre o "defeito" e o estilo pode parecer tênue. Mas, com um pouco de sensibilidade, fica fácil distinguir um do outro.

Thaís Nicoleti de Camargo é consultora de
língua portuguesa da Folha e apresentadora
das aulas de gramática do programa "Vestibulando",
da TV Cultura.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u197.shtml

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Colaboração
Consultoria Acadêmica

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