Os grandes fatos dos séculos XIV e XV
Fonte: Revista História Viva nº 5
1309-1377
Os papas em Avignon
Em 1309, o papa Clemente V fixou residência em Avignon, propriedade do rei de Nápoles, Carlos de Anjou. Tornara-se muito difícil para o papa permanecer em Roma, zona de grande instabilidade política. Todas as correntes intelectuais, tecnológicas, artísticas encontravam-se naquela espécie de cadinho que era Avignon. A escolha de Clemente V faria oscilar o centro de gravidade da Europa para o Sul. É evidente que os romanos não gostaram daquela situação. Em 1377, o papa Gregório XI decidiu recuperar o trono de São Pedro, em Roma, o que não reconstruiu a unidade do papado, e sim provocou a pior crise de sua história: o Grande Cisma do Ocidente.
1337-1453
A Guerra dos Cem
Anos
A reivindicação da Coroa da França por Eduardo III, rei da Inglaterra, é a origem da Guerra dos Cem Anos, uma sucessão de campanhas militares separadas por períodos de paz, que começou como uma guerra feudal clássica, e terminou numa luta entre nações.
1348-1349
A Grande
Peste
Em 1º de novembro de 1347, navios genoveses chegados do Oriente aportaram em Marselha, trazendo o bacilo da peste que, em poucos meses, ceifou quase dois terços da população do Ocidente.
1378-1417
O Grande Cisma
Mal chegara a Roma, em março de 1378, o papa Gregório XI mor reu. Como a maioria dos cardeais era francesa, esperava-se que um deles fosse eleito, mas com a pressão dos italianos, o conclave nomeou as pressas o arcebispo de Bari. E foi assim que ele se tornou Urbano VI. Pouco tempo depois, os cardeais franceses invalidaram a eleição, e escolheram outro papa, Roberto de Genebra, que tomou o nome de Clemente VII. Ambos estavam persuadidos de sua legitimidade. Cada papa tinha sua própria administração. A unidade somente foi restabelecida em 1414, no Concílio de Constância.
1405-1433
As expedições chinesas
Antes do
século XV,
os
países da Europa
Ocidental estavam atrasados
em quase todos os campos em relação ao Oriente, à Ásia, e,
sobretudo, à China. O almirante chinês Zheng He dispunha de juncos enormes, que o
levaram à Índia,
Indonésia, Pérsia, Arábia e Africa. Curiosamente, a partir de
1433, os
chi
neses
interromperam seu périplo. Ao que parece,
foi a própria riqueza que incitou os
chineses a ficar em sua
terra: o Império do Meio estava em paz, possuía prata, e o
soberano Ming era
extraordinariamente poderoso. Os ocidentais, ao contrário,
eram pobres e viviam
ameaçados pelos turcos que avançavam para o Oeste. O
Ocidente só
tinha uma saída: explorar novos territórios, o que se tornou possível
com o surgimento da caravela.
1452
A invenção
da imprensa
Se Gutenberg não foi o inventor da imprensa, técnica já conhecida na China e na Coréia desde o sécuIo Xlll é a ele que se deve a realizacão de obras compostas com tipos móveis, fundidos e impressos em papel, com a ajuda de uma prensa tipográfica. O método de Gutenberg reduziu enormemente o preço de custo do livro, e inaugurou a era industrial no que diz respeito à fabricação em série. Em 1455, a Bíblia de 42 linhas teve tiragem de 150 exemplares.
1453
A queda de Constantinopla
Quando o sultão otomano Mehmed II tomou a capital do Império Bizantino, havia muito que esta era apenas uma cidade-Estado. Entretanto, havia muito que o Império Romano do Oriente tinha suas fronteiras ameaçadas. Havia muito que o destino de Constantinopla era previsível. E quando os otomanos sitiaram a cidade, encontraram-na abandonada à própria sorte.
1492
O descobrimento da América
Desde os anos 1430, os europeus tentavam chegar à Índia e à China, fosse contornando a África ou o oceano Atlântico. Os avanços, como a invenção do astrolábio náutico e embarcações. como a caravela, melhoraram a navegação em alto-mar. As grandes descobertas do final do século XV se deveram à necessidade de a economia europeia encontrar as matérias-primas de que precisava: ouro e especiarias. Essas expedições não só deslocaram as rotas do comércio europeu do Mediterrâneo para o Atlântico, como enriqueceram os países do Velho Continente. Depois do tempo dos descobridores, viria o dos conquistadores, que, impelidos pela ambição do lucro, provocaram a queda do império inca no Peru e do império asteca no México. Os massacres contra populações pacíficas são a face pouco gloriosa da conquista do Novo Mundo.
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